quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Museu de Arte Pré-Colombiana de Santiago, Chile

I - Introdução


Esse museu tem a finalidade de divulgar a arte e cultura dos povos que habitaram e desenvolveram o continente americano no período pré-colombiano. O Museu tem coleções de arte que são organizadas em exibições permanentes e temporárias, tem uma coleção de audio-visuais  como fotografias, vídeos, ...,. e também uma vasta biblioteca para consulta. Além de tudo isso o site do museu é excelente e se constitui uma ótima fonte para consulta. Visite em http://www.precolombino.cl/






II - Povoamento da América


Períodos de Formação


Dois períodos de formação do planeta, que os geólogos tem chamado de Pleistoceno e Holoceno, são o marco em que se desenvolve o povoamento do continente americano. O Holoceno é o período que estamos vivendo hoje, caracterizado por u clima quente em que a parte gelada se concentra grandemente nos polos. Essa situação ambiental prevalece há cerca de 11.000 anos.



                                         arte de Maurice Antón em www.plosbiology.org



Por outro lado o Pleistoceno, também conhecido como Era do Gelo, é a etapa anterior ao Holoceno e se caracteriza por um clima muito mais frio que o atual. Por essa razão enormes glaciares ocupavam parte importante da superfície terrestre. Os animais que sobreviviam eram principalmente aqueles que tinham uma maior resistência ao frio. Basicamente aqueles que podiam armazenar quantidade suficiente de gordura e que tinham pele e corpo resistente à baixas temperaturas. Por isso os animais desse período eram muito maiores que os atuais e nos referimos a eles como megafauna.


Ocupação Humana

Os arqueólogos, baseados em suas investigações, nos dizem que os grupos humanos que entraram na América, o fizeram durante os últimos períodos da glaciação, há cerca de 20.000 anos. 

A teoria mais aceita estabelece que a travessia ocorreu entre 20.000 e 15.000 anos, pela Sibéria e Alasca, quando o mar baixou seu nível e se formou um grande corredor (ponte de terra) que uniu Ásia com América do Norte. Esse corredor se denomina Beringia e hoje está submerso.






  arte de Roblespepe Poblamiento_de_America_-_Teoría_P_Tardío.png ‎

Grupos Humanos

Os grupos que chegaram nas américas eram grupos que se organizavam por laços familiares em torno de 40 a 50 pessoas que se moviam seguindo os grandes animais que emigravam da Ásia. Não existiam grandes diferenças sociais. Os homens maiores e os melhores caçadores eram os líderes que guiavam aos outros. Somente se destacavam aqueles que cumpriam as funções do Chaman, uma espécie de médico e guia espiritual.

Uma Nova Paisagem, um novo continente


A medida que os animais se recuperavam da exaustão, os grupos continuavam a se mover até chegar a um novo continente completamente desconhecido por eles. Depois de passar a área mais críticas, cercado por geleiras, eles chegaram mais ao sul onde havia uma nova paisagem. Planícies largas e espaços imensos, nova vegetação, florestas de vidoeiro, pinheiros e gramíneas, além de planícies salpicadas de lagos e lagoas. Essa viagem, a partir das costas e planícies da Sibéria para as primeiras pradarias norte-americanas, levou centenas de anos.

Nessas planícies viveram grandes herbívoros e predadores do Pleistoceno, juntamente com pequenos animais e uma grande quantidade de pássaros, coelhos e roedores, que se tornaram parte de sua dieta. Eles também acrescentaram novas espécies de ervas e frutas, expandindo e completando a sua dieta. Isso permitiu um aumento no número de pessoas, formando novos grupos que vão avançando até a Terra do Fogo em um período de duração de cerca de 20.000 anos. A esses grupos de pessoas que viveram e se adaptaram inicialmente na América são chamados de Paleoíndios.

fonte: material de professores, site precolombino.org.cl

III - Divisão em Regiões


O museu  está organizado por regiões que englobam países ou parte desses. Cada uma delas dá ênfase nas diversas culturas que a caracterizam:





     Região
     Países

    Cultura
 Mesoamérica  México, Guatemala,  Honduras, Salvador e parte  da Nicarágua
 Azteca, Chupicúaro e  Colima, Guerrero, Huetar e  Maya, Maya Pipil e Maya  Ulúa
 Caribe
 Mar do Caribe e Antilhas

 Taíno



 Intermedia


 Colômbia e Equador
 Bahía, Capuli, Chorrera e  Coclé, Cuasmal, Diquís,  Guangala, Jama-Coaque, La  Tolita, Machalilla, Manta,    Quimbaya, Tuncanhuán,  Valdívia, Veraguas
 Amazonas  Selva amazônica
 Marajoara


 Andes centrais  Perú e Bolívia
 Chancay, Chavín, Chimu, Ica-Chincha, Inka, Lambayeque, Maytas-Chiribaya, Moche, Nazcas, Parakas, Recuay, Tiwanaku, Vicús, Wari



Área sul-andina

Argentina Ciénaga, Condorhuasi, La Aguada, Santa María, Tafí

Chile

Chile Chinchorro, Azapa e outros bastante detalhados.

Obs: Apesar do Chile fazer parte da região dos Andes do Sul, foi criado uma área de exposição individual devido a ser o país sede do museu.


IV - Coleções  



Das diversas peças expostas da coleção de cultura pre-colombiana, escolhemos apenas algumas  para ilustrar o que existe no museu. Por ordem cronológica:

a) Cultura de Chorrera - 1800 a 300 a.c. (Intermedia)

A cultura de Chorrera ocupou a costa sul do Equador, que se estende ao longo da bacia do rio Guyas e seus afluentes. Esses rios eram seu local de oferta e corredor de tráfego. O território inclui as províncias de Guayas, Manabi e Esmeraldas.





b) Olmeca - 1200 a 200 a.C. (Mesoamerica)

A cultura olmeca desenvolveu-se nos estados mexicanos de Veracruz e Tabasco, território delimitado pelo Golfo do México e as terras altas do sul do país. Esta área é caracterizada por ter muita água, com rios, lagos e grandes áreas de zonas úmidas. Ela reina sobre uma selva tropical povoada por animais como onças, antas, javalis e macacos. Em seu auge, a influência desta cultura se espalhou por toda Mesoamérica.



Figuras antropomorfas




c) Chavin - 1000 a.c a 400 a.c. (Andes centrais)

A cultura Chavin deriva seu nome do sítio arqueológico de Chavin, localizado em um vale fértil do planalto peruano-central a 315 m de altitude.






d) Cultura de Nazca - 100 a 700 d.c. (Andes centrais)

A cultura Nazca se desenvolveu nos vales e na costa sul do Perú no período de 100 a 700 dC.


As peças mostradas abaixo são garrafa, vaso e gorro do período.





e) Cultura Maya - 600 a 900 d.c.(Meso America)


A cultura maia se desenvolveu ao longo de uma vasta área, a partir do sul, região central do México até a Guatemala e Honduras. Essa área é composta de três diferentes regiões: as montanhas ou terras altas; a selva tropical ou terras baixas; e as terras baixas do Golfo do México e Península de Yucatan;

 Guerreiro Maia / Vasos





f) Cultura Azteca - 1200 a 1520 d.c. (Mesoamerica )

Os astecas ocuparam o planalto central do México, fundando sua capital Tenochititlán nas margens do lago de Texcoco. Em sua fase imperial eles cresceram muito do centro do México, desde a costa atlântica à costa do Pacífico.


Tambor Teponaztli
Período: 1430 a 1600 d.c.

        A música era de vital importância para as características dos festivais religiosos do povo asteca. Estas cerimónias incluíam danças, cantos, discursos e poemas,  os quais eram acompanhados por grupos de músicos que executavam de preferência instrumentos de sopro e percussão. Nesta última categoria pertence cilindro de madeira, teponaztli em Nahuatl, representando um personagem masculino com asas. Obtinha-se dois sons, batendo martelos de borracha cobertos na sua extremidade superior.


g) Incas - 1200 a 1535 d.c. (Andes Centrais)


Tawantisuyu, nome dado pelos incas para seu império, cobriu um território enorme e variado das terras altas do norte do Equador  até o Rio Maipo no Chile, e do Oceano Pacífico até às encostas orientais dos Andes. Nestes vastos domínios, os incas tiveram acesso a diferentes recursos de tais ambientes tão diferentes e contrastantes. Seu centro estava em Cuzco, capital religiosa e secular que irradiava caminhos para as quatro regiões do império; Chinchaysuyu, Kontisuyu, Kollasuyu e Antisuyo.




h) Cultura dos  Mapuches (Chile)


Os mapuches utilizavan estas enormes estatuas de madeira nos  ritos funerários (velório). Uma larga lista de parentes e amigos pronunciava discursos falando do morto e recordando suas realizações. No final do velório a estátua era erigida junto ao túmulo para assinalar o lugar onde oermaneceria o corpo. 








V - Localização



                                   foto do site oficial do museu www.precolombino.cl


O museu funciona em uma das mais importantes construções da cidade. O edifício em estilo neoclássico, foi construído em 1805 para abrigar o Palácio real da Alfândega. 

Localizado a uma quadra da Praça de Armas, o local sempre ocupou um lugar importante na história de Santiago. Em 1555 essa área foi concedida para o primeiro governante de Santiago, Don Juan de Cuevas, instalar a sua residência. Em 1635 os Jesuítas instalaram no local o Colégio / Seminário de São Francisco Xavier. 

Mais tarde, entre 1805 e 1807, o governador Luis Munoz mandou construir o Palácio da Alfandega. 

Em 1968 um grande incêndio destruiu o prédio e os seus arquivos quase que integralmente. A partir de 1980, após a restauração, o prédio foi então destinado ao uso do Museu de Arte Pré-Colombiana.



VI - Referências


Esse blog tem como finalidade divulgar o museu de arte precolombiana de Santiago - Chile, bem como ajudar a divulgar a arte e cultura dos povos americanos. 

Recomendamos a todos que viajarem a Santiago a fazerem uma visita ao Museu e àqueles que não puderem vê-lo pessoalmente que visitem o site www.precolombino.cl

Com exceção da primeira foto que realizei durante minha visita, todas as outras são de propriedade do museu precolombino. O texto é integralmente retirado do site www.precolombino.cl





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Igreja de Nossa Senhora da Guia - Lucena, Pb

I - Contexto Histórico

De acordo com os historiadores, os Carmelitas chegaram na Paraíba em 1591. Após fundarem a Igreja e o convento de Nossa Senhora do Carmo no centro de João Pessoa, iniciaram uma missão ao norte do rio Paraíba, no alto de uma colina onde existia uma população indígena. O objetivo era realizar um trabalho social e catequético com os nativos. O local escolhido está mostrado no mapa abaixo assinalado com a estrela amarela.




Verificamos  a posição estratégica da Igreja Nossa Senhora da Guia, justamente no encontro do rio Paraíba com o Oceano atlântico. No outro lado da Igreja encontra-se a cidade de Cabedelo onde foi fundado um forte em 1586, inicialmente chamado de Forte do Matos.

Fundação de João Pessoa


João Pessoa foi fundada em 5 de agosto de 1585 com o nome de "Cidade Real de Nossa Senhora das Neves". A cidade foi iniciada em uma colina às margens do rio Sanhauá um afluente do rio Paraíba como se vê na parte de baixo do mapa. O acesso a cidade era feito pelo rio Paraíba e o seu controle era protegido então pelo forte localizado em Cabedelo.



II - A construção da Igreja de Nossa Senhora da Guia



Visão frontal da Igreja Nossa Senhora da Guia

A construção da Igreja foi iniciada no final do século XVI e terminada em meados do século XVII. É uma construção em pedra caucárea realizada em estilo barroco. Na sua fachada estão representadas plantas silvestres e frutas típicas da região.






Entrada da Igreja                                                    Altar Principal

A imagem do altar foi obtida do site do Convento Carmelita Beato Eliseu Maneus http://interativa.pcp.org.br/

Restaurações

Em 1763 a Igreja foi praticamente demolida e reconstruída pelos esforços do frei  Manuel de Santa Tereza. A partir de 1866 sofreu reformas e ficou abandonada depois de um longo período. Com a saída dos Carmelitas em meados do século XIX o santuário ficou em ruínas e o convento existente foi demolido. No entanto, os fiéis continuavam a vir ao santuário para conhecer e render louvores a Deus. Na década de 1980 sob administração dos carmelitas, o instituto de patrimônio histórico e artístico nacional (IPHAN) restaurou a Igreja e urbanizou a área ao redor. A partir dessa época o santuário foi administrado pelos Carmelitas. Em 2004 passou para a administração da Diocese da Paraíba. Em 2008 com uma grande celebração comemorou-se a volta dos Carmelitas a Paraíba depois de 102 anos de ausência. O evento marcou também a abertura da nova comunidade da Província Carmelitana Pernambucana instalada no convento Beato Eliseu Maria Maneus na Guia, Lucena, Pb.

Atualmente o santuário está sob a adminsitração do frei Geraldo Bezerra de Souza, pároco Reitor, auxiliado pelo frei José Cláudio de Alencar Batista (Vigário). 



Vista lateral da Igreja


III - Visão Atual da Localização Estratégica da Igreja


Do alto da colina pode se ver, no outro lado do Rio Paraíba, a cidade de Cabedelo, onde localiza-se o Forte de Santa Catarina. Devido a essa visão o local foi eventualmente utilizado como posto de observação contra ataques inimigos.





Cemitério 

Em frente ao Santuário, desde o início do funcionamento deste, foi construído um cemitério para a região que até hoje é utilizado.


IV - Arredores da Igreja em Lucena


Descendo da colina, às margens do rio Paraíba, temos um Restaurante de Frutos do Mar que serve peixes e camarões muito saborosos. O restaurante chamado "O Pirata" é bastante simples mas oferece uma comida saborosa. é uma execelente opção para quem for conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Guia.


                   Margens do Rio Paraíba                                   Restaurante próximo às margens do Rio


Restaurante "O Pirata" nas margens do Rio


V - Como Ir


A melhor maneira de ir visitar a igreja de Nossa Senhora da Guia é pegar uma balsa em Cabedelo para Lucena. As balsas partem a cada hora e o trajeto leva cerca de 30 minutos.





VI - Referências


- Documento da Paróquia Sagrado Coração de Jesus Menino, afixado na entrada do Santuário.





sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Óbidos - A pequena jóia da Leiria


I - Óbidos 


Óbidos está situada junto ao mar, no distrito de Leiria, Portugal. Em razão de sua excelente localização, os registros de ocupação na região de Óbidos vem de muito tempo. Existem traços de ocupação dos Celtas, comércio realizado com os fenícios e indícios de ocupação romana. 

Após um período de ocupação árabe, em 11 de janeiro de 1148, o primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, apoiado por Gonçalo Mendes da Maia, conquistou Óbidos.

Em uma fase posterior, Óbidos fez parte do pentágono defensivo (cinco castelos) idealizado pelos Templários.



Óbidos foi ofertada como prenda de casamento de Dom Dínis para sua esposa Dona Isabel. A Vila passou então a pertença da Casa das Rainhas que somente foi extinta em 1834. A maioria das rainhas de Portugal passaram por Óbidos deixando grandes benefícios. Particularmente lembramos Dona Catarina que mandou construir o aqueduto e vários chafarizes.

Óbidos fica a uma distância de 85 Km de Lisboa e 88 Km de Fátima em uma viagem de carro.  


II - Entrada de Óbidos


Óbidos é uma vila fortificada, com muralhas em todo seu perímetro. É uma pequena vila para os nossos padrões atuais, mas perfeitamente adequada a sua época.



A entrada principal da Vila, tem a seguinte inscrição "A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original", que foi mandada colocar pelo Rei Dom João IV, em agradecimento pela proteção da padroeira quando da Restauração da Independência em 1640. Logo na entrada fica uma capela com azulejos azuis lembrando a morte do Senhor.


III -  Castelo


A origem do Castelo de Óbidos é atribuída aos romanos. Ele foi construído provavelmente em torno de um Castro (construções celtas de pedra). O castelo foi fortificado no período de domínio árabe e reformado várias vezes depois de conquistado pelos cristãos. 


            Foto das "Muralhas Externas do Castelo" - de Episousa em fotolia.com.br


IV - Ruas  


Como toda cidade fortificada e antiga, as ruas de Óbidos são bastante estreitas mas hoje elas estão todas bem cuidadas. São ocupadas praticamente por comércios de artesanato, restaurante e Igrejas.







IV - Monumentos


Igreja de Santa Maria



A Igreja Matriz localizada na praça do mesmo nome é o principal templo religioso de Óbidos. A sua fundação remonta ao período visigótico. Ela foi transformada em mesquita no período muçulmuna e novamente sagrada por Dom Afonso Henriques em 1148.










Igreja de São Pedro














De fundação Medieval, da sua construção inicial conserva apenas os vestígios do antigo portal gótico na fachada. Foi reformada na segunda metade do século XVI, como outras igrejas da Vila.  Muito afetada pelo terremoto de 1755, destaca-se no seu interior, de nave única, o magnífico retábulo barroco de talha dourada do período joanino. A antiga pintura da tribuna do retábulo - S. Pedro a receber de Cristo as chaves do Céu - de finais do século XVII ou princípios do XVIII (Sérgio Gorjão, 2000), encontra-se actualmente na parede





V - Artesanato




O Artesanato de Óbidos é bem centrado em pratos, louças e também na famosa bebida Ginja, uma espécie de licor, muito famosa na região










VI - Parte Externa - Aqueduto e Igreja


Com o passar do tempo a Vila teve necessidade de se expandir ocupando hoje outra área além da parte intra-muros. Essa parte interna é praticamente turística e os habitantes de um modo geral residem extra-muros.





Aqueduto


O Aqueduto foi mandado construir pela Rainha Dona Catarina de Austria, mulher de Dom João III e tem 3 Km de comprimento. A construção foi completamente custeada pela rainha que recebeu em troca a várzea ao redor. 


VII - Recomendação

Estando de carro e indo para Fátima é fundamental fazer uma parada em Óbidos. Com uma duração de 2 a 3 horas pode se fazer um bom passeio pela cidade e até almoçar no excelente restaurante do Hotel.

VIII - Referências

Texto - A maior parte do texto retirada de www.obidos.p
Fotos - Quando não mencionada outra referência, as fotos são de historiacomgosto