terça-feira, 30 de agosto de 2016

Monumento à Carta da Terra - Conferência Continental das Américas

I - A Conferência Continental das Américas 


De 30 de novembro a 3 de dezembro de 1998, foi realizada em Cuiabá a Conferência Continental das Américas. Um evento coordenado entre o Governo do Mato Grosso e o Conselho da Terra.  


A conferência reuniu representantes dos Comitês Nacionais da Carta da Terra e envolveu grupos das Américas, do Caribe e grupos de Povos Indígenas para dialogar acerca do processo da Carta da Terra. 



A conferência teve participação de 100 delegados de mais de 20 países e foi co-patrocinado pelo Conselho da Terra, Governo do Mato Grosso, UNICEF e UNESCO. 


Os objetivos primarios da conferência foram:

  • Reunir os resultados preliminar das consultas da America Latina e America do Norte, compartilhar experiências e debater a síntese dos resultados. 
  • Usar esses resultados para propor um projeto para América Latina e o Caribe da Carta da Terra, que tinha validade regional e reflita como um contributo para a Carta da Terra global 
  • Forular um plano de ação para um movimento de reafirmação ética da região. 
  • Definir estratégias de ação comuns


A cerimônia de Encerramento


Para o encerramento dos trabalhos, os participantes da Conferência viajaram a Salgadeira (Chapada dos Guimarães) nas cercanias de Cuiabá.

Em Salgadeira, os participantes presenciaram um ato de mobilização envolvendo as cfrianças de cerca de 20 escolas. Quatro mil estudantes se uniram de mãos  dadas formando uma cadeia de estudantes e professores ao redor da montanha em um ab raço simbólico da Terra. 




A televisão e os meios de comunicação documentaram o evento para a Carta da Terra. A cerimônia contou também com uma dança indígena, apresentada como a expressão da conexão com outros seres viventes do Planeta.



Em Salgadeira, o Prefeito de Cuiabá apresentou o primeiro monumento à Carta da Terra, o qual foi inaugurado por Maximo Kalaw, Director Executivo do "Consejo de la Tierra", o Profesor Emérito Steven Rockefeller, Diretor do comité redator da Carta da Tierra e Carlos Maldonado, anfitrião da conferência.

II - A escultura comemorativa


A escultura é fortemente baseada no desenho que constava no cartaz da divulgação da Conferência das Américas. Ela é de autoria de Jonas Correa que mora em Quatro Barras, Paraná.

O monumento é um globo terrestre cercado por cinco jovens que representam os continentes da Terra. O autor fez algumas interpretações. O globo é sustentado por um tronco de árvore com os galhos cortados. Esses cortes representam as nações que foram dizimadas. As crianças foram colocadas de costas como um sentido de proteção ao planeta. 

Monumento comemorativo à Conferência Continetnal das Américas,  Jonas Correa, 1998, terminal de salgadeira, MT, 

O monumento foi inaugurado em dezembro de 1998 ao término da Convenção.

III - Terminal da Salgadeira / Chapada dos Guimarães


Placa indicativa de Salgadeira
Outra vista do Monumento

placa comemorativa do Monumento


Visão da  Chapada - Rodovia Cuiabá - Chapada dos Guimarães

Cachoeira Véu de Noiva, Chapada dos Guimarães


IV - Carta da Terra (Wikipedia)






A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada, voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.


Oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

Ela reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis.

O documento é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

A redação da Carta da Terra envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional. Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.


Link para conhecer o texto, prospectos e materiais educativos
http://www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.pdf


V - Referência


- Diário de Cuiabá
Conferencia Continental de las  Américas, Noviembre 30- Diciembre 3, 1998
http://www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.pdf
- Site do Ministério de Meio Ambiente:
 http://www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.pdf


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

As "Anunciações" de Fra Angelico

1. - Fra Angelico






Giovanni da Fiesole, nascido Guido di Pietro Trosini, mais conhecido como Fra Angelico, (Vicchio di Mugello, 1395 — Roma, 18 de Fevereiro de 1455) foi um pintor italiano, beatificado pela Igreja Católica, considerado o artista mais importante da península na época do Gótico Tardio ao início do Renascimento.



O papa João Paulo II, em 1982, indicou sua festa litúrgica para o dia de sua morte e dois anos depois, o mesmo pontífice declarou-o "Padroeiro Universal dos Artistas"



Ele também é chamado Beato Angelico, fra Giovanni ou fra Giovanni da Fiesole (fra é italiano para frei) por ter ingressado primeiro na Congregação de São Nicolau, em 1417, e passados três anos no convento dominicano de Fiesole.



Ao ingressar no convento já tinha recebido treinamento artístico. Em 1436 ele e a comunidade se deslocaram para o convento de São Marcos, em Florença, onde começou a pintar as paredes. 

Em 1447 e 1448 esteve em Roma, e de novo em 1452, trabalhando na corte do papa, decorando as paredes da capela do Papa Nicolau V, no Vaticano e aceitando encomendas em Orvieto. 

Prior do Convento de Fiesole entre 1448 e 1450, continuou a trabalhar em Roma e Florença.

Obs: Algumas obras citam como data de nascimento de Fra Angelico 1384, 1387 e outras 1395. Estou adotando a da wikipedia italiana como sendo a de 1395.


A arte de Fra Angelico (Graça Proença - A História da Arte)


"Embora Fra Angelico siga os princípios renascentistas da perspectiva e da correspondencia entre luz e sombra, sua pintura está impregnada de sentido místico. O ser humano representado em sua obra não parece manifestar angústia ou inquietação diante do mundo, mas serenidade, pois se reconhece como submisso à vontade de Deus."



2. - A Anunciação, Fra Angelico, 1435 - Quadro Museu do Prado, Madrid


Fra Angélico pintou várias versões da Anunciação. Neste quadro, possivelmente o terceiro deles, ele mostra o verdadeiro significado desse evento para os cristãos crentes.

No quadro, à esquerda da arcada, um anjo dirige Adão e Eva para fora do Paraíso, enquanto o Anjo da Anunciação trasmite sua poderosa mensagem para a Virgem Maria.

Fra Angélico era um frade dominicano e pintou esse quadro como um retábulo para a igreja da Abadia de Fiesole, próximo a Florença.


Anunciação de Fra Angelico





Detalhes da pintura

Adão e Eva


O advento do Cristo que o anjo vem anunciar, significa salvação do pecado cometido por  Adão e Eva quando eles comeram do fruto proibido.



Fra Angelico combinou as duas cenas com sentido didático. A antiga aliança entre Deus e a humanidade foi quebrada mas agora será renovada pela vinda de Jesus Cristo.






Maria

Maria na postura de oração e com o livro sagrado no seu joelho, mostra ser um modelo de humildade reforçada pela sala simples em que se encontra. O Evangelho de Lucas no diz que ela está expressando sua disponibilidade para servir: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a sua vontade".


Arcada e Jardim



A arcada na qual Maria está sentada reflete o estilo de arquitetura Florentino
Arcada 
Muitas flores são associadas com Maria e portanto elas aparecem em abundancia em cenas como a Anunicação.
Jardim




Símbolos divinos

Deus pai
As  Mãos e a fonte de luz
Espírito Santo

Deus todo poderoso e fonte de toda luz envia o Espírito Santo na forma de uma pomba. No mesmo momento em que o Cristo é anunciado e aceito por Maria ela fica milagrosamente grávida. As imagens estão representadas na pintura.

3. - Outras versões e obras de Fra Angelico


"Tecnicamente Fra Angelico pode ser considerado um pintor da primeira Renascença; do ponto de vista espiritual, contudo, é um filho da Idade Média. Esse artista, que o povo denominou Beato antes que a igreja ratificasse o título, buscou em suas obras prolongar o ideal religioso dos séculos anteriores, já abalado pelo aparecimento dos primeiros humanistas.



Entre suas obras principais estão o "Retábulo da Madona", em Perugia; a "Coroação da Virgem cercada por anjos músicos" (Louvre, Paris); o "Cristo cercado de anjos, patriarcas, santos e mártires" (National Gallery, Londres); a "Anunciação" (Prado, Madri); e o "Juízo final" (Galeria Nacional, Roma).



Quem quiser penetrar no âmago da pintura de fra Angelico deve visitar o convento de São Marcos em Florença, hoje museu; ali verá, além das cenas religiosas executadas num período de 17 anos nas diversas celas e a "Grande Anunciação", outras vinte obras do artista, ilustrações de trechos do Evangelho e de episódios da Legenda áurea. "

Comentários do site http://www.pitoresco.com/italiana/fra_angelico.htm em itálico e sublinhado, adaptação do blog. 

Além das citadas as Anunciações de Cortona e Valdano, ajudam a conhecer a obra desse fantástico pintor religioso.


3.1 - As anunciações de  Cortona e Valdano


Cortona (~1430)

A  Anunciação de Cortona é uma pintura de Fra Angelico ( têmpera sobre tela , 175x180 cm), preservado no Museu Diocesano de Cortona e datado de 1430 ou assim. O trabalho é, provavelmente, o primeiro de uma série de três grandes quadros de ' Anunciação pintados por Angelico na década de trinta do século XV; os outros dois são a " Anunciação do Prado e a  Anunciação de San Giovanni Valdarno .

Valdano (~1432):

A  Anunciação de San Giovanni Valdarno é uma obra de Fra Angelico ( têmpera sobre tela , 195x158 cm) preservada no Museu da Basílica de Santa Maria delle Grazie , em San Giovanni Valdarno a ser datada do início dos anos trinta do século XV, talvez em 1432 . O trabalho é, provavelmente, o segundo de uma série de três grandes placas de ' Anunciação pintada por Angelico na década de trinta do século XV; os outros dois são a " Anunciação do Cortona e da" Anunciação do Museu do Prado .





Anunciação de Cortona
Anunciação de Valdano


3.2 - A Anunciação no Convento de São Marcos (1437 - 1446)


Esse quadro da Anunciação (em italiano, Annunciazione), é uma das anunciações realizadas por Fra Angélico. Foi criada utilizando a técnica afresco e pintada entre 1437 e 1446 para o Convento de São Marcos, em Florença, atualmente convertido em Museu Nacional de São Marcos.



No convento florentino de São Marcos ele realizou suas melhores pinturas afresco entre 1438 e 1445.

Anunciação, Fra Angelico, Convento de São Marcos




4. - Referências


Wikipedia: Fra Angelico e quadros da Anunciação

Texto sobre detalhes da Pintura: How to read a painting - Patrick de Hinck - Editora Thames e Hudson

Fra Angelico: http://www.pitoresco.com/italiana/fra_angelico.htm

A História da Arte: Graça Proença, editora Atica

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, Congonhas - Obra-prima de Aleijadinho

1. - A devoção do Bom Jesus do Matosinhos


A origem dessa devoção teve origem em Portugal, com a descoberta de uma imagem do Cristo crucificado aparecendo nas margens da praia de Matosinhos. Atribuiu-se que a imagem teria sido feito por Nicodemos, que assistiu a crucificação de Jesus, e que posteriormente a teria jogado ao mar fugindo de perseguições. 

A imagem foi colocada inicialmente no mosteiro local e logo depois, com o desenvolvimento rápido de uma forte devoção,  foi construída, em 1559,  uma igreja especial para ela. 




No Brasil, a devoção se deu com a vinda dos colonizadores portugueses mas também teve logo grande difusão. Cerca de 23 cidades foram fundadas sob as bençãos do Bom Jesus de Matosinhos. No período colonial, quando ficou pronta a Igreja, ela tornou-se o centro da maior peregrinação religiosa da época.


1.1 - A Construção do Santuário em Congonhas


"Coube ao português Feliciano Mendes, acometido por uma enfermidade incurável à época, realizar uma promessa a Bom Jesus de Matosinhos: caso se curasse, fundaria uma irmandade em Congonhas semelhante à do Norte de Portugal. Ele havia desbravado anos antes aquelas terras na Região Central de Minas e descoberto ouro. A doença veio junto com seu enriquecimento. Felizmente sua promessa surtiu efeito positivo. 

Como forma de gratidão, ele dedicou o resto da vida a fundar, naquele vilarejo, não só a irmandade a Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas do Campo, como cuidou pessoalmente de angariar recursos para construção de uma igreja monumental no pico de uma das colinas mais altas do lugar, incluindo os Passos da Paixão com as 66 figuras em cedro e os 12 profetas em pedra-sabão. 

Para a missão chamou Aleijadinho, o maior artista daqueles tempos. Desde 1780, aquela irmandade passou a organizar e promover a romaria e os jubileus atraindo, sempre em setembro, milhares de peregrinos. 

Iniciando os seus trabalhos em 1796, na ladeira em frente à Igreja Aleijadinho construiu seis capelas, três de cada lado, com cenas da Paixão de Cristo. Dentro de cada uma delas um conjunto de esculturas em cedro em tamanho natural representa uma cena da Paixão de Cristo. O trabalho de Aleijadinho foi concluído em 1799.

Entre 1800 e 1805, Aleijadinho confeccionou as 12 esculturas em pedra sabão representando os Profetas para serem colocadas no Adro da Igreja. Cada uma das esculturas está colocada em posições diferentes e com movimentos de mãos em que parecem esta se comunicando. 

Por fim a Igreja com uma só porta de entrada, duas janelas e um interior claro e bem decorado." (Estado de Minas - www.em.com.br)

A construção completa foi feita em etapas e foi realizada de 1757 a 1875. Em 1939 o Santuário foi tombado pelo patrimônio histórico nacional e em 1985 foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

2. - O Projeto de Aleijadinho para o Santuário


2.1 - O caminho do calvário


"Aleijadinho fez 66 esculturas em cedro em tamanho natural para representar os passos da Paixão de Cristo. Fugindo da clássica representação da Santa ceia, difundida pela pintura de Leonardo da Vinci em MIlão, Aleijadinho montou um cenário com uma mesa redonda, diferente da ratangulas do artista italiano. Na arte barroca / rococó as formas curvas são mais usadas e nosso artista mineiro dispões os apóstolos em semi círculos." (Percival Tirapeli - Arte Brasileira / arte colonial)

Santa Ceia


Santa Ceia - Via Sacra, Bom Jesus do Matosinhos - Obra de Aleijadinho

"As mão em diversas posições são importantes pois além do olhar da cabeça, enfatizam as linhas de múltiplas direções. O Cristo fica no centro da composição e, com olhar sereno e lábios entreabertos, anuncia que um dos apóstolos irá traí-lo. Consola-o São João. As cabeças voltadas umas para outras denunciam a surpresa, que também está nos olhares. Sobre a mesa, um leitão assado para a ceia , em vez do tradicional pão. Dois porta-pratos e uma pintura de falsa janela no centro, acima do Cristo, completam o cenário. A pintura da pele dos apóstolos e do Cristo - chamada de carnação - e das vestes foi feita por mestre Ataíde."  (Percival Tirapeli - Arte Brasileira / arte colonial)

A prisão: Características



Jesus é preso no Monte das Oliveiras
Capela dupla para evitar construções de número ímpar


Características dos rostos goticizantes do Cristo: Os cabelos na testa, formando um duplo parênteses flamejante, o desenho do bigode sobre o lábio superior, também em parênteses, o contorno externo dos mesmos bigodes, acidentado por saliências espinhosas; os dois rolos, que constituem a barba, frisados a ferro; os cabelos espalhados em cachos e volutas. (Acervo Digital UNESP - Bazin, p. 259.) 

Os soldados romanos por serem maus vistos, deveriam ser caricatos, com saiotes para serem ridicularizados a exemplo das apresentações medievais em praça pública. O queixo e a ponta do nariz são proeminentes, as sobrancelhas frisadas rimando com o capacete e o rosto mascarado. (Prof Percival Tirapeli - Acervo digital UNESP)


Cristo carregando a cruz

Cristo carregando a cruz - Santuário Bom Jesus de Matosinhos - Obra de Aleijadinho

"Jesus carregando a Cruz às costas – tropeça, observado pelas Santas Mulheres ou filhas de Jerusalém, uma com rosto que parece o Anjo da Paixão. Trajes recordando as figuras de presépios de barro dos fins do século XVIII. Maravilhosa figura do Cristo, expressão horrorizada do rosto, dedos tensos, pernas sangrentas, rosto do soldado ao fundo é a caricatura do rosto do Cristo, sempre na tradição portuguesa. Feitos pelo Aleijadinho o Cristo e a mulher que enxuga as lágrimas com o lenço." (Arteclassicaeterna-Prof Mundim / Crônicas macaense).



A crucificação de Jesus


Cristo sendo crucificado - Santuário Bom Jesus de Matosinhos - Obra de Aleijadinho

"A crucifixão mostra a grande vítima em holocausto. Faltaria o brio das outras? As figuras separadamente sim, o conjunto não. Nas cabeças do Cristo, o Aleijadinho é sempre um escultor do século XVIII: cabelos simplesmente divididos, lábios delicados, entreabertos, superfície terna da carne, são todos de sua mão – embora discípulos devam ter esculpido outras figuras." (Arteclassicaeterna - Prof Mundim, Crônicas Macaense)


2.2 - Os doze profetas




As doze esculturas dos profetas no adro do santuário de Congonhas, de pedra-sabão, estão colocadas de maneira que se relacionem e cumpram a função de convidar o fiel a subir as escadarias e ouvir a palavra divina da qual são os mensageiros.

Suas vestimentas lembram as figuras bíblicas que viveram na longínqua Terra Santa, com turbantes à maneira turca e longos mantos ricamente ornados. As esculturas revelam traços característicos da arte de Aleijadinho: magníficas cabeleiras, olhos oblíquos orientais, além de minuciosos e bem cuidados ornatos das vestes e citações latinas nos filactério (rolos bíblicos). (Museu USP -mc.prceu.usp.br/aleijadinho/)



Isaías



Na parte inferior, logo à entrada, à esquerda de quem sobe, sobre pilastra misulada, fica o profeta Isaias, que anuncia a palavra de Deus, tendo na boca uma brasa ardente.

Profeta da fé e justiça política, viveu em Jerusalém na segunda metade do século VIII a.C.. Isaias recebe os fiéis na escadaria de convite do santuário. Ele é o primeiro da lista da Vulgata (textos sagrados traduzidos para compreensão popular), pois é o mais importante e autor do primeiro livro dos profetas. 

Muito conhecido tanto no Antigo como no Novo Testamento – neste último, ele é citado mais de oitenta vezes. Viveu em Jerusalém no século VIII a.C., nos reinados de Achab e Ezequias. Foi o responsável por manter a esperança e fé de que um dia a salvação chegaria por meio do Messias, e por isso mesmo profetizou a anunciação à Virgem Maria e o nascimento de Cristo (estas profecias estão nas cenas pictóricas dentro da basílica). (Museu USP -mc.prceu.usp.br/aleijadinho/)



Jeremias / Ezequiel / Baruc

Do lado oposto, Jeremias, também sobre pilastra igualmente trabalhada, com a pena na mão esquerda, simbolizando a escrita profética.

Simetricamente, está Ezequiel, com o braço esquerdo levantado e suavemente inclinado, convidando o peregrino a prosseguir no caminho. 

Do outro lado, Baruc, profeta menor, é o mais jovem de todos. 

Daniel

Daniel - Obra de Aleijadinho






Daniel, considerado a obra-prima de Aleijadinho, inspirado num trabalho do pintor renascentista Rafael de Sanzio, tem como atributo iconográfico o leão com o qual permaneceu em uma cova.


Daniel é o único profeta esculpido em um bloco único de pedra sabão. Os outros são em dois blocos.

Daniel – significa Deus é meu juiz – é um dos quatro profetas maiores que viveu dois extremos na vida: foi prestigiado pelos governantes pelo fato de interpretar sonhos, e cativo quando desterrado para a Babilônia. A inveja de seus inimigos levou-o a ser jogado vivo em uma cova com leões.
Ainda jovem foi levado para a Babilônia, durante o reinado de Nabucodonosor. Lá no cativeiro interpretou o sonho do rei sobre os quatro reinos que viriam sobre a terra; o último, o de Deus, não seria destruído.




Oséias / Jonas /  Joel


Oséias

Do lado contrário fica Oséias, barba encaracolada, a pena à destra. 

Viveu em Israel no século VIII A.C., depois do profeta Amós; pouco se sabe de sua vida, a não ser que se casou com uma adúltera. 

Jonas

Mais para a esquerda, no mesmo parapeito, Jonas recebe do céu a divina inspiração que o profeta precisa para a pregação. Tendo ficado no ventre da baleia, o artista coloca o jorro de água sobre as vestes e uma espécie de golfinho a seus pés. 

Do lado oposto, Joel. 





Amós / Naum / Habacuc


Amós

No parapeito superior, à esquerda de quem entra, fica Amós. 


Amós era de família humilde de pastores. Viveu por volta de 760 A.C. e foi contemporâneo dos profetas Isaias e Oseias. É um dos doze profetas maiores e sua pregação com palavras diretas e simples denunciou a riqueza excessiva dos ricos e a miséria dos pobres. Pregou ainda contra o próprio povo que, perdido no luxo, esquecera que era o povo escolhido e por isso mesmo merecia o castigo como as nações pagãs.


Simetricamente, no extremo oposto, vê-se Naum, velho, sereno. 

Ainda no parapeito superior, bem fronteiro à igreja, à esquerda de quem entra, está colocado Abdias, que aponta o céu exortando o povo a ouvir as profecias. 



Do lado oposto, Habacuc também mostra o céu, completando a gestualidade que une a todos os profetas como que orquestrados pelo cinzel do gênio. 


Todo o Texto sobre os Profetas=> (Museu USP -mc.prceu.usp.br/aleijadinho/)



Visão geral




2.3 - A igreja de Bom Jesus


A construção do santuário começou em meados do século XVIII (1757 – 1778). A fachada da igreja é provida de cunhais, pilastras, cimalha e guarnições de pedra. 

A igreja tem fachada simples, com apenas uma entrada, duas janelas do coro, duas torres sineiras e um triangulo frontão com as curvas e portada rococós.

O frontão tem curvas graciosas guarnecidas de pedra. No interior, sobre o trono, a imagem de Jesus Crucificado e, no altar mor , obra de João Antunes de Carvalho (1769 – 1775) dois anjos tocheiros esculpidos por Francisco Vieira Servas.



Interior da Igreja



Vista do Altar - Igreja do Santuário Bom Jesus do Matosinhos - foto Museu de Congonhas



Vista do Teto  e do Coro da  Igreja do Santuário Bom Jesus do Matosinhos - foto Museu de Congonhas

Os altares laterais têm geralmente consolo em lugar de colunas, na parte superior há anjos esculpidos. Na capela-mor , e por toda a nave , há vários painéis representando cenas bíblicas. Também nos tetos do prebistério e do corpo da igreja há variadas pinturas em perspectiva de artistas como João Nepomuceno Correia Castro (1778 – 1787), retocadas por Manoel da Costa Ataíde. (Museu USP -mc.prceu.usp.br/aleijadinho/)



3. - O Museu de Congonhas


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO no Brasil), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura de Congonhas inauguraram em 15 de dezembro, de 2015, um dos mais importantes projetos de preservação da memória do país: o Museu de Congonhas. 

A instituição chega ao público com a missão de potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, sítio histórico que, desde 1985, tem o título de Patrimônio Cultural Mundial. A inauguração integra as comemorações dos 30 anos do título e dos 70 anos de existência da UNESCO.


 Museu


Salão Principal





Visão geral da sala principal


Ex-votos




O ex-voto (do latim: Por força de uma promessa, de um voto; ou a abreviação de ex-voto suscepto - o voto realizado é o presente dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa. 

As expressões votivas são tradicionalmente reconhecidas sob as formas de pinturas ou desenhos, figuras esculpidas em madeira, modeladas em argila ou moldadas em cera, muitas vezes representando partes do corpo que estavam adoecidas e foram curadas. 

Comumente são representados como placas com inscrições, manuscritos em papel ou como objetos de uso cotidiano, ressignificados no contexto religioso. (Wikipedia)





A exposição permanente que inaugura o Museu de Congonhas, cuja curadoria é assinada pelos museólogos Letícia Julião e Rene Lommez, trata das manifestações da fé no passado e no presente, em particular, o sentido de exteriorização da devoção projetado na monumentalidade teatral do espaço do Santuário, nas práticas da romaria e nos ex-votos. 




Cópias de Salvaguarda


As cópias são uma medida de segurança essencial para se reproduzir as peças em caso de danos irreversíveis aos originais. Os profetas de Congonhas tinham moldes feitos em várias épocas, em especial nas décadas de 1970 a 1980, os quais não apresentam mais as condições necessárias à reprodução. Para dois profetas – Joel e Daniel – foram produzidos novos moldes em fôrma flexível de silicone, possibilitando a produção de cópias em gesso. A produção das demais cópias deverá fazer parte do escopo de atuação do próprio Museu. Os 12 profetas foram moldados em meio eletrônico (digitalização em 3D), o que correspondeu à primeira aplicação dessa tecnologia no Brasil. 

A ação também foi coordenada pela UNESCO no Brasil, que contratou o Grupo IMAGO, da Universidade Federal do Paraná, instituição de excelência que detém a expertise exigida para o trabalho. A digitalização em 3D possibilita, dentre outros, a visualização pura e simples (no Museu ou remotamente pela internet), o uso profissional na preservação e restauro das obras; o monitoramento do estado de conservação das peças frente à ação do tempo; o estudo minucioso da obra e a compreensão das técnicas utilizadas pelo artista; e, finalmente a produção de réplica com grande precisão. (Portal do Iphan)




4. - Referências


a) Arte Brasileira / arte colonial - Percival Tirapeli
b) Estado de Minas - www.em.com.br
c) Wikipedia - Santuario Bom Jesus de Matosinhos / Ex-voto
d) Fotos e Notas de HistoriacomGosto
e) Acervo Digital UNESP - Prof Percival Tirapeli - http://www.acervodigital.unesp.br/bitstream/unesp/141151/1/aleijadinho_escultor.pdf
f) Crônicas Macaense: - https://cronicasmacaenses.com/2013/04/19/a-via-sacra-do-santuario-do-bom-jesus-de-matosinhos-em-congonhas-minas-gerais/
g) Museu de Congonhas - Portal do Iphan
h) arteclassicaeterna - http://arteclassicaeterna.blogspot.com.br/2015/09/aleijadinho-via-sacra-do-santuario-do.html
i) Explorando os doze profetas de Aleijadinho - Museu da USP - mc.prceu.usp.br/aleijadinho/