sexta-feira, 20 de maio de 2016

Castelos do Vale do Loire I

I - O Vale do Loire I



O Loire é o maior rio da França, com um comprimento de 1006 km. Sua origem está localizada na encosta sul do Monte Gerbier-de-ponta, sudeste do Maciço Central, no departamento de Ardèche. Sua foz ao Oceano Atlântico é no departamento de Loire-Atlantique, no oeste da região Pays de la Loire. Seu curso é inteiramente na França conforme mostrado no mapa abaixo.

O Loire determina duas grandes regiões na França: A região Centre - Val de Loire e a região País do Loire.

A região marcada no retangulo vermelho ficou sendo a mais conhecida  devido ao seu grande potencial histórico e turístico.


O Rio Real e os Castelos do fim do século XV no  período do Renascimento

Os 280 km do Vale do Loire localizado entre Sully-sur-Loire e Chalonnes-sur-Loire foram classificadas em 2000 pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. 

O Loire é por vezes apelidado de "rio real" pelo grande número de castelos que o margeiam, tendo sido muitos deles castelos reais: Exemplos são o castelo de Chaumont com vista para o Loire, na margem esquerda, o castelo de Amboise construída na confluência do Loire com o Hoard, o castelo de Azay-le-Rideau, o castelo de Chinon , o Château de Montsoreau  e muitos outros.




                          Mapa feito por Kmusser em wikimedia commons



II - Cidade de Tours - Base para exploração


Tours é a maior cidade da região Centre-Val de Loire com cerca de 130.000 habitantes (2013) na cidade própriamente e em torno de 300.000 habitantes no distrito. Tours é a sede da Prefitura do departamento Indre et Loire e é a mais central para fazer uma boa exploração dos castelos da região. Tours fica a 01 hora de Paris utilizando-se o sistema do TGV.  A cidade tem uma boa estrutura de hotéis, restaurantes e agencias de turismo. É ainda uma cidade agradável com pontos interessantes de visitação.

       Centro Histórico - foto de Dadavidov em http://www.tourisme-en-france.com/fr

Observação 1: Não é aconselhado fazer as visitas aos castelos em um só dia. O ideal é dividir a região e fazer a visita em pelo menos três dias para ter bastante tempo para apreciá-los.

Observação 2: Outra alternativa de hospedagem é ficar nas pequenas cidades ao redor de Torus onde existem muitos pensões do tipo "bed and breakfast (cama e café)" que são muito charmosas.

III - Castelo de Chenonceau 


Conhecido como o Castelo das Damas, Chenonceau foi construído, adaptado e expandido por mulheres de temperamentos diferentes mas cada uma importante em sua época.

Catherine Briçonnet

Na segunda metade do século XV, Jean Marques II solicita ao Rei  Charles VII autorização para construir um castelo na região, sendo por esse atendido. O castelo foi construído de uma forma simples em estilo medieval. O Castelo foi adquirido posteriormente por Thomas Bohier que delegou à sua esposa Catherine Briçonnet a tarefa de reformá-lo. Catherine o transforma num castelo renascentista terminando suas obras em 1512.

Após a morte de Thomas e posteriormente de sua esposa, o reino da França faz uma auditoria nas contas de Thomas e aplica uma severa multa aos herdeiros acusando Thomas de Peculato. Nas negociações o castelo de Chenonceau é transferido para propriedade real de Francois I em 1535. O castelo estava meio abandonado devido às condições financeiras dos Bohier.

Diane de Poitiers


Três meses após a morte de Henri I em 1547, o seu filho Henri II oferece Chenonceau a sua favorita Diane de Poitiers , duquesa de Valentinois e jovem viúva do velho marechal Breze.


Diane de Poitiers fez providenciar, na margem direita do Cher , o jardim que leva seu nome. Na Primavera de 1551, esta área de dois hectares é protegida contra inundações por um dique. O terreno é cercado por fossos, reforçado com paredes de pedra, e suportada por pilares de alvenaria.



De 1556 a 1559, por solicitação de Diana Poitiers foi realizada a tarefa de construir uma ponte que liga o castelo para o lado esquerdo, a fim de criar novos jardins e acesso à caças maiores. O rei Henrique II faleceu em julho de 1559 antes da finalização da ponte.



                           Castelo de Chenonceau -  foto de @Mocav em fotolia.com


Catherine de Médicis


Com a morte de Henrique II, sua esposa a Rainha Catherine de Médicis, forçou  Diane Poitier a devolver o castelo de Chenonceau para a coroa francesa e aceitar em troca o Castelo de Chaurmont-sur-Loire, que ficava entre Blois e Amboise. 

Catherine de Médicis decidiu então embelezar Chenonceau e criar o seu próprio jardim, que permanece até hoje. Ela tinha planos de expandir enormemente Chenonceau, mas devido à dificuldades financeiras, esses planos acabaram não se concretizando;



Parte Interna do Castelo de Chenonceau

           foto de NaughtyNut / Shutterstock.com                   foto de Pigprox / Shutterstock.com


Outras Damas de Chenonceau:

Após a morte de seu marido Henrique III,  Louise de Lorraine, a Rainha Branca, converte Chenonceau em um lugar de contemplação. Em seguida, ele é salvo da destruição por Louise Dupin durante a Revolução Francesa e, finalmente, recebe uma restauração completa pela Sra. Pelouze em 1863. O castelo foi comprado pela família Menier em 1913 que são os seus donos até os dias atuais.


IV - Amboise



O Castelo de Amboise foi iniciado no século XI, quando o Conde de Anjou, reconstruiu a fortaleza em pedra numa colina com vista para o Loire de forma a controlar o estratégico vale.   



O castelo, como todos os outros, foi ampliado e melhorado ao longo do tempo. No dia 4 de Setembro de 1434, o edifício foi confiscado e adicionado por Carlos VII aos bens da Coroa, depois que seu proprietário, Louis d'Amboise  foi acusado de conspiração contra Luís XI e executado em 1431. 



Uma vez nas mãos Reais, o castelo tornou-se um dos favoritos dos reis franceses; Carlos VIII de França, que aqui nasceu e faleceu, decidiu fazer extensas reconstruções, começadas em 1492 ao estilo do gótico flamboyant francês tardio e, depois de 1495 empregou dois mestres pedreiros italianos, Domenico da Cortona e Fra Giocondo, os quais providenciaram para Amboise alguns dos primeiros motivos decorativos renascentista .  

  iv.1 - Castelo de Amboise



                                   Castelo de Amboisefoto de @PROMA em fotolia.com
São deste período:

Capela de Saint-Hubert. foto de Claudev8 em wikimedia commons

  • capela de Saint-Hubert, situada no exterior do corpo do castelo, e a decoração, de arquitectura gótica flamboyant.  Inicialmente, esta capela fazia parte integrante do castelo, mas agora só existe a capela que contém o túmulo de Leonardo da Vinci;
  • A ala Carlos VIII, também de estilo gótico flamboyant, que compreende os alojamentos do rei e da rainha;
  • A ala Luís XII, de estilo renascentista italiano, onde estão os alojamentos do século XIX;
  • As duas torres dos cavaleiros (Torre dos Mínimos e Torre Heurtault) - rampas cobertas que permitiam o fácil acesso dos cavalos e das carruagens, desde o nível do rio Loire até ao plano do castelo;
  • O parque no terraço, onde se encontra um busto de Leonardo da Vinci e um memorial muçulmano para os acompanhantes do teólogo Abd El Kader, falecidos em Amboise durante o seu cativeiro.

No início do século XVII, o gigantesco edifício estava abandonado quando passou para as mãos de Gastão de Orleães, o irmão do Rei Bourbon Luís XIII. Durante a Revolução Francesa, a maior parte do castelo foi demolida.
Rei Luís Filipe herdou o castelo da sua mãe, tendo começado a restaurá-lo. No entanto, com a sua abdicação, em 1848, o castelo foi confiscado pelo governo.
Já no século XX, durante a invasão nazista, em 1940, o castelo foi seriamente danificado.
Desde 1840, o Castelo de Amboise está classificado como Monumento Histórico (monument historique) pelo Ministério Francês da Cultura. Hoje em dia, o actual Conde de Paris, descendente de Luís Filipe, repara e conserva o castelo através da Fundação Saint-Louis.

            Castelo de Amboise -  foto de NaughtyNut em Shutterstock.com           foto de S74 / Shutterstock.com


  iv.2 - Clos Lucé


O chateau Clos Lucé, antigamente conhecido como Cloux, é uma mansão localizada na cidade de Amboise, no vale do Loire na França.

Construído em meados do século XV, foi adquirido em 1490 pelo rei Carlos VIII da França para sua esposa, Ana da Bretanha.

Em 1516, Francisco I convidou Leonardo da Vinci para visitá-lo em Amboise e emprestou-lhe Clos Lucé como um lugar para ficar e trabalhar. Leonardo, um visitor e pintor famoso, chegou com tres das suas pinturas: Mona Lisa, SantAna, e São João Batista.






Leonardo viveu em Clos Lucé durante os últimos anos da sua vida, até à sua morte, ocrrida no dia 02 de Maio de 1519. Diz-se que o solar está ligado por uma passagem subterranea ao Castelo de Amboise, do qual dista 500 metros, para permitir que o soberano visitasse o homem de ciência com toda a discrição. 

Atualmente, Clos Lucé pertence à família Saint Bris e alberga um museu, o qual reflete a prestigiosa história da região e inclui diversos modelos das várias máquinas desenhadas por Leonardo. 


           foto de Pecold em Shutterstock.com                  foto de Pecold em Shutterstock.com

V - Chambord




O Castelo de Chambord, é um dos mais conhecidos castelos do mundo devido à sua distinta arquitetura em estilo Renascentista francês que combina as formas medievais francesas tradicionais com as estruturas clássicas italianas. 



Embora seja o maior palácio do vale do rio Loire, foi construído apenas para servir de pavilhão de caça para Francisco I de França, que mantinha a sua residência no Château de Blois e no Château d'Amboise. O projeto original do Château de Chambord é atribuído, apesar de várias dúvidas, a Domenico da Cortona, cujos modelos de madeira sobreviveram tempo suficiente para serem traçados por André Félibien, no século XVII. Alguns autores, de qualquer forma, afirmam que o arquitecto renascentista francês Philibert Delorme teve um papel considerável no desenho do palácio.  Chambord foi alterado consideravelmente ao longo do tempo que durou a sua construção (1519  ‑ 1547), período durante o qual foi supervisionado in loco por Pierre Neveu.



Em 1913, Marcel Reymond fez a primeira sugestão de que Leonardo da Vinci, um convidado do rei Francisco I, em Clos Lucé próximo de Amboise, foi responsável pelo desenho original. A alegação é que Chambord reflete os planos de Leonardo para um château em Romorantin para a Rainha-mãe. A engenhosidade da escadaria em dupla-hélice é uma das justificativas. A discussão ainda não está concluida. 



Próximo do final da obra, o Rei Francisco I exibiu o seu enorme símbolo de poder e riqueza, ao convidar o seu velho inimigo, o imperador Carlos V, para Chambord.



                            foto do Castelo de Chambord de @Pierre Violet em fotolia.com


O interior do Castelo de Chambord




     foto de Tomsickova Tatyana / Shutterstock.com             foto de NaughtyNut em Shutterstock.com

VI - Referências 

Textos:
- Wikipedia, português e francês sobre o Val de Loire e os seus  castelos

Fotos:

- Visitei o Val do Loire em 1998. Na época as minhas fotografias não eram ainda digitais, por isso uso fotos adquiridas dos sites fotolia e shutterstock para melhor ilustrar. 




Nenhum comentário:

Postar um comentário