terça-feira, 27 de setembro de 2016

Napoleão cruzando os Alpes - 5 versões de Jacques-Louis David

I - Napoleão cruzando os Alpes


Napoleão cruzando os Alpes é o título dado às cinco versões de um óleo sobre tela com o retrato equestre de Napoleão Bonaparte pintadas pelo artista francês Jacques-Louis David entre 1801 e 1805.

Inicialmente encomendado pelo Rei da Espanha, a composição mostra uma visão fortemente idealizada da travessia que Napoleão e seu exército fizeram através dos Alpes pelo Passo de São Bernardo em maio de 1800.


A pintura original -  Castelo de Malmaison, arredores de Paris, 1800, 261cm x 221cm 


II - Contexto Histórico




Tendo tomado o poder durante o 18 brumário (09 de novembro) de 1799, Napoleão estava determinado a retornar à Italia para reforçar as tropas francesas no país e retomar os territórios perdidos para os Austríacos nos anos anteriores. 


Na primavera de 1800 ele liderou o exército pelos Alpes através da Passagem de São Bernardo. Napoleão esperava contar com o elemento surpresa tomando a rota trans-alpina. No momento em que as tropas de Napoleão chegaram, Genova tinha caído; mas ele empurrou o exército à frente, na esperança de envolver os austríacos antes que eles pudessem se reagrupar. O exército conduzido por Napoleão travou uma batalha em Montebello em 9 de junho antes de eventualmente garantir uma vitória decisiva na Batalha de Marengo .


A instalação de Napoleão como Cônsul e a vitória francesa na Itália permitiram uma aproximação com Charles IV de Espanha. Enquanto as conversas para o re-estabelecimento das relações diplomáticas foram iniciadas uma tradicional troca de presentes ocorreu:

- Charles recebeu pistolas fabricadas em Versalhes, vestidos dos melhores costureiros parisienses, jóias para a rainha e um fino conjunto de armaduras para o reconduzido primeiro ministro Manuel Godoy.

- Em troca Napoleão foi presenteado com 16 (dezesseis) cavalos espanhois dos estábulos reais, retratos do rei e da rainha pintados por Goya, e o retrato que deveria ser comissionado por Jacques-Louis David.  O embaixador francês para a Espanha, Charles Jean Marie Alquier, encomendou a pintura original para David em nome de Charles. O retrato era para ser pendurado no Palácio real de Madrid como um sinal do novo relacionamento dos dois países. David, que tinha sido um fã ardoroso da Revolução mas tinha transferido seu fervor para o Novo Consulado, estava feliz de ter ganho essa missão.

Ao saber do pedido, Bonaparte instruiu David para produzir mais três versões: uma para o Château de Saint-Cloud , uma para a biblioteca de "Les Invalides" , e um terceiro para o palácio da República Cisalpina em Milão . A quinta versão foi produzida por David e permaneceu em suas diversas oficinas até sua morte.



III - Jacques-Louis David




Jacques-Louis David (Paris, 30 de agosto de 1748 – Bruxelas, 29 de dezembro de 1825) foi um pintor francês,  representante característico do neoclassicismo. Controlou durante anos a atividade artística francesa, sendo o pintor oficial da corte francesa e de Napoleão Bonaparte.


Jacques-Louis David nasceu de uma próspera família parisiense. Quando tinha nove anos seu pai foi morto em duelo, e sua mãe o entregou aos cuidados de seus tios abastados, que providenciaram para que ele tivesse uma educação primorosa no Collège des Quatre-Nations, mas ele jamais foi um bom aluno - sofria de um tumor na face que afetava sua fala, e passava o tempo a desenhar. Desejava ser pintor, contrariando os planos de sua mãe e tios, que o queriam um arquiteto. Vencendo a oposição, buscou tornar-se aluno de François Boucher, seguidor do rococó e o principal pintor de sua geração, que era também seu parente distante. Mas Boucher, em vez de aceitá-lo como discípulo, o enviou para aprender com Joseph-Marie Vien, um artista que já trabalhava numa linha classicista, e o jovem ingressou então na Academia Real.



Sua convivência com os colegas na Academia de Roma não era fácil, mas em geral era-lhe reconhecido o gênio. Depois de cinco anos na capital italiana voltou a Paris, onde teve uma recepção calorosa, que lhe abriu as portas da Academia Real, para onde enviou duas pinturas de admissão, ambas incluídas no Salão de 1781, uma honrosa exceção aos critérios rígidos que norteavam o concurso


David apoiou a Revolução Francesa desde o início, era amigo de Robespierre e membro do Clube dos Jacobinos. Enquanto outros deixavam o país em busca de novas oportunidades, David permaneceu para auxiliar na queda do antigo regime, votando pela morte do rei; de fato, na primeira Convenção Nacional que se reuniu ele foi alcunhado de "terrorista feroz". Logo, porém, ele voltou sua crítica contra a Academia, possivelmente por causa da hipocrisia que sentia nos bastidores e da oposição que suas obras haviam sofrido no início de sua carreira. 

Momento marcante da Revolução que ele fixou em tela foi a Morte de Marat, um testemunho de sua filiação política e ao mesmo tempo uma obra-prima. Quando apresentou a tela na Convenção, disse:"Cidadãos, o povo novamente clamou por seu amigo; sua voz desolada foi ouvida: 'David, toma teus pincéis, vinga Marat!'… Eu ouvi a voz do povo, e obedeci". A obra foi um sucesso político imediato, e imortalizou tanto Marat como David no mundo da revolução. 

A morte de Sócrates, 1787, Metropolitan Museum of Art, NY
A morte de Marat, 1793, Museu Real da Bélgica


Logo Napoleão reinava, e o ambiente se transformara radicalmente. Os mártires da Revolução foram removidos do Panteão,  enterrados em vala comum, e suas estátuas destruídas. Sua esposa, que era realista, conseguiu livrar David da prisão, e apesar de terem-se divorciado desde o episódio do regicídio, ela declarou que nunca deixara de amá-lo, e por fim voltaram a se casar em 1796. Reabilitado e reintegrado em seu atelier e posição, voltou a aceitar alunos e se retirou da política.

IV - História das cinco versões


Primeira versão


A pintura original permaneceu em Madrid até 1812, quando foi tomada por Joseph Bonaparte depois de sua abdicação como Rei de Espanha. Ele levou com ele quando ele foi para o exílio nos Estados Unidos, e pendurou em sua propriedade de Port Breeze perto de Bordentown, New Jersey . A pintura foi transmitida através de seus descendentes até 1949, quando sua grande sobrinha-neta, Eugenie Bonaparte, legou-a ao museu do Château de Malmaison .


A segunda versão


A segunda versão foi encomendada por Napoleão para o palácio de Sain-Cloud. Esse palácio tinha sido adquirido por Luís XVI para a Rainha Antonieta que queria transformá-lao no seu lar privado. O Rei achava que o lugar era para bom para criar os seus filhos. Em 1790 ele foi o cenário da entrevista entre Maria Antonieta e o revolucionário Mirabeau. 

Após a revolução o castelo foi declarado "bem nacional". Ele foi também o lugar onde aconteceu o golpe de estado que declarou Napoleão como Cônsul Geral da França. Lá também Napoleão foi proclamado Imperador da França em 18 de maio de 1804. Saint-Cloud era o lugar usado pela família de Bonaparte e era a sua sede principal, juntamente com o Palais de Tuileries, em Paris. 

Em 1814, enquanto Napoleão estava lutando em Fontaneibleau, as forças de coalizão Asutríacas, Russas e prussianas atacaram Paris obrigando a sua rendição. Quando os Prussianos sob von Blücher chegaram a Saint Cloud, eles removeram o quadro que ofereceram ao rei da Prússia. Agora ele está localizado no Palácio de Charlottenburg , em Berlim . 

As forças de coalizão encerraram o governo de Napoleão e restauraram a monarquia francesa para os herdeiros de Luís XVI. Esse período durou de 1814 até 1830 quando Napoleão recuperou o poder. 


segunda versão - Charlotenbourg, Berlim, 1801

A terceira versão 


A terceira versão era destinada a biblioteca dos "Les Invalides" em 1802. Ela foi recebida com grande cerimônia ao som de canhões e na presença do pintor e de seu assistente Georges Rouget. Ela foi depois guardada durante o período da Restauração da Monarquia francesa (1814 a 1830 ). Instalada em  1830 no Chateau de Sain-Cloud, ela foi levada por Louis-Philippe I para Versalhes em 1837 onde permanece até os dias atuais.  


A terceira versão - a primeira para Versalhes, 1802 


A quarta versão 


A quarta versão foi encomendada para o palácio da República cisalpina de Milão. Liberada em 1803 ela foi confiscada em 1816 pelos Austríacos. Ela ficou ainda armazenada em Milão durante  anos até   1825 quando os milaneses se recusavam de entregá-la para os austríacos. 

Finalmente ela foi levada para o Belvedere, Viena em 1834. Ela permanece lá até hoje, e agora faz parte da coleção oficial da  "Galerie Belvedere" .

A versão do Belvedere - Viena, Austria 

A quinta versão


A versão mantida por David até sua morte, em 1825, foi exibido no Bazar Bonne-Nouvelle em 1846 (onde foi observado por Baudelaire ). Em 1850 foi oferecido ao futuro Napoleão III, sobrinho e herdeiro de Napoleão I, pela filha de David, Pauline Jeanin, e instalado no Palácio das Tulherias . Em 1979, foi doado ao museu do Palácio de Versailles.

Quinta versão - Palácio de Versailles, 1804

Observação: Todas as telas são praticamente do mesmo tamanho da tela original com 261 cm x 221 cm (v2 273 x 234, v3 267 x 223, v4 271 x 232, v5 275 x 232).

V - Referências


Obs: Todo o texto e fotos dos quadros foram resumidos da Wikipedia. 

Wikipedia - Jacques-Louis David

Wikipedia - Napoleon Crossing the Alps

Wikipedia / Wikimedia Commons - Todas as fotos dos quadros.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O Palácio Peterhof - Arredores de São Petersburgo

I - Peterhof - Resumo Histórico




Construído pelo Imperador Pedro I, O Grande, pertencia a família imperial russa. O prédio da foto é conhecido como o "Grande Palácio". Existem várias outras construções / pavilhões nessa área.

Interessado em ter uma melhor via de acesso marítima para a Europa Ocidental, o Czar Pedro I, O Grande, iniciou a construção de São Petersburgo em 1703. Em 1712, mesmo com a cidade ainda inacabada, Pedro I transferiu a capital do império para São Petersburgo, que assim permaneceu até 1918.

Peterhof, que significa "a corte de Pedro", foi construída para ser uma residência de verão, local de descanso, e também local de receber convidados. Em Agosto de 1723 foi feita a abertura oficial de Peterhof com 03 palácios, 02 cascatas e 16 fontes.

O "Grande Palácio" as fontes e os jardins foram posteriormente sendo enriquecidos por Isabel, filha de Pedro I e sua sucessora, e também pela Imperatriz Catarina II que gostava de realizar grandes festas nos seus recintos.
Durante a II guerra mundial Peterhof foi ocupado pelos nazistas durante os 03 anos em que durou o cerco de Leningrado (São Petersburgo). Ao final do cerco os nazistas incediaram o "Grande Palácio" e destruíram a maior parte dos jardins ao redor.


Após o fim da guerra o complexo de Peterhoff foi aos poucos sendo recuperado e é hoje um dos maiores atrativos para quem visita São Petersburgo.


II -  Peterhof em detalhes


a)  A localização

Para garantir o acesso a Europa por via maritima o Czar Pedro precisava ter o livre acesso ao mar báltico via o golfo da Finlandia. Para uma maior proteção militar a ilha de Kotlin que fica logo na entrada de São Petersburgo, cerca de 30 Km de distância,  tinha uma importância estratégica.  Essa ilha pertencia a Suécia e o primeiro passo do Czar foi tomá-la em 1703. 

Na ilha de Kotlin Pedro construiu a fortaleza de Kronstadt e um porto comercial para São Petersburgo, visto que na entrada da cidade a profundidade era pequena para navios de guerra e comercial. 



Localização do Peterhof em relação a São Petersburgo e ao Golfo da Finlandia mostrando ainda a Ilha de Kotlin


A Suécia nessa época era a potencia dominante na área. No dia 27 de Junho de 1709, deu-se a Batalha de Poltava, na qual Pedro, o Grande conseguiu repelir as tropas do Rei Carlos XII da Suécia, o que lhe permitiu assumir de novo ao Golfo da Finlândia, controlando a franja litoral entre Duina Ocidental e Vyborg.

Estes territórios, considerados pelos russos como a porta do Ocidente, eram uma premissa essencial para garantir o desenvolvimento económico do país. A Batalha de Poltava merecia, por isso, ser dignamente celebrada, e a melhor forma de fazê-lo seria através da construção de uma suntuosa residência que fosse capaz de rivalizar com os mais faustosos palácios dos soberanos Ocidentais e, ao mesmo tempo , constituisse um símbolo do seu poder autocrático. 

Contudo, foi necessário esperar até 1714 para que, consolidadas as posições russas no Báltico Meridional, as obras pudessem ser iniciadas, num local junto ao mar e à fortaleza marítima de Kronstadt, onde Pedro, o Grande se instalava, desde 1705, durante as suas permanências em São Petersburgo.



As primeiras menções de Pedro, o Grande a Peterhof encontram-se no seu diário, com data de 1705, durante a Grande Guerra do Norte, referindo-se a ele como um bom local de construção de um pouso para usar nas viagens de e para a fortaleza insular de Kronstadt. 



Em 1714, Pedro começou a construção, no que viria a ser o parque de Peterhof, do palácio de Monplaisir (meu prazer), baseado nos seus próprios esboços. Este foi o Palácio de Verão que Pedro usaria nas suas viagens entre a Europa e o porto marítimo de Kronstadt.


b) O porto de chegada  


A melhor maneira de ir a Peterhof é de barco. A partida é em frente ao Museu Hermitage. No verão a procura é muito grande e dificilmente você chega e consegue embarcar na mesma hora. Por isso procure comprar o ticket logo cedo. O barco é um catamarã e a duração da viagem é em torno de 40 minutos. O desembarque é pelo lado dos jardins de baixo. Compre logo o bilhete de ida e volta e cuidado com o horário. Passamos uma tarde e foi pouco tempo. No verão, que foi o nosso caso, a fila de entrada para a visita do palácio durou mais de 01 hora. 





c) Canal / Jardins de Entrada

Um jardim barroco russo, inspirado em Versailles e desenhado por um aluno de Le Notre (Jean-Baptiste Le Blond). Pedro, o Grande era admirador de Versailles. Para seu próprio palácio de verão  ele escolheu uma localidade  com um bom abastecimento de água. Ele fica em um terraço natural com vista para o mar Báltico.



Uma cascata de mármore fabulosa flui do palácio em direção ao mar, ao longo do canal Samson. Ele simboliza a conquista da costa do Mar Báltico na Grande Guerra do Norte da Rússia. A cascata é forrada com estátuas douradas e leva a uma bacia com uma estátua dourada de Sansão. Na frente sul do palácio tem um jardim, como a própria St Peterburg, que é um símbolo impressionante do desejo de Pedro para fazer da Rússia uma potência europeia sofisticada. 


Ele contém 173 fontes. Elas estão alinhadas com o canal. Para além do simbolismo não intencional de um país pobre despejando água e ouro em um oceano do norte, a figura de Sansão combatendo o leão poderia retratar uma  personalidade um pouco bárbara, embriaguez ou o gosto de Pedro para a tortura. 

Em vez disso, o que se vê é o lado iluminado do seu caráter. Petrodvorets foi destruída na Segunda Guerra Mundial, mas depois reconstruída como um símbolo do imperialismo soviético. (http://www.gardenvisit.com/gardens/peterhof-petrodvorets)







d) O Grande Palácio e suas fontes

O núcleo original do Grande Palácio (Bolshoi Dvorets) foi criado para Pedro I da Rússia, pelo francês Alexandre Le Blond. Este edifício passou a dominar o soberbo declive do Parque Inferior a partir de 1725, disposto para entreter e acolher os ócios do casal Imperial, embora por pouco tempo, uma vez que Pedro faleceu nesse mesmo ano.










A Grande Cascata e a Fonte de Sansão


Grande Cascata tomou como modelo uma outra construída por Luís XIV de França no seu Château de Marly, palácio que é igualmente comemorado num dos pavilhões de Peterhof, o Pavilhão de Marly.


No centro da cascata fica uma gruta artificial com duas escadarias, coberta no exterior e no interior com pedra castanha talhada. Actualmente, esta gruta contém um modesto musus da história das fontes. Uma das peças expostas é uma mesa carregando uma taça de frutos artificiais, uma réplica de outra mesa semelhante construida sob a direcção de Pedro I. A mesa e manipulada por jactos de água que molham os visitantes quando eles alcançam os frutos, um elemento dos jardins maneiristas que permaneceu popular na Alemanha. A gruta liga-se ao palácio por um corredor dissimulado.






Esculturas da Grande Cascata - foto HistoriacomGosto



As fontes da Grande Cascata estão localizadas abaixo da gruta, de cada um dos seus lados. As suas águas fluem para um tanque semi-circular, o final do Canal Marítimo alinahdo com a fonte. 

Na década de 1730, a grande Fonte de Sansão foi colocada no tanque. Esta tem um duplo simbolismo ao descrever o momento em que as lágrimas de Sansão abrem as mandíbulas do leão, representando a vitória da Rússia sobre a Suécia na Grande Guerra do Norte. O leão é um elemento do brasão da Suécia, e uma das grandes batalhas da guerra, a Batalha de Poltava, foi vencida no dia de São Sansão. A partir das mandíbulas do leão ergue-se um jacto de água vertical com vinte metros de altura, o mais alto de Peterhof.

 Esta obra de mestre, concebida por Mikhail Kozlovsky, foi pilhada pelos invasores alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Uma réplica da estátua foi instalada em 1947.

Fonte de Sansão contra o Leão

Provavelmente, a maior realização tecnológica de Peterhof consiste no fato de todas as fontes funcionarem sem o uso de bombas. A água é fornecida por nascentes naturais e recolhida em reservatórios situados nos Jardins Superiores. A diferença de elevação cria a pressão que activa as fontes dos Jardins Inferiores, incluindo a Grande Cascata. A Fonte de Sansão é abastecida por um aqueduto especial com mais de 4 km, o qual garante água e pressão a partir de uma fonte mais elevada.

Vista para o píer de embarque e desembarque - foto HistoriacomGosto


e) O interior do Grande Palácio


Isabel da Rússia, a filha e sucessora de Pedro, o Grande, que reinou entre 1741 e 1762, também se instalou em Peterhof, onde encarregou o arquitecto italiano Bartolomeo Rastrelli de proceder a várias obras de ampliação, sendo as mais notáveis as empreendidas no Grande Palácio, para atender o desejo de Isabel por um palácio mais adequado às exigências de representação da Corte. 

Depois de concluidas as obras, o palácio estava apto para acolher a Imperatriz Isabel, os hóspedes das suas memoráveis festas e os intelectuais do seu salão, como o historiador Tatiscev, o poeta Kantemir, ou o escritor e cientista Lomonosov, o fundador da Universidade de Moscovo.

Embora pareça ser muito grande visto de fora, o Grande Palácio na realidade é estreito e tem pé direito relativamente baixo. Entretanto a beleza de suas salas valoriza o seu interior.


Sala do Trono - foto de Sergey Bogomyako

Outra das Imperatrizes da Rússia a passar por Peterhof foi Catarina II, cujas festas, espectáculos pirotécnicos conversas eruditas com a nata da inteligentziaeuropeia, além do já conhecido desfile de amantes, alegraram as suas permanências no palácio. 

O espírito iluminado do seu reinado reflecte-se no equilíbrio interior das salas mais tardias do palácio, datadas da segunda metade do século XVIII, segundo austeros e imponentes cânones Neoclássicos, executados por G. Veldten, discípulo de Rastrelli.

Catarina II, também conhecida como Catarina casou-se com o filho de Isabel, Pedro III que logo faleceu e segundo a lenda vítima de um complô da própria esposa. 






                              Interior do Grande Palácio - fotos de Sergey Bogomyako




Sala de Chesma, Peterhof, foto de Sergey Bogomyako


A sala de Chesma está decorada com doze grandes pinturas sobre a batalha do mesmo nome, uma retumbante vitória naval da Guerra Russo-Turca, (1768-1774. Estes quadros foram pintados entre 1771 e 1773 pelo artista alemão Jacob Philipp Hackert. As suas primeiras interpretações das grandes cenas da batalha foram criticadas por testemunhas, por não mostrarem, de uma forma realista, o efeito das explosões dos navios — as madeiras voadoras, grandes chamas, fumo e bolas de fogo. 


Catarina II auxiliou o artista, ao fazer explodir uma fragata no porto de Livorno, Itália, para benefício de Hackert, que nunca assistira a uma batalha naval. Hackert também não investigou as posições reais das forças russas e turcas durante a batalha e, por esse motivo, as cenas representadas são um tanto fantásticas, embora transmitam, efectivamente, o drama e a destruição de uma batalha naval.


Portal - foto Sergey Bogomyako
Sala dos Retratos - foto de Sergey Bogomyako

Outra sala, localizada no centro do palácio, recebe o nome de Sala dos Retratos. As suas paredes estão quase totalmente cobertas por uma série de 368 retratos, a maior parte de mulheres vestidas de forma diversa, diferindo na aparência e mesmo na idade, e a maioria deles com um único modelo. Estes foram comprados, em 1764, à viúva do artista italiano P. Rotari, que morreu em São Petersburgo.


f) As capelas laterais


Ao lado do edifício principal do Grande Palácio temos duas capelas, uma de cada lado. 

Igreja de São pedro

g) Os jardins frontais do Grande Palácio





h) Jardim superior


Na parte de trás do Grande Palácio tem um jardim enorme chamado de Jardim Superior.


Jardim Superior do Peterhof - foto de Brian Kinney


h) MontPlaisir


Monplaisir foi o primeiro pavilhão construído por Pedro, o Grande no parque de Peterhof. Era aqui que o Pedro tinha o seu Estúdio Marítimo, do qual podia ver a Ilha de Kronstadt e São Petersburgo.




É o mais elegante dos edifícios construídos no parque. É uma construção baixa, de ladrilho, de linhas muito simples e ladeada por duas galerias fechadas por pequenos pavilhões; o interior é igualmente simples, com salas de boiseries (apainelamentos), painéis lacados e pequenas louças de majólica. A fachada meridional, aligeirada por grandes janelas, dá para um dos ângulos mais belos e retirados de todo o conjunto: um pequeno e silêncioso jardim quadrado, cheio de canteiros floridos, ousadas fontes, esculturas de bronze dourado e repuxos de água que brotam inesperadamente entre os matagais.

É neste pavilhão que se reúne uma parte da rica colecção de arte que Pedro, o Grande foi adquirindo durante as suas viagens ao estrangeiro.

i) Igreja de São Pedro e São Paulo


O trabalho de construção dessa igreja começou em 25 de julho de 1895. A construção foi projetada pelo arquiteto Sultanov, cujos trabalhos incorporavam as tradições da "arquitetura de velha Rússia". Conforme suas próprias palavras "os motivos da fachada foram inspiradospelas formas usadas nas igrejas russas dos séculos 16 e 17, caracterizadas por sua riqueza e beleza. 


Igreja de São Pedro e São Paulo em Peterhof, foto de lladyjane em Shutterstock


A construção constitue uma composição única com muitas camadas, coroada por cinco cúpulas e separada internamente por uma galeria coberta dedicada a procissões religiosas. As paredes exteriores são feitas com tijolos e telhas vitrificadas. 

O interior da Igreja, com três altares, são mavilhosamente decorados. Todas as iconostaes da igreja foram confecionadas com marmore de carrara.

Um processo de restauração foi iniciado em 1975 e em 1989 a igreja foi entregue ao Departamento Diocesano de São Petersburgo. 

III - Referências



Wikipedia - Peterhof; Maior parte do texto sobre Peterhof


http://www.gardenvisit.com/gardens/peterhof-petrodvorets - Texto sobre os jardins

Saint Petersburg - texto de Natalia Popova e Andrei Fedorov (Igreja São Pedro e São Paulo)

Fotos:
HistoriacomGosto: partes externas e outras qdo não houver crédito, 
Sergey Bogomyako  e outros em Shutterstock.com: partes internas e outras conforme créditos 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Marisa Monte e Eça de Queiroz - "Amor I Love You"

I - Eça de Queiroz


"Filho de mãe portuguesa e pai brasileiro, Eça de Queirós nasceu em Portugal. Seus pais, José Maria Teixeira de Queirós e Carolina Augusta Pereira d’Eça só se casaram quando o escritor estava com quase quatro anos. Devido à posição social superior da mãe, a família não aceitava a união.  
Com características realistas, uma de suas obras mais importantes foi “O Crime do Padre Amaro”, publicado em 1875, e “Os Maias”, em 1888. O jovem Eça de Queirós estudou Direito na Universidade de Coimbra, seguindo os passos do pai. Por lá, conheceu o também escritor Antero de Quental e começou a publicar seus textos na revista “Gazeta de Portugal”. Durante o curso, teve relação com o grupo “Escola de Coimbra”, que apresentou o realismo à Portugal. 
Formado em 1866, passou a atuar como advogado e jornalista em Lisboa. Chegou a criar uma publicação, a “Revista de Portugal”. Trabalhou também em diferentes períodicos, como “Gazeta de Portugal”, “Diário Ilustrado”, “Diário de notícias” e “Correspondência de Portugal”. O escritor ainda foi cônsul de Portugal em Havana, Newcastle, Bristol e Paris, onde permaneceu até a sua morte em 1900.
Na vida pessoal, teve quatro filhos com Emília de Castro, com quem se casou quando já tinha 40 anos."
Fonte: educacao.globo.com


II - Primo Basilio


a) Romance


O Primo Basílio é um romance publicado em 1878, e constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX.

O autor, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, volta-se agora para a cidade, a fim de sondar e analisar as mesmas mazelas, desta vez na capital: para tanto, enfoca um lar burguês aparentemente feliz e perfeito, mas com bases falsas e igualmente podres. A criação dessas personagens denuncia e acentua o compromisso de O Primo Basílio com o seu tempo: a obra deve funcionar como arma de combate social. A burguesia — principal consumidora dos romances nessa época — deveria ver-se no romance e nele encontrar seus defeitos analisados objetivamente, para, assim, poder alterar seu comportamento.



As personagens de O Primo Basílio podem ser consideradas o protótipo da futilidade, da ociosidade daquela sociedade.



Resumo do Livro


http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/o-primo-basilio.html


"Jorge e Luísa formam um jovem casal pertencente à burguesia de Lisboa. Convivem com um círculo de amizades formado, entre outros, pelo Conselheiro Acácio, homem apegado a convenções sociais; Dona Felicidade, que nutre uma ardente paixão por ele; e Sebastião, o melhor amigo de Jorge.  
Jorge parte para uma viagem de trabalho. Durante sua ausência, Luísa recebe a visita de um antigo namorado de juventude, seu primo Basílio, residente em Paris. Admirado com a beleza da moça, Basílio envolve Luísa em um jogo de sedução, que faz com que ela se imagine vivendo uma das aventuras amorosas de suas leituras românticas. Eles se tornam amantes, passando a trocar bilhetes e cartas de amor. Luísa encontra estímulo na amiga Leopoldina, mulher casada, colecionadora de casos extraconjugais. Toda a movimentação da casa é observada pela governanta Juliana, sempre às voltas com planos de enriquecimento rápido.  
Juliana (funcionária de Luísa) se apodera de algumas cartas trocadas entre os amantes e passa a chantagear a patroa. Luísa expõe um plano de fuga a Basílio, mas este se recusa a segui-lo e retorna a Paris. 
Jorge chega da viagem e Luísa continua a sofrer o assédio de Juliana, que exige uma grande quantia em dinheiro para devolver-lhe as cartas. Para conter seus ímpetos, Luísa se vê obrigada a conceder à empregada uma série de privilégios.
Jorge se apercebe do que acredita ser desprezo de Juliana pelo trabalho e resolve demiti-la. Juliana exige o dinheiro da chantagem e Luísa apela então para Sebastião. Ele escuta toda a história do adultério e fica horrorizado, mas resolve ajudar a amiga. Vai até a casa de Jorge em um momento em que Juliana está só e, com ameaças de prisão, obtém as cartas. Vendo escapar-lhe o sonho de enriquecimento, Juliana tem uma síncope e morre. Sebastião entrega as cartas a Luísa.  
Luísa adoece. Jorge apanha, em meio à correspondência, uma carta de Basílio. Imaginando que a causa da doença da esposa seja algum problema familiar de cujo conhecimento ela o poupa, Jorge abre a carta. Nela, Basílio relembra os bons momentos passados no Paraíso. Quando a esposa melhora, Jorge lhe mostra a carta de Basílio. Luísa sofre um choque e, alguns dias depois, morre. 

Resumo da Obra - Trechos do Filme

Abaixo publicamos um belo trabalho escolar publicado no Youtube. Estão de parabéns os alunos e professores.

Publicado em 30 de set de 2013

Trabalho Escolar do 3º1

Escola: Profª Magdalena Sanseverino Grosso - Artur Nogueira-SP

Grupo: Tainá Galvão, Bruno Eduardo, Bruno Martins, Mateus Souza, Lucas Menezes

Carregado no Youtube por Taiane G.

           Resumo escolar da obra O Primo Basílio, com trechos do filme produzido 

Filme  


Primo Basílio é um filme brasileiro do gênero drama, dirigido por Daniel Filho, e cuja estreia ocorreu em 10 de agosto de 2007. O roteiro, uma clássica trama de adultério, foi escrito por Euclydes Marinho, baseada no romance O Primo Basílio, de Eça de  Queirós em 1878.  



O filme foi produzido pela Globo Filmes e lançado comercialmente em 6 de março de 2008. O elenco tem como atores principais Gloria Pires, Débora Falabella, Fábio Assunção e Reynaldo Gianecchini. 



Também o mesmo diretor dirigiu a minissérie homônima que foi ao ar pela Rede Globo em 1988.

Minisérie


A minisérie "O Primo Basílio" foi produzida pela Rede Globo e exibida entre 9 de agosto e 2 de setembro de 1988.

Escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères, tendo por base a obra de Eça de Queiroz, e dirigida por Daniel Filho. O elenco era composto por Marcos Paulo, Giulia Gam, Marilia Pera, Tony Ramos, Louise Cardoso e outros. 


Poema incluído na música de Marisa Monte


Declamado por Arnaldo Antunes (retirado de "Primo Basílio"- Eça de Queiroz, 1878):



Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! 

Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, 

e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, 

como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; 

sentia um acréscimo de estima por si mesma, 

e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, 

onde cada hora tinha o seu encanto diferente, 
cada passo conduzia a um êxtase, 
e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!


III - Marisa Monte



Marisa de Azevedo Monte  é uma cantora nascida no Rio de janeiro em 1 de julho de 1967. Ela também compositora, instrumentista e produtora musical brasileira de música pop e samba. Marisa já vendeu mais de 10 milhões de álbuns e ganhou inúmeros prêmios nacionais e internacionais, incluindo quatro Grammy Latino, sete Video Music Brasil, nove Prêmio Multishow de Música Brasileira, cinco APCA e seis Prêmio TIM de Música.  Ela também tem dois álbuns (MM e Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão) na lista dos 100 melhores discos da música brasileira. 





IV - Amor I Love You 


"Amor I Love You" é uma canção da cantora brasileira Marisa Monte, que faz parte do terceiro álbum de estúdio, Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. A canção foi lançada como primeiro e único single do álbum, chegando à segunda posição no Brasil, ocupando a vice-liderança das canções mais tocadas de 2000. "Amor I Love You" foi composta em parceria com Carlinhos Brown, a parte recitada por Arnaldo Antunes é um trecho do livro O Primo Basílio de Eça de Queirós.



"Amor I Love You" ganhou um prêmio no Video Music Brasil na categoria de "Melhor videoclipe de MPB" e recebeu uma indicação ao Grammy Latino, na categoriaMelhor Canção Brasileira. A canção foi tema da novela Laços de Família, sendo tema de Cintia e Pedro.



Amor I Love You (Letra de Carlinhos Brown)


Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pra as paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui
Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor quem está aqui

Amor I love you (4x)



V - Referências


a) Eça de Queiroz - educacao.globo.com e wikipedia

b) Primo Basilio: 

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/o-primo-basilio.html)

Trabalho Escolar do 3º1 - Escola: Profª Magdalena Sanseverino Grosso- Artur Nogueira-SP

filme e minisérie - wikipedia

c) Marisa Monte - 

wikipedia e site oficial


d) Amor I Love You 

youtube: https://www.youtube.com/watch?v=hQuA2x2Qoo4, carregado por nara rodrigues.