segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Grande Queima de Livros de Berlim

I - Ideologia Nazista


Em 1933, Joseph Goebbels, ministro nazista da Propaganda e de Esclarecimento do Povo, criou uma iniciativa para alinhar as artes e a cultura alemãs com os objetivos nazistas. O governo desativou tanto as organizações culturais judaicas quanto as de outros grupos acusados de serem politicamente suspeitos, ou que realizavam ou criavam obras de arte que os nazistas classificavam como "degeneradas". Os estudantes das universidades alemãs estavam na vanguarda do movimento nazista. Com o final da Primeira Guerra Mundial, muitos estudantes se opuseram à República de Weimar (1919-1933), encontrando no Nacional Socialismo [OBS: nazismo] um veículo ideal para expressar seu descontentamento e hostilidade contra o sistema político. (Holocaust Museum)

II - Queima de Livros

      Praça da Ópera / Universidade Humboldt -foto Bundesarchiv, Bild 102-14597 / Georg Pahl / CC-BY-SA 3.0


Em 6 de abril de 1933, a Associação Nazista Estudantil Alemã divulgou nacionalmente um "Ato contra o Espírito Não Germânico", o qual culminou em uma “ “depuração“ ou "limpeza" literária pelo fogo. Em um ato simbólico de envergadura profética, em 10 de maio de 1933 os estudantes universitários atearam fogo em mais de 25.000 livros por eles considerados "não alemães", pressagiando uma era de censura política e de controle cultural nazista sobre toda a população. Naquela noite, estudantes de direita, em trinta e quatro cidades universitárias na Alemanha, marcharam à luz de tochas em desfiles organizados para protestar "contra o espírito não alemão". O script cerimonial, escrito pelos estudantes, pedia que oficiais nazistas do alto escalão, professores universitários, reitores e líderes estudantis discursassem para os participantes e espectadores. Nos locais de reunião, os estudantes lançavam em fogueiras os livros "indesejáveis", em grandiosas cerimonias, sob o som de bandas de música e com "juramentos de fogo" [OBS: de fidelidade ao regime nazista]. Em Berlim, cerca de 40.000 pessoas se reuniram para ouvir pessoalmente o discurso de Joseph Goebbels.
                           
                                   Praça da Ópera em frente da Universidade Humboldt

III - Discurso de Goebbels em Berlim


O site Enciclópedia do Holocausto, propriedade do "United States Memorial Holcaust Museum"  traz ótimos textos e o discurso de Goebels nessa data, com as legendas em Inglês. A tradução do discurso em português, feita peo site,  está mostrada abaixo.

Site: https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007978



video
                                             filme propriedade do Holocaust Museum

O discurso de Goebels


"Meus compatriotas, estudantes, homens e mulheres alemães, a era do intelectualismo judeu chegou ao fim. O triunfo da revolução alemã abriu um caminho para o estilo alemão; e os futuros alemães não serão apenas homens de livros, mas homens de caráter, e é para este fim que queremos educá-los. Para que tenham, desde a mais tenra infância, a coragem de olhar diretamente nos olhos impiedosos da vida. Para repudiar o medo da morte e reconquistar o respeito por ela. Esta é a missão dos jovens, por isso vocês estão certos de, nesta hora tardia, entregar o lixo intelectual do passado às chamas. É uma forte, grandiosa e simbólica responsabilidade, uma responsabilidade que irá provar a todo o mundo que a base intelectual da República de Weimar está sendo derrubada agora; mas que a partir das ruínas irá crescer, vitorioso, o senhor de um novo espírito".


III - Lista de Autores vitimados:



Entre os escritores cujas obras foram queimadas naquela noite pelos estudantes, estavam socialistas conhecidos, como o dramaturgo Bertolt Brecht; o fundador do conceito do comunismo, Karl Marx; autores "burgueses" críticos, tais como o dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler; e as "influências estrangeiras corruptoras", entre eles a obra do escritor americano Ernest Hemingway. As fogueiras também consumiram as obras do alemão Thomas Mann, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, e também do escritor Erich Maria Remarque, cuja rigorosa descrição da Primeira Guerra Mundial em seu livro "Nada de Novo no Front" era perseguida pelos ideólogos nazistas.

Outros autores conhecidos também vitimados  foram  Walter Benjamin, Erich Kästner (que anónimo assistia na multidão),  Sigmund Freud, Albert Einstein, Heinrich Heine, Ricarda Huch.

Naturalmente, também queimaram obras de escritores judeus, entre eles Franz Werfel, Max Brod e Stefan Zweig.  As multidões também queimaram as obras do admirado poeta judeu alemão Heinrich Heine que havia se convertido ao cristianismo e que, em 1820, havia escrito: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando as pessoas".


IV - Universidade Humboldt - Berlim  


A Universidade Humboldt de Berlim  é a mais antiga universidade de Berlim, fundada em 1810 pelo lingüista e educador liberal prussiano Wilhelm von Humboldt, cujo modelo universitário influenciou fortemente outras universidades européias e ocidentais. 

Desde 1828 era conhecida como Universidade de Frederico-Guilherme  em homenagem ao rei da Prússia Frederico Guilherme III. Em 1949, trocou seu nome para Humboldt-Universität em homenagem a seu fundador.






A universidade acolheu vários pensadores alemães dos últimos dois séculos, entre eles o filósofo Johann Gottlieb Fichte, o filósofo idealista G.W.F. Hegel, o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, e os famosos físicos Albert Einstein e Max Planck. 



Na lista temos também o geólogo Alfred Wegener que descobriu que os continentes já foram um só, os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels e o unificador alemão Otto von Bismarck. 



A universidade teve 29 ganhadores do Prêmio Nobel. 



Período Nazista



Depois de 1933, como todas as universidades alemãs, foi transformada em uma instituição nazista de ensino. Foi da biblioteca da Universidade que 20 000 livros escritos por "degenerados" e oponentes do regime foram retirados para serem queimados em 10 de maio daquele ano na Opernplatz (hoje Bebelplatz) para uma demonstração defendida pela SA, que também incluiu um discurso de Joseph Goebbels. 



Estudantes judeus, professores e oponentes políticos dos Nazistas foram expulsos da Universidade e muitos deportados e assassinados.


Período Comunista

Em 1946, a Universidade reabriu suas portas, mas desta vez no setor soviético da cidade. A administração soviética logo tomou o controle da Universidade, relegando todos os estudantes que não se conformavam à ideologia comunista. Em reação a isso, a Universidade Livre de Berlim foi fundada em 1948 no setor ocidental da cidade. Até o colapso do regime alemão oriental em 1989, a Universidade Humboldt permaneceu sob um controle severo do Partido Socialista Unificado da Alemanha ou SED, que, através da rigorosa seleção dos estudantes segundo a linha do partido, garantiu que nenhuma oposição democrática poderia nascer nos seus campi.

Período Atual


Após a liberação do Comunismo, a universidade foi radicalmente reestruturada e todos os professores tiveram que postular por suas cadeiras novamente. A faculdade foi grandemente substituída por professores da Alemanha Ocidental



Atualmente, a Universidade Humboldt é uma universidade pública com um elevado número de estudantes (37.145 em 2003, entre os quais mais de 4.662 estrangeiros) segundo o modelo das universidades da Alemanha Ocidental, e como a sua parceira Universidade livre de Berlim.

(fonte de todo o texto: Wikipedia - Universidade Humboldt)

V - Antiga praça da Ópera e atual Bebel Platz


A Bebelplatz (antigamente Opernplatz) é uma praçapública localizada no distrito do Mitte de Berlin.



Na praça estão localizadas a Ópera Nacional, a Catedral católica de Santa Hedwirges ea Universidade Humboldt. No centro da praça está o monumento relembrando o evento da queima de livros de 1933.




O nome Bebel Platz foi dado em homenagem a August Bebel fundador do Partido Social democrata da Alemanha

Monumento ao 10 de maio de 1933


Hoje em dia, um monumento a esse evento pode ser visto no centro da praça, consistindo de um painel de vidro abrindo-se para uma sala branca subterrânea contendo prateleiras vazias com espaço para 20000 livros e uma placa, contendo uma epígrafe de uma obra de Heinrich Heine de 1820: "Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen" ("Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas"). 



                 
                        Universidade Humboldt no fundo
          Igreja Católica

A Catedral de Santa Edwirges foi a primeira igreja católica construída na Prussia depois da Reforma. 


V - Museu Judaico de Berlim


O Museu Judaico de Berlim consiste de dois prédios: uma construção antiga em estilo barroco, onde se encontram a entrada, o caixa, salas para exposições temporárias, salas para eventos, a lojinha do museu, um restaurante, e uma construção de arquitetura moderna, onde se encontram as exposições permanentes. Uma passagem subterrânea leva o visitante da entrada, no prédio antigo, ao prédio novo, uma vez que este não tem nenhuma entrada oficial. (http://simplesmenteberlim.com/)



No museu judaico de Berlim encontra-se a peça "Biblioteca Subterrãnea II" que faz um contraponto ao monumento Biblioteca subterranea na Bebel platz. Enquanto na primeira não há nenhum livro, nessa ele é representada por prateleiras repleta de livros para dizer que não se conseguirá nunca matar as idéias e as criações da humanidade. 



prateleiras lotadas


VI - Referências


- Holocaust Museum - site    https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007978
  (Todo os ítens do I ao III)
- Site alemão em português "Made for mindes" - http://www.dw.com/pt/1933-grande-queima-de-livros-pelos-nazistas/a-834005
- Wikipedia - Queima de Livros 10 de maio de 1933 / Universidade Humboldt / Bebel Platz
- Site cultural Simplesmente Berlim - http://www.dw.com/pt/1933-grande-queima-de-livros-pelos-nazistas/a-834005

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