quarta-feira, 16 de março de 2016

Dresden - Uma cidade em busca de seu passado

I - Dresden - Introdução


Dresden é uma cidade da Alemanha, capital do estado da Saxónia. Localiza-se nas margens do rio Elba. Tem 535.810 habitantes segundo censo de 2013. 

Tem origem num povoado eslavo de nome Drezdane, que começou a ser germanizado no século XIII. Dresden tem uma longa história como capital e residência real dos Reis da Saxónia e é possuidora de séculos de extraordinária cultura e esplendor artístico.

O controverso bombardeamento de Dresden na Segunda Guerra Mundial em 1945 onde cerca de 35 mil pessoas morreram aliado a quarenta anos fazendo parte da Alemanha Oriental mudaram dramaticamente a face da cidade.

Desde a reunificação Alemã, Dresden tem sido um importante centro cultural politico e econômico na parte leste da República Federal Alemã.





II - Histórico


Dresden começou a se destacar em 1485, quando os Albertine Wetin decidiram se fixar na cidade. A cidade floresceu durante o século 18, pois no reinado do leitor Augusto, o Forte, se tornou um centro cultural e ganhou muitas construções magníficas. Contudo quase todas foram totalmente destruídas na noite de 13 para 14 de fevereiro de 1945 quando as forças americanas e inglesas bombardearam maciçamente a cidade. Desde o fim da guerra e até os dias atuais, um meticuloso trabalho de restauração foi posto em andamento para devolver a antiga glória ao centro histórico de Dresdden.



Republica de Weimar


A república de Weimar surgiu com a derrubada do Imperador ao fim da primeira guerra mundial. Após a revolução de novembro 1918, Dresden foi capital do primeiro Estado Livre da Saxônia. Foi uma das dez maiores cidades na Alemanha e era um centro cultural e económico da República de Weimar. Apesar das dificuldades econômicas devidos às pesadas sanções impostas pelo tratado de Versailles, a parte cultural floresceu muito na Alemanha nessa ápoca.


Nacional Socialismo


Os cerca de 5.000 judeus que habitavam Dresden em 1933  foram expulsos ou mais tarde, deportados para campos de concentração. O anti-semitismo em Dresden é testemunhado principalmente através dos diários de Victor Klemperer.  Após a Segunda Guerra Mundial restavam apenas 41 judeus vivendo na cidade.

Na queima de livros em 10 de maio de 1933 um grande volume de obras foi eliminada. A vida cultural de Dresden foi paralisada em 1933. As obras de Ernst Ludwig Kirchner , Max Pechstein , Karl Schmidt-Rottluff e Otto Dix que naquela época faziam parte de exposição foram consideradas "Arte Degenerada". 56 obras da Galerie Neue Meister foram apreendidas.



Segunda Guerra Mundial / Bombardeio de Dresden

O bombardeio (português brasileiro) de Dresden, foi efetuado durante a Segunda Guerra Mundial pelos aliados da Força Aérea Real (RAF) e a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos da América (USAAF) entre 13 e 15 de fevereiro de 1945. Em quatro ataques-surpresa, 1300 bombardeiros pesados lançaram mais de 3900 toneladas de dispositivos incendiários e bombas altamente explosivas na cidade, a capital barroca do estado alemão de Saxônia. A tempestade de fogo resultante destruiu 39 quilômetros quadrados do centro da cidade. 



Um relatório da Força Aérea dos Estados Unidos escrito em 1953 por Joseph W. Angell defendeu a operação como o bombardeamento justificado de um alvo militar, industrial e centro importante de transportes e comunicação, sediando 110 fábricas e 50 000 trabalhadores em apoio aos esforços nazistas. Em contrapartida, diversos pesquisadores argumentaram que nem toda a infraestrutura comunicacional, como pontes, foram de fato alvo do bombardeio, assim como extensas áreas industriais distantes do centro da cidade. Alega-se que Dresden era um marco cultural de pouca ou nenhuma significância militar, uma "Florença do Elba", como era conhecida, e que os ataques foram um bombardeio indiscriminado e desproporcional aos comensuráveis ganhos militares. 



Nas primeiras décadas após a guerra, estimativas de mortos chegavam a 250 000, número atualmente considerado absurdo. Uma investigação independente encomendada pelo conselho municipal de Dresden em 2010 chegou a um total mínimo de 22 700 vítimas, com um número máximo de mortos em torno de 25 000 pessoas. 



Dresden ocupa um lugar de destaque quando repensamos nos horrores da guerra e em todas as perdas infligidas.


                  Recolhimento de escombros da Igreja Luterana - Frauenkirsche


Período Comunista - Alemanha Oriental



Durante o período do socialismo muitos vestígios da cidade fortemente destruída foram eliminados. Muitas ruínas de Dresden, incluindo os restos da igreja de St. Sophia, e especialmente os históricos edifícios residenciais foram demolidos ou explodidos. O centro histórico da cidade foi demolido e continuamente reconstruído. O ambiente da rua de Praga, que era muito movimentada, parecia um deserto antes de ter sido reconstruído pela primeira vez na década de 1960, já no estilo socialista.

Foram renovados ou completamente reconstruídos especialmente os monumentais edifícios históricos, a Casa do Estates (1946), a Ponte Augustus (1949), a Kreuzkirche (até 1955), o Zwinger (a 1963), o Tribunal Igreja Católica (até 1965), a Semperoper ( a 1985), o Palais japones  (até 1987) e as duas maiores estações. 

Alguns desses trabalhos, influenciados pela situação económica global da RDA , duraram décadas e, por vezes foram interrompidos por um período prolongado. O castelo teve suas peças catalogadas ao longo de muitos anos e as mesmas foramusadas na reconstrução (como o pátio do estábulo ). Só em 1986 começou a reconstrução, que dura até hoje. As ruínas da Frauenkirche também foram catalogadas e usadas na recosntrução.



A Reconstrução:  Igreja Protestante - Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora)


Igreja original


A igreja original, em estilo barroco, foi construída entre os anos de 1726 e 1743, desenhada pelo arquiteto de Dresden Georg Bähr (1666-1738), um dos maiores mestres alemães do barroco. Em seu desenho, Bähr capturou o novo espírito protestante ao colocar o altar, púlpito e a fonte batismal diretamente no centro da igreja, para uma ampla visão de toda a congregação.

A 25 de Novembro de 1736, o famoso artesão Gottfred Silbermann (1683-1753) construiu um órgão para a igreja. Uma semana depois, Johann Sebastian Bach (1685-1750) tocou o novo instrumento em um recital.

A parte mais distintiva da igreja era a sua cúpula chamada de “Sino de Pedra”. Nada convencional para a época, ela pesava 12.000 toneladas e estava a uma altura de 95 metros. O feito de engenharia pode ser comparado a construção da cúpula Michelangelo da Basílica de São Pedro no Vaticano. Mesmo com o receio inicial de que a estrutura não aguentaria, a cúpula se mostrou extremamente estável, até mesmo durante a guerra dos sete anos, quando mais de 100 canhões liderados por Frederico II bombardearam a igreja. Os projéteis simplesmente não conseguiram derrubar a igreja.
Por mais de 200 anos, a magnífica igreja em formato de sino era um dos mais belos edifícios que dominavam os céus de Dresden.

Vista externa da Frauenkirche de Dresden, foto HistoriacomGosto



Destruição



A igreja, de maneira impressionante, sobreviveu por dois dias e duas noites aos ataques aliados. Cerca de 300 pessoas buscaram abrigo no edifício durante os ataques, mas tiveram que deixar a igreja quando bombas incendiárias comprometeram sua estrutura. A igreja acabou não resistindo e ruindo no dia 15 de fevereiro as 10 horas da manhã.

Ao final da guerra, os restos da igreja foram numerados e empilhados no centro da cidade por 45 anos, tempo em que forças russas administravam o leste da Alemanha. A idéia inicial era construir um parque no sítio onde se encontrava a igreja, mas devido a apelos populares o projeto foi cancelado.


Reconstrução


Após a unificação alemã (1989), um grupo de 14 membros liderados por Ludwig Güttler, deu origem a “Sociedade para promover a reconstrução da Frauenkirche”. Esta organização cresceu ao ponto de possuir mais de 5 mil membros na Alemanha e em outros 20 países. Além de angariar fundos para a construção, o projeto também recrutou engenheiros, arquitetos e historiadores para identificar e catalogar o que sobrou da igreja.

Günter Blobel, um dos sobreviventes da Guerra e morador da redondezas de Dresden ganhou o prêmio Nobel de medicina em 1999. Ele doou todo o seu prêmio, cerca de 1 milhão de dólares, para a reconstrução da igreja Frauenkirche.

O valor final da reconstrução da igreja foi de 180 milhões de euros, mais da metade desse valor foi financiado pelo Dresdner Bank.

Os trabalhos iniciaram em 1993 sob a direção de Eberhard Burger, utilizando as plantas originais de Georg Bähr, pinturas antigas e fotografias de antigos moradores. A pedra fundamental foi colocada em 1994 e a cúpula terminada em 1996. O interior da cúpula contudo só foi concluído em 2000.

Na medida do possível a igreja foi reconstruída com suas pedras originais. As pedras foram medidas e catalogadas em um sistema de computador que ajudavam os arquitetos e engenheiros a entender como colocá-las juntas novamente.

Interior da Igreja Luterana, "FrauenKirche" (Igreja de Nossa Senhora), Dresden


Os trabalhos de reconstrução foram concluídos em 2005, um ano antes do planejado, a tempo para as comemorações dos 800 anos de Dresden em 2006.

Uma estátua de bronze de Martinho Lutero que sobreviveu aos bombadeios também foi recuperada e colocada em frente à igreja.

Atualmente a igreja está aberta à visitação pública. O edifício é um dos mais procurados em Dresden. Do alto de sua cúpula é possível avistar todo centro da cidade, o rio Elba e outras áreas mais afastadas da capital da Saxônia.



III - Centro Histórico de Dresden Atual - Pontos de Referência



a) Castelo de Dresden 





b) - Sachsische Staatsoper


O imponente edifício neo-renascentista da Ópera Estadual da Saxônia, é um dos marcos de Dresden. Ele tembém e conhecido como Semperoper, em homenagem a seu criador, o famoso arquiteto Gottfried Semper, que o projetou duas vezes: O primeiro prédio erguido entre 1838-1841 pegou fogo em 1869; O segundo foi concluído em 1878. A reconstrução após a segunda guerra arrastou-se até 1985. A ópera foi palco de vários lançamentos mundiais como  "Tanhauser" e "O Holandês Voador" de Richard Wagner,e de várias obras de Richard Strauss. (Guia Visual Folha de São Paulo)



c) Furstenzug


Furstenzug que significa "O cortejo dos duques", é um magnífico friso de 102 metros que retrata um desfile de vários governantes saxões. O friso foi criado originalmente no período de  1872 a 1876  por Wilhelm Walther, com o uso da técnica de "sgrafitto", mas foi substituído em 1907 por 24 mil azulejos de porcelana de Meissen.


Muro com a representação do Cortejo dos Duques, foto HistoriacomGosto



d) Zwinger


Um dos edifícios mais famosos de Dresden é o Zwinger, uma bela estrtura barroca cujo nome significa "intramuros". Encomendado por Augusto, O Forte, foi construído entre 1709-1732. Seu espaçoso pátio que já foi usado para diversos espetácuos, é rodeado por galerias nas quais abriga diversas coleções de arte. 






e) Igreja Católica

Catedral da Santíssima Trindade, foto de Brian Kinney em Shutterstock.com




A Catedral da Santíssima Trindade, é uma igreja católica romana, sede da diocese de Dresden-Meissen e uma igreja paroquial de Dresden. Ela funcionou também como Tribunal da Igreja Católica. Ela foi construída no mesmo período que a Igreja de Frauenkirsche.



f) Palácio do Governo 


Como Dresden é capital do estado da Saxônia, muitas repartições públicas são localizadas na cidade. A maioria delas fica no prédio do palácio do governo (Sächsische Staatskanzlei).



Palácio do Governo de Dresden, foto de Kolossos em Wikimedia Commons


VII - Referências



Textos da Wikipedia em português, inglês e alemão e algumas partes Guia Visual Folha.
Fotos: Shutterstock, Wikimedia Commons e HistoriacomGosto



2 comentários:

  1. Mesmo quando já havia terminado praticamente a guerra, Dresden que não era ponto estratégico que pudesse oferecer perigo nem resistência aos aliados, foi "criminosamente" bombardeada por ordem do "bêbado" Churchill. Além de destruir desnecessariamente a "pérola do Elba", esse "crápula" ainda "assassinou" milhares de civis e inocentes crianças. FICA AQUI ´REGISTRADO MEU REPÚDIO A ESSE "FALSO HERÓI INGLÊS"!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade Celso Roberto. São páginas sangrentas e abomináveis que a "história dos vencedores" esconde.

      Excluir