sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Teatros do Mundo - Ópera de Viena

I - Ópera de Viena  


1.1 - Construção e Inauguração

A Ópera de Viena, um edifício imponente construído no século XIX tem uma das histórias mas importantes da música classica européia. Ao lado  do Musicvrein  forma o conjunto de locais imperdíveis para uma visita e um concerto na capital da música clássica. 

A estrutura do edifício foi projetada pelo arquiteto vienense Sicard von Sicardsburg, enquanto o interior foi projetado pelo decorador Edward von der nulo. Outros artistas como Moritz von Schwind que pintou os afrescos no foyer também influenciaram  no estilo.


O edifício no início não foi muito apreciado pelo público. Alguns achavam que ele não era suficientemente grande, e outros não gostavam porque  o anel rodoviário na frente da ópera foi elevado em um metro e o público achava que a ópera parecia um navio afundado. 

Em 25 de maio de 1869, a ópera abriu solenemente com a obra de Mozart, Don Juan, na presença do imperador Franz Joseph e da Imperatriz Elisabeth.

A popularidade da casa cresceu sobre a influência artística dos primeiros diretores: Franz von Dingelstedt, Johann Hereck, Franz Jauner, e Wilhelm Jahn. O ponto alto foi atingido com a direção de Gustav Mahler que introduziu novas experiências musicais e de gestão.






1.2 - Os anos da guerra


Os anos entre 1938-1945 foram um capítulo negro na história da ópera. Sob os nazistas, muitos membros da casa foram expulsos, perseguidos e mortos, e muitos trabalhos não foram autorizados a sua reprodução.

Em 12 de março de 1945, a ópera foi devastada durante um bombardeio. Apenas a fachada principal, a grande escadaria e o "schwind foye" tinham se mantidos intactos da destruição das bombas. 

Um período de reconstrução de cerca de dez anos com um grande orçamento foi despendido e finalmente em 05 de novebro de 1955 a ópera estatal de Viena reabria com um novo auditório e tecnologia modernizada. A peça encenada foi Fidelio de Beethoven sob a direção de Karl Bohm. A cerimônia de abertura e a peça foram transmitidas pela televisão austríaca. 

1.3 - Hall de entrada


Uma das poucas partes que permaneceram intactas no período da guerra, a área do hall não é tão grande. 



1.4 - Escadaria 


As escadarias sim, são impressionantes por sua magnitude e beleza. Adornando a escada temos a pintura no teto "Fortuna, espalhando o seus dons" a partir de um projeto de Franz Dobiaschofsky. Representando também seu trabalho estão as pinturas em tela nos três arcos descrevendo o ballet, ópera cômica e ópera trágica. As estátuas alegóricas criadas por Josef Gasser incorporam as sete artes liberais: arquitetura, escultura, poesia, dança, arte musical, drama e pintura.




              Escadaria principal

             Sala de Francisco José


Um destaque histórico da casa de ópera é o salão de Chá, anteriormente salão do imperador, localizado a direita da escadaria.   


1. 5 - Palco e Auditório


Com capacidade para cerca de 2500 pessoas o auditorium é dividido na área principal e seus camarotes laterais.

                                                       Palco


1.6 - Cafeterias / Salões de Espera


Duas cafeterias mais estilizadas e uma cafeteria real constituem os espaços de convivência da Ópera para se bebericar um champagne, tomar um café ou água, nos intervalos de espera.



Cafeteria Tradicional





1.7 Ópera Estatal de Viena x Filarmônica de Viena


A ópera estatal de Viena está intimamente ligada a Filarmônica de Viena, que é incorporada a uma sociedade própria, mas cujos membros são recrutados da Ópera Estatal.´

A ópera estatal de Viena é uma das companhias que mais produz espetáculos, entre 50 e 60 óperas e dez espetáculos de ballet em cerca de 300 exibições no total. 

A Ópera emprega mais de mil funcionários. Em 2008 o seu orçamento anual foi de 100 milhões de euros, onde, 50% vieram de subsídios estatais. 



1.8 - Diretores mais famosos da Ópera  


- Gustav Mahler (1897-1907)
- Richard Strauss / Franz Schalk (1919-1924)
- Karl Bohm (1943-1945) e (1954-1956)
- Herbert von Karajan (1956-1964)
- Seiji Ozawa (2002-2010)

Diretor atual - Dominique Meyer (2010)



1.9 - Referências



- Site oficial da Ópera de Viena
- Wikpedia - Ópea de Viena
- Fotos e Notas de Viagem - historiacomgosto



quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O Retábulo de Ghent - A obra de arte mais roubada na história

I - Retábulo de Ghent - O que é ?


É uma peça de altar, na forma de um políptico complexo e de grandes dimensões, do século XV, período inicial da pintura flamenga.  

Ele é composto por 12 painéis, oito dos quais são venezianas fechadas. Os painéis laterais são pintados em ambos os lados, dando duas perspectivas diferentes, caso eles se encontrem abertos ou fechados. Aos domingos e dias festivos, o retábulo está totalmente aberto. Nos outros dias ele fica fechado e coberto por uma toalha.

O retábulo foi encomendado pelo comerciante, financista e político, Joost Vijdt, que exercia uma liderança semelhante ao prefeito da cidade. Ele encomendou o retábulo para uma capela da Igreja de São João Batista (hoje Catedral de São Bavo) onde ele e sua esposa eram os benfeitores. O retábulo foi oficialmente instalado em 06 de maio  de 1432.


I. 1 - A composição do Retábulo


O altar é composto por um total de 24 painéis moldados, que fornecem ao espectador duas cenas diferentes de acordo com a sua posição aberta ou fechada. 


O painel principal apresentado na parte de cima representa o Cristo Rei entronizado entre a Virgem Maria e São João Batista. À direita e à esquerda desses três personangens, anjos cantando e tocando música, e nos painéis esteriores, Adão e Eva. 




  Painel completo- fonte: wikipedia "Ghent Altarpiece", Obra de Jan Van Eick e foto copyriht de  Pol Mayer / Paul M.R. Maeyaert


A parte inferior do painel central representa a adoração do Cordeiro de Deus  para vários grupos de pessoas absortas em adoração e oração. Eles estão iluminados por uma pomba que representa o Espírito Santo.


Durante a semana, os painéis ficam dobrados, mostrando a Anunciação de Maria e o retrato do doador Joost e sua esposa Vijdt Lysbette Borluut.


I.2 - Painéis Aumentados - Figuras centrais




No painel superior central  estão a Virgem Maria à direita e São João Batista à esquerda. Existem entre os historiadores dúvida se a figura central representa Jesus, rei do Universo, Deus pai todo poderoso  ou a Trindade Santa representada por uma só pessoa. A existência de uma coroa tripla na figura central  confere credibilidade a essa última possibilidade. 



  wikipedia "Ghent Altarpiece" - Pintura de Jan van Eick, fotos de wikimedia commons, autor desconhecido  carregado por Petrusbarbygere- commonswiki

I.3 - Adoração do Cordeiro Místico



    Painel "Adoração do cordeiro místico" - Jan Van Eick, Wikipedia  "Ghent altarpiece" -     Foto: origem desconhecida - carregada por Petrusbarbygere

Os painéis centrais inferiores mostram a adoração do Cordeiro de Deus, cercado por fiéis alinhados um atrás do outro esperando para adorar o Cordeiro. No céu, uma pomba, representando o Espírito Santo ilumina a cena. O Cordeiro é cercado por quatorze anjos.

O cordeiro tem uma ferida em seu peito, de onde o sangue jorra em um cálice de ouro, ainda que não apresente qualquer epressão externa de dor. É uma referência ao sacrifício de Cristo. Os anjos têm asas vívidas multicoloridas e seguram a cruz e a coroa de espinhos, símbolos da paixão de Cristo. 


No primeiro plano a fonte da vida flui em um pequeno leito do rio e é coberta com pedras preciosas.

Grupos de adoradores

Em primeiro plano, a esquerda está um grupo de profetas judeus ajoelhados, cada um segurando uma Bíblia. Atrás deles, os filósofos e escritores pagãos de todo o mundo como evidenciado pelas características orientais de alguns deles e os diferentes tipos de bonés e chapéus que portam. A figura vestida de branco, com uma coroa trançada, é provavelmente Virgílio, que é considerado um "avant-la leta cristã". Á  direita, é possível distinguir os Doze apóstolos e por trás deles, vários santos, com papas e outros homens da igreja antes deles. Entre eles é possível reconhecer Santo Estevão, transportando as pedras com as quais ele foi apedrejado. 

Na parte inferior esquerda estão os homens mártires, todos representados vestindo roupas tradicionais do clero; e à direita, os mártires do sexo feminino. Homens e mulheres têm nas suas mãos uma palma. Algumas dessas mulheres são reconhecíveis por atributos que elas estavam segurando. 


I.4 - Retábulo Fechado




file: wikipedia - "Ghent Altarpiece", Obra de Jan Van Eick, foto: autor desconhecido: wikimedia commons carregado por Xanthous Onyx commonswiki


Quando está fechado o retábulo mostra a Anunciação em quatro painéis. À esquerda uma representação da mensagem do anjo Gabriel; e à direita, a resposta da Virgem Maria. Na parte de baixo podemos ver nas laterias o retrato do doador Joost e sua esposa Vijdt Lysbette Borluut.



2. - História


O retábulo foi mudado de local várias vezes ao longo dos séculos. O historiador de arte Noah Charney descreve o retábulo como uma das peças mais cobiçadas e desejadas da arte. Ela foi Vítima de 13 crimes e sete roubos. 

Após a Revolução Francesa o retábulo estava entre uma série de obras de arte saqueadas na Bélgica de hoje e levadas para Paris onde foi exposta no Louvre. Ela foi devolvida para Ghent em 1815 após a derrota francesa na batalha de Waterloo.

As laterais foram penhoradas pela diocese de Ghent em 1815 e  como ela não conseguiu resgatá-las, elas foram vendidas para um Inglês. Mais tarde elas foram compradas pelo rei da Prússia e por muitas décadas elas foram exibidas em Berlim. 

Alguns painéis que foram danificados por um incêndio em 1822, e os paineis com Adão e Eva, foram enviados para Bruxelas.

Durante a I Guerra Mundial, outros painéis foram retirados da catedral por forças alemãs. Sob os termos do fim da guerra, Tratado de Versalhes, a Alemanha devolveu todos os painéis e, em 1920, foram todos reunidos novamente em Ghent. 

Em 1934, os painéis do "julgamento dos justos" e "São João Batista" foram roubados. O painel de São João Batista foi devolvido, mas o painel do "julgamento dos justos aida está desaparecido. 

Como os  Alemães se lamentavam da perda dos painéis,  no início da outra invasão na II guerra em 1940, uma decisão foi tomada na Bélgica de enviar o retábulo para o Vaticano para mantê-lo seguro. 

A pintura já estava na França a caminho do Vaticano, quando a Itália declarou sua entrada na guerra aliada aos alemães. A pintura foi armazenada no vilarejo de Pau, sul da França, e representantes militares franceses, belgas e alemães assinaram um acordo que era necessário o consentimento de todo os três para que a obra fosse movida. 

Em 1942, Adolf Hitler ordenou que a pintura fosse apreendida e trazida para a Alemanha para ser armazenada no Castelo de Neuschwanstein, na Bavária.  

Depois que um ataque aéreo dos aliados tornou o local inseguro para a pintura, o retábulo foi armazenado em uma mina  de sal em Autausse na Àustria . 

Quando as tropas americanas se aproximavam do local, já no fim da guerra, uma alta patente alemã deu ordem de explodir a mina que abrigava essa e dezenas de utras obras de arte. Oito bombas de 500 kg foram colocadas dentro da mina, mas uma discordância dentro do estado maior permitiu evitar o desastre.

O retábulo foi recuperado pelos americanos ao fim da guerra e restituído aos Belgas em uma cerimônia presidida pelo Principe Charles. Nenhuma autoridade francesa foi convidada para a cerimônia porque os funcionários franceses do regime de Víchy haviam aceitado a sua transferência para a Alemanha.

3. - Referências

- Texto: Resumo retirado de

- Wikipedia Inglesa: The Ghent Altarpeice
- Wikipedia Francesa: L'agneau mistyque

Fotos: 

- Wikpedia: "Ghent Altarpiece"

Filme:

Os Caçadores de Obras Primas



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Igreja da Sagrada Família - Obra Prima de Antoni Gaudí

1 - As origens da Catedral


A ideia de construir uma catedral em homenagem a Sagrada Família veio do Livreiro de Barcelona, Josep Maria Bocabella. Como um fervoroso devoto  da fé católica, Bocabella foi em 1872 em viagem à Roma, presentear o Papa com um quadro de prata mostrando a Sagrada Família. Ele representava a Associação dos Devotos de São José, do qual ele fazia parte e foi presidente. Na volta da viagem, Bocabella passou por Loreto onde conheceu  a famosa Basílica cujo interior representa a casa onde Jesus, Maria e José teriam vivido em Nazaré. Encantado com a sua formosura, Bocabella logo pensou em reproduzir essa igreja em Barcelona. A ideia foi depois abandonada em prol de se construir uma igreja com projeto original catalão.






No final do século XIX, a Catalunha vivia um período de explosão cultural nas áreas de literatura, escultura e acima de tudo na área de arquitetura. Esse foi um dos fatores que motivou a construção de um projeto original.

2. - Finalidade e Localização:


A ideia de Bocabella era construir uma igreja como um templo de expiação dos pecados dos fiéis. Ele deveria ser construído totalmente à base de doações. A localização pretendida inicialmente por Bocabella era a área central do "Eixample". Entretanto devido a limitações de orçamento ele teve que se afastar um pouquinho mais. O terreno foi adquirido em 1881 por uma quantia equivalente a 1.034 euros oriundos das economias de Bocabella na sua livraria.


No mapa é possível ver a área central do Eixample, que foi totalmente concebida pelo arquiteto Cerdá. A Igreja da Sagrada Família se situa ainda no Eixample, mas um pouco mais no canto.

3. - Primeiro Projeto e Início da Construção


O primeiro projeto para a Igreja foi proposto por Francisco del Villar, um arquiteto diocesano que tinha oferecido seus serviços sem cobrar por eles. Del Villar planejou uma igreja no estilo neo-gótica,que estava na moda na época. A Igreja consistia de três naves, uma grande cripta e uma torre alta em forma de agulha com o sino.

A pedra fundamental foi lançada em 1882 e o trabalho iniciado loga em seguida. Logo após os pilares da cripta terem sido levantados começaram a aparecer divergências entre Del Villar e o assessor técnico de Bocabella. 

Del Villar queria construir as colunas com blocos inteiriços de pedra, enquanto o gerenciamento da obra defendia um sistema mais econômico com pedras pelas faces internas e externas mas com o interior preenchido com argamassas e tijolo. As diferenças tornaram-se decisivas e em 1883 Bocabella aceitou a demissão de Del Villar com medo que não houvesse fundos para construir a Igreja com as exigências de Del Villar.

4. - Gaudi toma conta da Obra.


Após a saída de Del Villar, Bocabella ofereceu o controle da obra para o seu assessor técnico, mas este não aceitou. Entretanto ele indicou Gaudí que era um de seus colaboradores. Nessa época Gaudí tinha poucos trabalhos implantados mas já era conhecido por sua dinâmica e originalidade. Gaudí assumiu a obra em 03 de novembro de 1883 e pouco a pouco foi introduzindo modificações no projeto no sentido de torná-lo mais naturalista, como era o seu mode ver a arquitetura e ambientação.



Biografia Resumida de Gaudí

1852 - Gaudí nasce na província de Tarragona.
1878 - Conclusão do curso de arquitetura.
1883 - Inicia o projeto "The Caprice em Cornillas e Casa Vincens em  Barcelona. Assume o projeto da Sagrada Família.
1886 - Início da construção do Parque Guell
1900 - Casa Calvet é premiada como melhor construção pelo City Council.
1904 - Recebe a encomenda para remodelar a Casa Bartló
1905 - Pere Milá entrega=lhe a construção de sua casa "La Pedrera".
1025 - Ele se muda para a "Sagrada Família";
1926 - Em 07 de julho ele é atropelado por um "bonde" e três dias depois ele morre com 74 anos de idade.

                               Casa Milá
                            Casa Bartló



5. - O Projeto de Gaudí - "Em busca do Templo Perfeito"



a) Forma Geral

Com o projeto sob sua responsabilidade Gaudí usou de toda sua criatividade mas tendo sempre em mente o objetivo final do projeto que era a celebração do rito religioso. Gaudí visualizou a Igreja como uma Bíblia feita de pedra e que na sua construção contaria os mistérios da crença em Jesus. No exterior  ele representou a Igreja através dos apóstolos, dos evangelistas, da Virgem Maria e dos Santos. A cruz em cima da torre principal simboliza o triunfo da Igreja de Jesus e as três fachadas invocam três momentos principais da vida de Jesus. Seu nascimento, morte e ressurreição. O interior representa a Igreja Universal e a travessia para a Jerusalém celestial.

b) Vizinhança


foto áerea do site www.sagradafamilia.org No início Gaudí pensou em uma estrutura com locação em formato de estrela com oito pontas e que pudesse dar a ideia de uma visão frontal de qualquer ponto que ela fosse observada. Depois, por questões de orçamento a obra foi locada como uma estrela de quatro pontas.
Com uma vista de cima percebe-se como a Igreja se destaca em relação às demais construções do bairro.


c) Fachadas

A Igreja contará com três fachadas principais: A Fachada da Natividade, a Fachada da Paixão e a Fachada da Glória. As duas primeiras estão concluídas e a Fachada da Glória que será a principal está em obras.




c.1 - Fachada da Natividade

Foi a primeira fachada a ser construída e teve a supervisão direta de Gaudí. Começou em 1894, terminou a parte relativa à fachada em 1920 e concluiu com as quatro torres em 1930.


Como é a fachada dedicada ao nascimento de Jesus ela é uma fachada mais festiva. Ela contém ainda três pórticos que são os pórticos da fé, da caridade e da esperança.





c.2 - Fachada da Paixão

Ao invés da exuberância da fachada da natividade a fachada da Paixão expressa a dor da morte de Cristo com austeridade na decoração. A sua construção durou de 1960 a 1969. 








c.3 - Fachada da Glória

Essa fachada que será a entrada principal, está em fase de construção. Dedicada à Glória celestial de Jesus, representa o caminho de ascenção a Deus: a Morte, o Julgamento Final e a Glória. As obras começaram em 2002.


d) Torres

A Igreja tem quatro conjuntos de torres, ao total de 18, distribuídas da seguinte forma:

Torre de Jesus: É a torre mais alta com 155 metros de altura com uma cruz de 15 metros no topo perfazendo uma altura total de 170 m.

Torre da Virgem Maria: A torre da Virgem Maria é a segunda mais alta e fica na abside (parte semicircular projetada para fora).

Torre dos Evangelistas: São quatro torres e cada uma delas tem em cima o símbolo dos evangelistas: Anjo, Urso, Leão e Águia.

Torres dos Apóstolos ou Torres sino: São doze torres dedicadas aos apóstolos. Elas tem 118 metros de altura.
  Detalhes das torres dos apóstolos

Atualmente a Igreja conta apenas com 08 torres prontas que são dois conjuntos de torres dos apóstolos ladeando cada fachada. As torres mais altas, a da Virgem Maria e a de Jesus serão as últimas a serem concluídas.


e) Interior


O interior da Igreja foi idealizado por Gaudí para ser como uma enorme floresta espiritual, um lugar de oração onde os fiéis se sentissem protegidos e unidos com Deus.


e.1 -  Nave 

O plano interior é na forma de um cruz latina e é constituída de cinco naves. Uma central e duas laterais na esquerda e duas na direita.


                          Nave principal (foto do site oficial www.sagradafamilia.org) 




e2 - Colunas

Gaudí engenhosamente criou colunas, até então inexistentes, na forma de troncos de árvores que se ramificavam no alto. Com isso ele conseguiu fazer colunas mais finas e que transmitiam o esforço da abóbada diretamente para o solo sem precisar fazer uso de arcos e contrafortes que eram as características das Igrejas Góticas.

Vejam nas fotos abaixo como as colunas se ramificam e como elas são muitas e esbeltas.



e.3 - Abóbada 

Culminando com sua ideia da nave como uma floresta, Gaudí idealizou o teto e a abóbada como folhas de palmeira e contendo orifícios por onde entra a luz.




e.4 - Vitrais


Os belíssimos vitrais com um colorido em harmonia com a arquitetônica, são resultado do trabalho do artista catalão Joan Vila-Grau






f. - Cripta

A Cripta foi a primeira parte da obra a ser construída e iniciou-se em 1882. Ela é composta de 12 capelas no total. Sete são dedicadas à sagrada família e dispostas em forma de rotunda. Cinco são em linha reta e entre elas está a capela central onde está situada o altar.


O altar é presidido por um relevo da Sagrada Família, obra de Josep Llimona. Nas abóba-das temos sempre um símbolo chave. Na abóbada central esse símbolo é um relevo policromático dedicado à Anunciação.


g. - Formato Final


Abaixo temos um vídeo oficial da Basílica da Sagrada Família que mostra como será a sua forma final depois de todo o projeto concluído. A previsão de término da obra é para 2026.




6. - Referências


- Texto: Visual Guide "The Basilica of La Sagrada Familia" 
- Fotos: A grande maioria são fotos próprias a não ser quando indicado.
- Complementação de texto: Wikipedia "Templo de expiação da sagrada família"
- Vídeo: site oficial da Basílica - www.sagradafamilia.org

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Museu de Arte Pré-Colombiana de Santiago, Chile

I - Introdução


Esse museu tem a finalidade de divulgar a arte e cultura dos povos que habitaram e desenvolveram o continente americano no período pré-colombiano. O Museu tem coleções de arte que são organizadas em exibições permanentes e temporárias, tem uma coleção de audio-visuais  como fotografias, vídeos, ...,. e também uma vasta biblioteca para consulta. Além de tudo isso o site do museu é excelente e se constitui uma ótima fonte para consulta. Visite em http://www.precolombino.cl/






II - Povoamento da América


Períodos de Formação


Dois períodos de formação do planeta, que os geólogos tem chamado de Pleistoceno e Holoceno, são o marco em que se desenvolve o povoamento do continente americano. O Holoceno é o período que estamos vivendo hoje, caracterizado por u clima quente em que a parte gelada se concentra grandemente nos polos. Essa situação ambiental prevalece há cerca de 11.000 anos.



                                         arte de Maurice Antón em www.plosbiology.org



Por outro lado o Pleistoceno, também conhecido como Era do Gelo, é a etapa anterior ao Holoceno e se caracteriza por um clima muito mais frio que o atual. Por essa razão enormes glaciares ocupavam parte importante da superfície terrestre. Os animais que sobreviviam eram principalmente aqueles que tinham uma maior resistência ao frio. Basicamente aqueles que podiam armazenar quantidade suficiente de gordura e que tinham pele e corpo resistente à baixas temperaturas. Por isso os animais desse período eram muito maiores que os atuais e nos referimos a eles como megafauna.


Ocupação Humana

Os arqueólogos, baseados em suas investigações, nos dizem que os grupos humanos que entraram na América, o fizeram durante os últimos períodos da glaciação, há cerca de 20.000 anos. 

A teoria mais aceita estabelece que a travessia ocorreu entre 20.000 e 15.000 anos, pela Sibéria e Alasca, quando o mar baixou seu nível e se formou um grande corredor (ponte de terra) que uniu Ásia com América do Norte. Esse corredor se denomina Beringia e hoje está submerso.






  arte de Roblespepe Poblamiento_de_America_-_Teoría_P_Tardío.png ‎

Grupos Humanos

Os grupos que chegaram nas américas eram grupos que se organizavam por laços familiares em torno de 40 a 50 pessoas que se moviam seguindo os grandes animais que emigravam da Ásia. Não existiam grandes diferenças sociais. Os homens maiores e os melhores caçadores eram os líderes que guiavam aos outros. Somente se destacavam aqueles que cumpriam as funções do Chaman, uma espécie de médico e guia espiritual.

Uma Nova Paisagem, um novo continente


A medida que os animais se recuperavam da exaustão, os grupos continuavam a se mover até chegar a um novo continente completamente desconhecido por eles. Depois de passar a área mais críticas, cercado por geleiras, eles chegaram mais ao sul onde havia uma nova paisagem. Planícies largas e espaços imensos, nova vegetação, florestas de vidoeiro, pinheiros e gramíneas, além de planícies salpicadas de lagos e lagoas. Essa viagem, a partir das costas e planícies da Sibéria para as primeiras pradarias norte-americanas, levou centenas de anos.

Nessas planícies viveram grandes herbívoros e predadores do Pleistoceno, juntamente com pequenos animais e uma grande quantidade de pássaros, coelhos e roedores, que se tornaram parte de sua dieta. Eles também acrescentaram novas espécies de ervas e frutas, expandindo e completando a sua dieta. Isso permitiu um aumento no número de pessoas, formando novos grupos que vão avançando até a Terra do Fogo em um período de duração de cerca de 20.000 anos. A esses grupos de pessoas que viveram e se adaptaram inicialmente na América são chamados de Paleoíndios.

fonte: material de professores, site precolombino.org.cl

III - Divisão em Regiões


O museu  está organizado por regiões que englobam países ou parte desses. Cada uma delas dá ênfase nas diversas culturas que a caracterizam:





     Região
     Países

    Cultura
 Mesoamérica  México, Guatemala,  Honduras, Salvador e parte  da Nicarágua
 Azteca, Chupicúaro e  Colima, Guerrero, Huetar e  Maya, Maya Pipil e Maya  Ulúa
 Caribe
 Mar do Caribe e Antilhas

 Taíno



 Intermedia


 Colômbia e Equador
 Bahía, Capuli, Chorrera e  Coclé, Cuasmal, Diquís,  Guangala, Jama-Coaque, La  Tolita, Machalilla, Manta,    Quimbaya, Tuncanhuán,  Valdívia, Veraguas
 Amazonas  Selva amazônica
 Marajoara


 Andes centrais  Perú e Bolívia
 Chancay, Chavín, Chimu, Ica-Chincha, Inka, Lambayeque, Maytas-Chiribaya, Moche, Nazcas, Parakas, Recuay, Tiwanaku, Vicús, Wari



Área sul-andina

Argentina Ciénaga, Condorhuasi, La Aguada, Santa María, Tafí

Chile

Chile Chinchorro, Azapa e outros bastante detalhados.

Obs: Apesar do Chile fazer parte da região dos Andes do Sul, foi criado uma área de exposição individual devido a ser o país sede do museu.


IV - Coleções  



Das diversas peças expostas da coleção de cultura pre-colombiana, escolhemos apenas algumas  para ilustrar o que existe no museu. Por ordem cronológica:

a) Cultura de Chorrera - 1800 a 300 a.c. (Intermedia)

A cultura de Chorrera ocupou a costa sul do Equador, que se estende ao longo da bacia do rio Guyas e seus afluentes. Esses rios eram seu local de oferta e corredor de tráfego. O território inclui as províncias de Guayas, Manabi e Esmeraldas.





b) Olmeca - 1200 a 200 a.C. (Mesoamerica)

A cultura olmeca desenvolveu-se nos estados mexicanos de Veracruz e Tabasco, território delimitado pelo Golfo do México e as terras altas do sul do país. Esta área é caracterizada por ter muita água, com rios, lagos e grandes áreas de zonas úmidas. Ela reina sobre uma selva tropical povoada por animais como onças, antas, javalis e macacos. Em seu auge, a influência desta cultura se espalhou por toda Mesoamérica.



Figuras antropomorfas




c) Chavin - 1000 a.c a 400 a.c. (Andes centrais)

A cultura Chavin deriva seu nome do sítio arqueológico de Chavin, localizado em um vale fértil do planalto peruano-central a 315 m de altitude.






d) Cultura de Nazca - 100 a 700 d.c. (Andes centrais)

A cultura Nazca se desenvolveu nos vales e na costa sul do Perú no período de 100 a 700 dC.


As peças mostradas abaixo são garrafa, vaso e gorro do período.





e) Cultura Maya - 600 a 900 d.c.(Meso America)


A cultura maia se desenvolveu ao longo de uma vasta área, a partir do sul, região central do México até a Guatemala e Honduras. Essa área é composta de três diferentes regiões: as montanhas ou terras altas; a selva tropical ou terras baixas; e as terras baixas do Golfo do México e Península de Yucatan;

 Guerreiro Maia / Vasos





f) Cultura Azteca - 1200 a 1520 d.c. (Mesoamerica )

Os astecas ocuparam o planalto central do México, fundando sua capital Tenochititlán nas margens do lago de Texcoco. Em sua fase imperial eles cresceram muito do centro do México, desde a costa atlântica à costa do Pacífico.


Tambor Teponaztli
Período: 1430 a 1600 d.c.

        A música era de vital importância para as características dos festivais religiosos do povo asteca. Estas cerimónias incluíam danças, cantos, discursos e poemas,  os quais eram acompanhados por grupos de músicos que executavam de preferência instrumentos de sopro e percussão. Nesta última categoria pertence cilindro de madeira, teponaztli em Nahuatl, representando um personagem masculino com asas. Obtinha-se dois sons, batendo martelos de borracha cobertos na sua extremidade superior.


g) Incas - 1200 a 1535 d.c. (Andes Centrais)


Tawantisuyu, nome dado pelos incas para seu império, cobriu um território enorme e variado das terras altas do norte do Equador  até o Rio Maipo no Chile, e do Oceano Pacífico até às encostas orientais dos Andes. Nestes vastos domínios, os incas tiveram acesso a diferentes recursos de tais ambientes tão diferentes e contrastantes. Seu centro estava em Cuzco, capital religiosa e secular que irradiava caminhos para as quatro regiões do império; Chinchaysuyu, Kontisuyu, Kollasuyu e Antisuyo.




h) Cultura dos  Mapuches (Chile)


Os mapuches utilizavan estas enormes estatuas de madeira nos  ritos funerários (velório). Uma larga lista de parentes e amigos pronunciava discursos falando do morto e recordando suas realizações. No final do velório a estátua era erigida junto ao túmulo para assinalar o lugar onde oermaneceria o corpo. 








V - Localização



                                   foto do site oficial do museu www.precolombino.cl


O museu funciona em uma das mais importantes construções da cidade. O edifício em estilo neoclássico, foi construído em 1805 para abrigar o Palácio real da Alfândega. 

Localizado a uma quadra da Praça de Armas, o local sempre ocupou um lugar importante na história de Santiago. Em 1555 essa área foi concedida para o primeiro governante de Santiago, Don Juan de Cuevas, instalar a sua residência. Em 1635 os Jesuítas instalaram no local o Colégio / Seminário de São Francisco Xavier. 

Mais tarde, entre 1805 e 1807, o governador Luis Munoz mandou construir o Palácio da Alfandega. 

Em 1968 um grande incêndio destruiu o prédio e os seus arquivos quase que integralmente. A partir de 1980, após a restauração, o prédio foi então destinado ao uso do Museu de Arte Pré-Colombiana.



VI - Referências


Esse blog tem como finalidade divulgar o museu de arte precolombiana de Santiago - Chile, bem como ajudar a divulgar a arte e cultura dos povos americanos. 

Recomendamos a todos que viajarem a Santiago a fazerem uma visita ao Museu e àqueles que não puderem vê-lo pessoalmente que visitem o site www.precolombino.cl

Com exceção da primeira foto que realizei durante minha visita, todas as outras são de propriedade do museu precolombino. O texto é integralmente retirado do site www.precolombino.cl