quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Praga, República Tcheca - A pequena Paris da Europa Central

I - Conhecendo Praga e sua História


historia de Praga Castelo
Vista do Castelo de Praga com a Catedral de São Vito ao fundo, foto de HistoriacomGosto

Praga tem sido  chamada ao longo do tempo de "a pequena Paris", onde se ressaltam as características de uma cidade  bonita, arquitetura medieval conservada e com cerveja, comida e hotéis mais baratos que a sua prima mais famosa. Acontece que na história, já houve época em que Praga superou París em opulência e beleza. Depois de vários períodos em que sua identidade foi sendo formada lentamente, a Praga de hoje quer nos contar a sua história.


II - Historia do Reino da Boêmia e Praga, sua Capital



II.1 - Período Inicial - Ocupações Itinerantes (séculos V ac a IX dc)


Os boios eram a principal tribo que habitava aquela zona por volta do século V a.c, e a eles se deve o nome da Boêmia. Os boios foram expulsos pela tribo germânica dos marcomanos que permaneceram até o século I d.c. 

Entre os séculos V e VIII, a Boêmia foi ocupada pelos eslavos e, mais tarde, pelos ávaros.


II.2 - Dinastia Presmílida - Formação de um povo (séculos IX dc a XIII dc)



A partir de 800 d.c. a luta pela supremacia da região fez surgir a dinastia dos Presmílida. A cidade floresceu no século XIII, quando Venceslau I, rei da Boêmia, estabeleceu comunidades de colonos alemães, que contribuíram para o seu rápido desenvolvimento e para a construção da cidade antiga, que data de 1232, sendo já nesta altura um importante centro comercial.


II.3 - Consolidação do Reino - Florescimento Cultural (séculos XIII dc a XVI)


O reino da Boemia foi estabelecido formalmente em 1212 por meio da Bula de Ouro da Sicília, promulgada pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico II. Seu primeiro rei foi Otacar I da Boêmia, que pertencia à dinastia Presmilida.


No reinado de Carlos IV, Imperador do sacro-império romano, Praga atingiu seu apogeu sendo na época um cidade maior que Paris.

Carlos IV

 carlos iv
Filho de João I da Boêmia, Carlos IV assumiu o trono da Boêmia em 1346. No mesmo ano, foi coroado também como Rei dos Romanos e em 1355 como Imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Carlos IV inicialmente trabalhou para assegurar seu poder. A Boêmia tinha permanecido quase intocada pela peste negra. A cidade de Praga tornou-se a capital de Carlos IV e foi reconstruída inspirada em Paris. Carlos fundou a Cidade Nova de Praga e em 1348 a primeira Universidade da Europa Central que levava o nome da cidade.

Logo  Praga se tornou um centro intelectual e cultural da região. Além disso, Carlos IV mandou construir uma ponte de pedra sobre o rio Moldava que foi chamada de Ponte Carlos e é, até hoje, símbolo da cidade. A Ponte Carlos unia a Cidade Nova à Cidade Velha e ao Castelo de Praga. A cidade cresceu tanto que na época chegou a ter quarenta mil habitantes se tornando uma das cidades mais populosas da Europa.


O primeiro reitor tcheco da universidade de Praga foi o reformista Jan Hus que baseado nas idéias de John Wycliff pregava sobretudo uma ligação direta com Deus, independente da intermediação da Igreja. Foi condenado por heresia pela Igreja Católica e queimado na fogueira em 1415. Seguiu-se então em Praga, um período conturbado devido as reações dos seguidores de Jan Hus, denominados Hussitas. 

II.4 Dominação Germânica: Séculos XVI a XX (1918)


No século 16 após uma sucessão de reis fracos os Habsburgos tomaram o poder permanecendo por quase 400 anos.

Fazia parte do Reino da Boêmia os estados da Boêmia, Silésia e Morávia.

II.5 Período recente: > 1918


Em 1918 praga se tornou capital da República Independente de Tchecos e Eslovacos. 

Entretanto, com a II guerra Mundial, Praga veio a ser ocupada pelo exército alemão. Com o término da guerra, Praga passa a fazer parte do pacto de Varsóvia até que após a tentativa de liberalização em 1968 conhecida como "Primavera de Praga", que foi reprimida pelos soviéticos, sua autonomia foi conseguida em 1989 após a "Revolução do veludo". Em 1993 foi fundada a república Theca após a separação da Thecoeslováquia.


III - Resumo Histórico das grandes dinastias da Boêmia


Três grandes dinastias marcaram a história de Praga: Presmílida, Luxemburgo e Habsburgo.

a) Dinastia Presmílida: (século IX até 1306)

Durante o reino da dinastia local Přemysl, o estado tcheco foi adquirindo força gradualmente e conseguiu preservar a sua soberania, apesar da ligação de dependência ao Sagrado Império Romano.


Coroação do Primeiro rei da Boêmia - Vladislav

(935-973) - Morte do príncipe Wenceslau, santo padroeiro da Boêmia 
(973-976) - Estabelecimento do bispado de Praga 
(1085-1212) - Vratislav tornou-se o primeiro príncipe da Boêmia a ter o direito de usar o título de rei.
(1212-1306) - Přemysl Otakar I recebe a "Bula de Ouro da Sicília", um decreto proclamando a Boêmia um reino e os príncipes da Boêmia reis hereditários. 
(1306)- Assassinato de Wenceslau III e a dinastia Přemysl acaba por falta de sucessores legítimos ao trono

b) Dinastia dos Luxemburgos


(1310-1346) Essa dinastia começou quando João de Luxemburgo foi eleito Rei da Boêmia.
(1346-1378) O reino da Boêmia atingiu o seu auge de poder e prestígio durante o reinado de Carlos IV o segundo dos Luxemburgos no trono da Boêmia
1344 Fundado o arcebispado de Praga e estabelecido a Universidade de Carlos em 1348 .
1345 Carlos IV foi coroado Imperador Romano em Roma


historia praga ponte carlos

c) A Dinastia dos Habsburgos (1526-1918)


Os Habsburgos da Áustria sucederam ao trono da Boêmia quando a linha dos Jagelões desapareceu. O reino dos Habsburgos reintroduziu a fé Católica Romana, a centralização e a construção de um império multinacional. Os Habsburgos incluíram as Terras da Coroa da Boêmia na sua monarquia, as quais permaneceram parte do império Habsburgo até 1918. 

(1576-1611) - Quando Rudolf II (1576-1611), durante seu reinado, saiu de Viena e foi para Praga, a capital da Boêmia cresceu e tornou-se novamente um importante centro da cultura Européia. Os Estados Tchecos forçaram Rudolf II a emitir um decreto - o então chamado "Maiestatus" - proclamando a liberdade da profissão da fé religiosa.

Os imperadores Mathias e Ferdinand tentavam limitar esta liberdade e os seus esforços desencadearam uma guerra civil entre os Estados e o Imperador Católico, a qual se espalhou mais tarde pela Europa sob o nome de Guerra dos Trinta Anos. 

(1620~1918) - Os Estados tchecos foram vencidos em 1620 na Batalha da Montanha Branca e o Reino da Boêmia perdeu a sua independência nos quase 300 anos seguintes. O período da Guerra dos Trinta Anos trouxe desordem política e a devastação econômica para a Boêmia, tendo consequências duradouras no desenvolvimento futuro do país. O povo da Boêmia tinha que fazer a opção entre a fé Católica ou a emigração. O trono da Boêmia tornou-se hereditário para a dinastia Habsburgo e as repartições mais importantes foram permanentemente transferidas para Viena.


Fundação da Nação Moderna Tcheca

Embora o movimento tcheco do renascimento, no início, visava apenas a revitalização da língua e da cultura tchecas, o mesmo também logo começou a buscar uma emancipação política. No ano revolucionário de 1848, os políticos tchecos apresentaram a primeira proposta coerente com o propósito de reconstruir o império e torná-lo um estado federalista. O desejo de emancipação nacional foi sustentado pela industrialização rápida da Boêmia, a qual fez com que o país se tornasse o território mais desenvolvido da monarquia, na segunda metade do século 19.


IV - Influência religiosa:


São Cirilo e São Metódio

Em cerca de 863, esses dois irmãos gregos vindos de Tessalônica trouxeram o cristianismo para a Morávia. Eles logo batizaram o Premislida Borivoj e sua mulher Ludmila, avó de São Venceslau.

São Venceslau

O bondoso monarca da Boêmia, Vratislau, antes de morrer, deixou, como herdeiro do trono, seu filho Venceslau, nascido no ano 907, na atual República Checa. Com isso, despertou em sua mulher, Draomira, a ira e a vingança, pois era ela própria que desejava assumir o governo do país.  O seu outro filho, Boleslau,  tinha herdado o caráter e a falta de escrúpulos da mãe, enquanto Venceslau fora criado pela avó  Ludmila, que lhe ensinou os princípios de bondade cristã. Assim, Venceslau, acabou assassinado pelo irmão, de acordo com um plano diabólico da malvada rainha.

Mas antes que isso acontecesse, a mãe tomou à força o poder e começou uma grande e desumana perseguição aos cristãos. Como consequência, por sua maldade e impopularidade junto ao povo, foi deposta pelos representantes das províncias, que fizeram prevalecer a vontade do rei Vratislau, elevando ao trono seu filho Venceslau. Imediatamente, seguindo o conselho da avó, Venceslau levou de volta ao reino o cristianismo.

Venceslau era um obstáculo difícil, pois, em muito pouco tempo, já tinha conquistado a confiança, a graça e a simpatia do povo, que via nele um verdadeiro líder, um exemplo a ser seguido. Dedicava-se aos mais pobres, encarcerados, doentes, viúvas e órfãos, aos quais fazia questão de ajudar e levar palavras de fé, carinho e consolo.

A popularidade de Venceslau cresceu ainda mais quando, para evitar uma batalha com o duque Radislau, que se opunha ao seu governo cristão, propôs que, em vez de entrarem em guerra, duelassem entre si, evitando, assim, a morte da população inocente. Quem vencesse ficaria com o poder. No dia e na hora marcada, os adversários encontraram-se no campo de batalha.

No dia 28 de setembro de 935, durante a festa de batismo de seu sobrinho, enquanto todos festejavam, Venceslau retirou-se para a capela para rezar. Boleslau invadiu a capela e apunhalou o irmão no altar da igreja. 

O seu corpo foi sepultado na igreja de São Vito, em Praga. Desde então, passou a ser cultuado como santo. A Hungria, a Polônia e a Boêmia têm em são Venceslau seu protetor e padroeiro. Mais tarde, no século XVIII, a Igreja inscreveu são Venceslau no calendário litúrgico, marcando o dia 28 de setembro para a sua festa. 
(fonte: Edições Paulinas)

Santa Inês da Boêmia

Bastante devota, Inês, irmã de Venceslau I construiu um convento para a ordem das Clarissas. Ela foi canonizada em 1989

V - Organização da Cidade


Praga pode ser dividida em seis regiões: Castelo de Praga, Hradcany, Cidade Velha (Staré Mesto), Malá Strana, Cidade Nova, Bairro Judeu. 

V.1 - Castelo de Praga e Hradcany


A história de Praga se iniciou com a fundação de uma cidadela no século IX pelo príncipe Borivoj em uma posição elevada acima do rio Vltava. O Castelo como foi chamado tornou-se o centro das terras governadas pelos Premíslida. Dentro de suas muralhas havia um palácio, três igrejas e um mosteiro . Por volta de 1320, um povoado chamado Hradcany formou-se ao seu redor. Desde 1918 é a sede do governo da República. As principais construções dentro do castelo são: Catedral de São Vito, Basílica de São Jorge, Palácio Real, Palácio Lobkowicz, viela dourada






Catedral de São Vito

A obra mais magnífica de Praga é a Catedral de São Vito. Ela se iniciou em 1345 por ordem de John de Luxemburgo e só foi terminada no século XX. A sua arquitetura é no estilo neo-gótico. O seu interior conta com várias relíquias e também é adornada com maravilhosos vitrais.


catedral de sao vito historia praga catedral sao vito
Casa onde viveu Kafka
Interior da Catedral de São Vito

V.2 - A Cidade Velha  


O coração de Praga é a cidade velha e em especial a sua praça central. Desde 1091 existem citações a um mercado na atual praça da cidade velha (Staromestske namesti). Casas e igrejas foram construídas em torno da praça criando um desenho tortuoso. Os pontos importantes são: A Prefeitura da cidade Velha, a Igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn, palácio Kinsky, o relógio astronômico, e a casa storch.  



Praça principal da Cidade Velha (Staromestske namesti), foto HistoriacomGosto

Visão geral da praça vendo-se frontalmente a esquerda o Palácio Kinski e a direita a Igreja de Nossa Senhora diante de Tyn.



Prédio com decoração art-noveau
Relógio Astronômico
Prédio com decoação art noveau

 O relógio astronômico de Praga


O relógio astronômico de Praga foi construído em 1410 pelo relojoeiro Mikulas de Kadan e pelo professor de matemática e astronomia Jan Sindel. Ele é composto de três partes principais: O mostrador Astronômico, o mostrador calendário e a Procissão dos Apostólos;


- No mostrador astronômico são representados a posição do Sol e da Lua no céu.

- No mostrador calendário temos a representação dos meses.

- A procissão dos apóstolos é realizada antes de cada mudança de horário e é composta  do movimento das doze estátuas, seis em cada janela lateral, finalizando com o cantar do galo.




A mudança de horário é um evento em que os turistas se juntam  em frente do prédio da prefeitura para observar a criatividade dos artesão da época.


V.3 - Malá Strana e a Ponte Carlos


Construída em 1357 por ordem do Rei Carlos IV, a ponte com o seu nome é uma das principais atrações turísticas de Praga. Ela liga a cidade velha à região de Mala Strana (bairro erguido no declive abaixo do castelo de Praga) e hoje é liberada somente para pedestres. A ponte tem um comprimento de 516 m e largura de quase 10 metros. A ponte se apoia sobre 16 arcos e  está decorada por 30 estátuas situada de ambos os lados.

praga
    (fotolia)

Partes mais simbólicas:

Crucifixo: Por 200 anos, a cruz de madeira foi o único adorno da ponte. O cristo é de 1629.

Santa Lutgarda, 1710:  Essa estátua foi esculpida por Matthias Braun quando ele tinha 26 anos. Baseia-se na célebre história da freira cisterciense que era cega e voltou a enxergar quando Jesus apareceu e ela beijou suas feridas. 

estatuas ponte carlos praga

historia de prga


V.4 - Cidade Nova


Fundada em 1348 pelo imperador Carlos IV, a cidade nova (nové mésto) foi cuidadosamente planejada e construída em torno de três grandes mercados centrais:o Mercado de forragem, o mercado de gado e o mercado cavalos. Sendo a sua área o dobro da cidade velha, ela logo foi habitada por comerciantes e artesãos. No final do século 19 ela foi quase toda demolida e reconstruída, ganhando a aparência atual. Pontos importantes: Museu Nacional, Ópera estatal, praça Venceslau, Hotel Europa. Igreja de Nossa Senhora das Neves, Teatro Nacional.


         Praça São Venceslau - Principal local das manifestações populares da "Primavera de Praga"


         Hotel Europa               Teatro Nacional
praça são venceslau - praga      Praça e estátua de São Venceslau                Museu Nacional

V.5 - Detalhes das construções de Praga


Uma dos grandes atrativos de Praga é a riqueza de detalhes nas casas antigas, vitrines de estabelecimentos comerciais e mesmo indicação de lugares públicos. A seguir colocamos alguns exemplos.







VI - Os judeus na sociedade de Praga


Na idade média, duas comunidades judaicas viviam na Cidade Velha: Os judeus vindo do ocidente ocupavam a área ao redor da Sinagoga Velha-Nova, e os do Império Bizantino ficavam perto da Sinagoga Velha (a atual Sinagoga Espanhola). Os grupos acabaram fundindo-se e foram confinados num gueto. Por séculos os judeus de Praga sofreram a opressão das leis - no século 16, por exemplo, tiveram de exibir um círculo amarelo como marca de vergonha. O reinado mais esclarecido de Rodolfo II viu o prefeito judeu Mordechai Maisel ser escolhido como conselheiro financeiro.

           




















Em 1850, a área foi oficialmente incorporada a Praga. Na década de 1890, as autoridades decidiram destruir o gueto, pois a falta de saneamento ameaçava a saúde pública. Contudo foram poupados a Prefeitura, diversas sinagogas e o velho cemitério judaico.  fonte (guia visual de Praga)

VII - A literatura de Kafka.


De natureza judia, Kafka viveu na época (1883~1924), em que os tchecos e judeus se dividiam nos grupos que falavam alemão devido a influencia da dinastia Habsburg, e os nativos que preservavam o seu idioma tcheco.


Kafka estudou direito e trabalhou em uma companhia de seguros começando a escrever no seu tempo livre. Poucos trabalhos seus foram publicados enquanto ele estava vivo e os seus romances mais famosos como O Processo, O Castelo, e Metamorfose somente foram conhecidos porque o seu amigo Max Brod ignorou o seu desejo de ter seus manuscritos destruídos e os publicou. 


O termos Kafkiano tornou-se símbolo de algo complicado, labiríntico e surreal como as situações encontradas em sua obra. 


VIII - A Primavera de Praga


A primavera de praga foi um movimento político liderado por intelectuais do Partido Comunista Tcheco com o objetivo de promover uma abertura na estrutura política, econômica e social no regime imposto pela União Soviética. O Movimento iniciou-se em janeiro de 1968 com a chegado ao poder do reformista Alexander Dubcek. O seu objetivo era fazer uma revisão da Constituição ampliando as liberdades e os direitos civis dos cidadãos. Ela abrangia no aspecto político o fim do monopólio do partido comunista e a livre organização partidária. Por fim a liberdade de imprensa, poder judiciário independente e a tolerância religiosa complementavam as propostas de Dubcek logo encampadas pela maioria da população. 

No mês de junho, um texto de “Duas Mil Palavras” saiu publicado na Liternární Listy (Gazeta Literária), escrito por Ludvík Vaculík e assinado por personalidades de todos sectores sociais, pedindo a Dubcek que acelerasse o processo de abertura política.


© Vldimir Lammer, Wenceslas Square, Prague, 1968


A União Soviética, temendo a influência que uma Tchecoslováquia democrática e socialista, independente da influência soviética e com garantias de liberdades à sociedade, pudesse passar às nações socialistas e às "democracias populares", mandou tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 21 de Agosto de 1968. Dubcek foi detido por soldados soviéticos e levado a Moscou. Na cidade de Praga a população reagiu à invasão soviética de forma não violenta, desnorteando as tropas. De certa forma, a população se inspirou em um livro picaresco muito popular, "O valente soldado Chveik", onde o personagem usava de travessurar para expulsar as tropas invasoras. 

(Fonte: Wikipedia - Primavera de Praga)


IX - Devoção Religiosa - Menino Jesus de Praga


Fernando II, imperador da Alemanha, para expressar sua gratidão a Nosso Senhor pela insigne vitória alcançada em uma batalha, construiu em 1620, na cidade de Praga, um convento de Padres Carmelitas. A Boêmia passava por momentos muito difíceis, assolada por guerras sangrentas. A cidade de Praga era vítima das mais indizíveis calamidades. Neste contexto, chegam estes excelentes religiosos, cujo mosteiro carecia até do indispensável para sua sobrevivência. Nessa época, vivia em Praga a piedosa princesa Policena Lobkowitz. Sofrendo na alma as prementes necessidades dos Carmelitas, presenteou-lhes com uma pequena estátua de cera, de 48 cm., que representava um formoso Menino Deus, de pé, com a mão direita erguida em atitude de bênção. A mão esquerda segurava um globo dourado. Seu rosto era muito amável e gracioso. A túnica e o manto tinham sido confeccionados pela própria princesa. Esta, ao dar a estátua aos religiosos carmelitas, disse-lhes: "Meus padres, entrego-lhes o maior tesouro que possuo neste mundo. Prestem muitas honras a este Menino Jesus e nada lhes faltará." 

Os Carmelitas, muito agradecidos, receberam a estátua. Colocaram-na no oratório interno do convento, passando a ser venerada por aqueles bons religiosos, especialmente pelo Padre Cirilo. Sem dúvida, este homem poderia receber o título de "Apóstolo do Divino Menino Jesus de Praga". Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga. A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé. Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino. Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar. Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem. Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos. A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam. Certo dia, o Pe. Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras: "Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei". A situação melhorou consideravelmente, mas como a imagem continuava no mesmo estado, o Pe. Cirilo não se cansava de se lamentar diante de seu generoso protetor, quando ouviu de seus divinos lábios estas palavras: "Coloca-me na entrada da sacristia e encontrarás quem se compadeça de mim". Com efeito, apareceu um desconhecido que, notando o belo Menino desprovido de mãos, ofereceu-se espontaneamente para colocá-las, não demorando a ser recompensado: em poucos dias ganhou uma causa quase perdida, com a qual salvou sua honra e sua fortuna. 

Contentaram-se em colocar a imagem na Capela exterior, sobre o altar-mor, até 1642, quando a princesa Lobkowitz mandou construir um novo santuário, inaugurado em 1644, no dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Vinham pessoas de todas as partes para prostrar-se diante do milagroso Menino: pobres, ricos, enfermos, toda espécie de pessoas referiam-se a Ele como remédio para todas as suas tribulações. Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes. O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação. Graças e maravilhas incontáveis atribuídas ao "pequeno Grande" (assim chamam na Alemanha o Menino Jesus de Praga), divulgaram-se nas regiões mais longínquas, o que fez seu culto se espalhar até os nossos dias de uma maneira prodigiosa. Texto retirado de http://webcatolicodejavier.org/portugues/origenninoport.html