terça-feira, 26 de março de 2013

Olinda, Pernambuco. O Brasil Colonial no Nordeste


I - A Colonização do Brasil através de Capitanias Hereditárias



Olinda, pernambuco, Brasil - Igreja do Carmo
Igreja do Carmo vista do alto da Sé

Em 1530 Martim Afonso veio ao Brasil e fundou a vila de São Vicente em 1532 iniciando o processo de colonização do Brasil. 

Quando em 1532, Dom João III finalmente reconheceu que os franceses não estavam respeitando os acordos comerciais e continuavam traficando pau-brasil, tomou a decisão de implantar um sistema de colonização das novas terras semelhante ao utilizado nas ilhas de Açores, Madeira, ...,. 

Deu-se início então ao processo de divisão do território brasileiro em "Capitanias Hereditárias". A primeira delas foi doada a Duarte Coelho, militar português que havia prestado brilhantes serviços ao reino nas áreas de comercio das Índias e Africa. 

A capitania doada a Duarte Coelho foi a capitania de Pernambuco e fazia limites com as capitanias de Itamaracá e Bahia. 

Duarte Coelho recebeu sua capitania em março de 1534, e em outubro, com duas caravelas e cerca de 200 colonos, partiu para o Brasil em companhia de sua esposa D. Brites, para tomar posse de seu território. A frota de Duarte Coelho chegou ao seu destino em março de 1535 e encontrou-se com alguns portugueses que habitavam a ilha de Itamaracá desde o início de 1531. Duarte Coelho se estabeleceu inicialmente na antiga feitoria de Igaraçu ali fundando a Vila de Cosme e Damião. Passados alguns meses de permanência nesse local, ele iniciou uma caminhada para o centro onde se encantou com uma área de colina a menos de 30 km de Igaraçu, e  que estava habitada pelos índios Caetés. Duarte Coelho gostou tanto dessa área que empreendeu um ataque poderoso contra os índios expulsando-os da região. 

Essa área para Duarte Coelho era estratégica pois dava acesso a praia e ao rio. 

Olinda, pernambuco, Igreja da Graça
Igreja da Graça
Olinda, pernambuco, Igreja da Graça
Igreja da Graça

No ponto mais alto da colina, onde hoje ainda temos a igreja da Misericórdia, Duarte Coelho erigiu a sua casa (castelo).


Ainda de acordo com o historiador Eduardo Bueno, cajueiros, pitangueiras e macaibeiras eram as plantas da mata nativa. Os coqueiros e mangueiras que hoje fazem parte da paisagem de Olinda, vieram da  Ásia e foram plantados ali pelos jesuítas, a partir de 1551. 

Duarte Coelho trabalhou arduamente para a construção da vila, incentivando a coexistência com os nativos e posteriormente implantou engenhos de cana para a produção de açúcar. As capitania de São Vicente, de Martim Afonso, e Pernambuco de Duarte Coelho foram as únicas que se desenvolveram no início do Brasil

II - O nome da localização - Ó Linda e o alto da Sé


Existem três versões para o nome da cidade.

a) A versão mais popular é que diante de tanta beleza um dos auxiliares de Duarte Coelho teria exclamado, Óh Linda localização.

b) Alguns escritores acham essa versão fantasiosa e indicam que o nome deveria ser homenagem a alguma quinta / propriedade de Portugal já que era comum denominações do tipo Linda-a-Pastora, Linda-a-Velha, ...,.

c) Olinda era o nome de uma heroína de um romance medieval de cavalaria, muito comum na época que se chamava Amadis de Gaula.

Independente da origem o importante é que todas se referem a beleza da localização. Essa beleza é homenageada em várias canções e romances sendo uma delas a de Moraes Moreira, que fala que "Ólinda situação, ..., ela é linda no verão e no inverno é bela".

Olinda, Brasil Colonial, Igreja da Sé
Igreja da Sé

Igreja da Sé

A igreja da Sé teve sua construção iniciada em 1537 e foi dedicada a Jesus Cristo, Salvador do Mundo, padroeiro da cidade. Na nave central da Igreja está sepultado o ex-arcebispo de Olinda, Dom Helder Câmara. 


III - O desenvolvimento posterior de Olinda 


Com o extrativismo do pau-brasil e o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar, Olinda tornou-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia, enriquecendo a tal ponto que disputava com a Corte portuguesa em luxo e ostentação. O traçado urbano da vila configurou-se, ainda no século XVI, com a definição dos caminhos e com a ocupação dos principais promontórios pelos religiosos.

fonte: site http://www.olinda.pe.gov.br/a-cidade/historia


IV - As ordens religiosas no início da Colonização


a) Jesuítas


Os Jesuítas chegaram no Brasil junto com o primeiro governador geral Tomé de Souza em  março de 1549. Chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega, entre eles estava também o padre José de Anchieta que foi mestre-escola do colégio em Piratininga e missionário em Piratininga, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Dedicados a evangelização dos nativos e a educação de um modo geral, os jesuítas logo foram se expandindo. Em 1568 fundaram o Colégio Jesuíta de Olinda. Foi o quarto colégio fundado no Brasil.

1554 - Escola de São Paulo de Piratininga
1554 - Escola da Bahia
1556 - Colégio Jesuíta de "Todos os Santos"
1567 - Colégio Jesuíta do Rio de Janeiro
1568 - Colégio Jesuíta de Olinda

Igreja da Graça

autor das 03 fotos: Ricardo André Frantz

A igreja de Nossa Senhora da Graça foi uma das primeiras igrejas a serem construídas no Brasil. Originalmente erguida como um oratório de taipa no ano de 1551, por ordem de Duarte Coelho, fazia parte de uma propriedade doada aos Jesuítas para que se iniciassem a catequização dos indígenas no local, e deveria incluir um colégio e um jardim botânico, instalados mais tarde. Com o incendio de Olinda em 1631 o complexo foi seriamente danificado.

Texto de Lúcio Costa sobre a Igreja da Graça.

Essa igreja quinhentista tem sido dada como "reduzida a cinzas" pelos holandeses, considerando-se o edifício atual uma reconstrução de fins do século XVII, destituída de maior interesse. Os estudos efetuados pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mostram, entretanto, de forma inequívoca, que essa igreja é, de fato, a primitiva. Com efeito: 1°) os altares colaterais são contemporâneos da construção de fins do século XVI, conforme se poderá constatar adiante, quando tratarmos com mais vagar da arquitetura interna das igrejas jesuíticas; 2°) o risco da igreja, tanto pelo seu interior como pela fachada, baseia-se, efetivamente, na "traça" da igreja de São Roque, da Casa Professa dos Jesuítas, em Lisboa, cujo fron- tispício - a única parte do prédio que sofreu com o terremoto - foi, ao que parece, reconstruído com aproveitamento do material primitivo; 3°) no panorama de Olinda, de Franz Post,  observa-se muito claramente que os danos causados pelo incêndio - da mesma forma que em Lisboa com o terremoto - não foram de molde a desmantelar o edifício. 
Esta igreja de Olinda, projetada pelo arquiteto jesuíta Francisco Dias, um dos colaboradores de Filipe Tersi - o arquiteto levado de Roma para Lisboa pelos jesuítas, especialmente para construir a igreja de São Roque - é, pois, a única igreja jesuítica quinhentista, com pedigree, ainda existente no Brasil, uma vez que a autenticidade do arcabouço da de São Vicente, que de qualquer forma não terá filiação tão definida, ainda não está, apesar dos indícios, comprovada."


b) Franciscanos



Os Franciscanos estão presente na história religiosa do brasil desde a primeira viagem de Pedro Alvares Cabral, onde a primeira Missa celebrada no território brasileiro foi pelo frade franciscano Frei Henrique de Coimbra em 26 de abril de 1500 no ilhéu de Coroa Vermelha. 

Os primeiros franciscanos chegaram a Olinda em 1585

Olinda, pernambuco, Brasil Colonial, Convento Franciscano
Igreja e Convento Franciscano
Convento Franciscano


Uma expedição chegou a Pernambuco aos 12 de abril de 1585 e foi recebida com grandes demonstrações de júbilo e veneração. O primeiro Convento que se fundou foi o de N. Sra. das Neves de Olinda.

Uma generosa benfeitora, D. Maria da Rosa, havia anteriormente construído para os frades uma casa com capela ao lado e de tudo fez doação à Ordem por escritura de 27 de setembro de 1585. Oito dias depois, na festa do Seráfico Patriarca, os fundadores passaram para essa residência em solene procissão, assistida pelo donatário com seu senado, clero e muito povo.

Desde logo iniciaram os frades o seu trabalho na vila e arredores e de tal modo granjearam a estima de todos que, decorrido apenas um ano, isto é, em 1586, abriram noviciado para os candidatos à Ordem e juntamente um seminário, isto é, educandário para os filhos dos índios. 

fonte: site da Ordem Franciscana no Brasil - www.franciscanos.org.br



Presença Franciscana Esporádica: 1500-1585 
1500 -  1ª missa, celebrada por Frei Henrique de Coimbra
1503 - 1ª “missão” franciscana em Porto Seguro
1505 - “Protomártires” do Brasil, martirizados em Porto Seguro
1534 - Frei Diogo de Borda na Bahia de Caramuru
1538-1548 (+ ou -) Franciscanos espanhóis, em missão em S. Catarina
1558 - Frei Pedro Palácios em Espírito Santo (Penha)


c) Beneditinos


Os beneditinos chegaram ao Brasil em 1581 e fundaram na Bahia uma abadia, em 1584. Os beneditinos não se interessavam pela obra missionária. Seus integrantes se dedicavam a vida contemplativa, vivendo em mosteiros. Eventualmente os beneditinos também eram proprietários de fazendas onde cultivavam os produtos agrícolas. Em Olinda os beneditinos chegaram em 1586.


Mosteiro São Bento, Olinda, pernambuco
Mosteiro de São Bento


d) Carmelitas


Os carmelitas se estabeleceram no Brasil em 1580 quando chegaram junto com a expedição  de Frutuoso Barbosa, que conquistou a Paraíba.

Igreja do Carmo, Olinda, Brasil colonial
Igreja do Carmo
Igreja do Carmo, Olinda, Brasil Colonial
Igreja do Carmo



V - A Invasão Holandesa e suas consequências



Os holandeses sempre foram parceiros comerciais dos portugueses. Eles eram interessados no açúcar brasileiro que tinha grande valor comercial. Os holandeses também eram tradicionais inimigos da Espanha, pois este reino dominava os holandeses no período de 1568 a 1648. Quando Portugal passou para o domínio da Espanha no período de 1580 a 1640, os holandeses se sentiram particularmente ameaçados. Foi nesse período que surgiram as Companhias das Indias Orientais (1602) e Companhia das Índias Ocidentais (1621). 

Na sua segunda tentativa de invasão do território brasileiro, em 1630, a Companhia das Índias Ocidentais enviou poderosa esquadra a Pernambuco, iniciando o período de 24 anos de ocupação holandesa no nordeste. 

Logo após a invasão, os holandeses incendiaram a vila de Olinda, concentrando o novo desenvolvimento na área do Recife. 

Maurício de Nassau 

Para dirigir o território brasileiro conquistado, a Companhia das Índias contatou o Conde Mauricio de Nassau. Com uma sólida formação humanista, sendo ao mesmo tempo tolerante, competente, dedicado e ágil, Mauricio de Nassau fez um governo brilhante. Apesar de Calvinista foi tolerante com os cultos católicos e não empreendeu nenhum tipo de perseguição. O período de 1637-1644 foi a época de ouro do Brasil Holandês.  Após desentendimentos com a cúpula da Companhia, Nassau deixou o Brasil em 1644 e logo um ano depois iniciou-se o período de insurreição contra os holandeses e que durou até 1654 com a re-conquista definitiva do território pelos  portugueses.

Após a reconquista do território os portugueses começaram pouco a pouco a reconstrução da cidade. Entretanto, apesar dos orgãos de administração voltarem para Olinda, as residencias dos governantes e  a movimentação comercial já haviam se deslocado para o Recife. Com a fundação do Seminário Diocesano em 1828 e, do Curso Jurídico, transformou-se num lugar de estudantes. Olinda permaneceu como capital  até a data de 1837.

VI - Olinda na atualidade


Terceira maior cidade de Pernambuco, Olinda abriga uma população de 397.268 habitantes (dados do IBGE/2009). A cidade detém uma taxa de densidade demográfica de 9.122,11 habitantes por quilômetros quadrados, a maior do estado e a quinta maior do Brasil.
Dos seus 43,55 km² de extensão territorial, 9,73 km² fazem parte da ZEPEC (Zonas Especiais de Proteção Cultural e Urbanística), com 1,89 km² da ZEPEC 1 (Sítio Histórico) e 7,84 km² do Entorno do Sítio Histórico. Olinda possui uma área urbanizada de 36,73 km², correspondente a 98% do município, e 6,82 km² de área rural, o que faz dela uma cidade eminentemente urbana

a) Turismo e o Casario Colonial



casario colonial, Olinda, pernambuco
Casario colonial

b) O Carnaval de Olinda



Bonecos Gigantes
esquina dos 4 cantos

Na localidade chamada  "4 cantos" se encontram nos dias de carnaval, blocos vindos das quatro direções. é difícil de imaginar como em um espaço tão pequeno, cabe tanta gente. Tem que estar lá para ver.

Os blocos mais famosos de Olinda são os dos bonecos gigantes, e do maracatú. 



  foto: Bloco de Maracatu
  fonte:  wikipedia / autor: Tetraktys

    foto: Bonecos Gigantes
    fonte: wikipedia / Prefeitura de Olinda / flickr

Origem dos Bonecos Gigantes (clique)
Os Bonecos Gigantes surgem na Europa, provavelmente na Idade Média, sob a influência dos mitos pagãos escondidos pelos temores da Inquisição. Chegam em Pernambuco através da pequena cidade de Belém do São Francisco no sertão do estado. Os bonecos surgiram da vontade de um jovem sonhador que ouvia atento as narrativas de um padre belga sobre o uso de bonecos nas festas religiosas da Europa. O primeiro boneco foi às ruas da pequena cidade durante o carnaval de 1919 com o surgimento do personagem Zé Pereira, confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê, somente no ano de 1929 resolveram criar sua companheira, boneca esta batizada com o nome de Vitalina.

Homem da Meia Noite (clique)
Em 1932, surge o gigante mais antigo e ilustre do carnaval olindense. O Homem da Meia-Noite tem a importante tarefa de abrir as festividades do carnaval. Sempre com um farto sorriso enfeitado por um dente de ouro e trajando seu terno verde e brando, o Homem da Meia-Noite desfila carregando a chave que simboliza a abertura do carnaval. No braço, ele leva um relógio que sempre marca a meia-noite. O boneco passa ao som do frevo animando os foliões que entram no passo até de manhã cedo. A curiosidade, é que O homem da meia noite, só sai uma vez por ano do seu armário, apenas para o desfile no sábado a noite. Para outras apresentações durante o ano, ele conta com uma réplica. A sua saída é sempre precedida de um ritual que acontece todos os anos, onde o gigante veste a sua roupa nova, enquanto os músicos se preparam para o desfile numa grande festa.


c) Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO


Olinda é um dos 19 locais no Brasil e dos 962 locais no mundo considerados patrimônio cultural / natural da humanidade pela UNESCO. Um pequeno comentário sobre a justificativa da escolha encontramos no site da UNESCO o qual reproduzimos abaixo. 

“A qualidade única do Centro Histórico de Olinda surge do equilíbrio, que geralmente tem sido mantida, entre os edifícios públicos e privados e os prévios jardins das terras anteriormente loteadas.  É uma cidade de pontos de vista inesperados:  Alguma das inúmeras igrejas barrocas, conventos, capelas e  oratórios  aparecerão  inesperadamente sempre que se vira uma esquina. Os  refinamentos  estudados  da  decoração  dessas estruturas arquitetônicas conscientes contrasta com a simplicidade encantadora das casas, que são pintadas em cores vivas ou cobertas com azulejos cerâmico.”

VII - Dicas Úteis sobre Olinda


a) Quando ir

Se você quiser conhecer os aspectos históricos de Olinda, pode ir em qualquer época do ano. Entretanto se gosta de "muvuca", vá no carnaval. 

b) Como ir

Dos aeroportos de Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e Salvador partem vôos para Recife das companhias Gol, Azul e Tam. Olinda é colado em Recife e gasta-se 20 min do aeroporto ao centro da cidade e depois mais 10 min para se chegar em Olinda.

c) Onde ficar - Hotéis e Pousadas de Olinda

     - Pousada 4 Cantos






- Pousada do Amparo - Pousada 7 colinas

d) O que fazer 

Para conhecer os aspecto históricos mais antigos visite as igrejas da Sé, do Carmo, o convento de São Francisco, o mosteiro de São Bento e o casario colonial antigo. Visite as lojas de artesanato, a coleção de bonecos gigantes, a ladeira da misericórdia, o mirante da caixa d água, a praça da sé, ...,.

e) O que comer - Restaurantes de Olinda

Experimente as frutas da região, os mariscos e a tapioca de Olinda.

No centro três boas opções de restaurantes são: Oficina do Sabor, Beijupirá e Patuá.

Tapioca de Olinda - (receita copiada do site):
http://www.orfury.com.br/blog/2662/como-fazer-tapioca--receita.html


Tapioca do Alto da Sé, foto de Anizio (Olinda) da Silva em Wikimedia Comons


Recomendamos uma visita ao site, inclusive para conhecer mais sobre a história da Tapioca.


Receita
1)      Você vai precisar de: 1 quilo de polvilho doce e água.

2)      Umedeça o polvilho e deixe-o por cerca de 12 horas na geladeira.

3) Passe o polvilho na peneira e acrescente uma pitada de sal.

4)      A base da sua tapioca está pronta! Muito simples e fácil de se fazer! Agora, para prepará-la, você precisará aquecer uma frigideira e colocar uma pequena quantidade do polvilho. Deixe que esta “farinha” fique úmida e vire-a com uma espátula.

foto do site http://www.umaseoutras.com.br/tag/goma-de-mandioca/


5)      A sua massa está pronta!  Agora você pode acrescentar o recheio da sua preferência, seja ele doce ou salgado. O recheio de tapioca mais tradicional é o de coco com queijo, mas você pode preparar tapioca de frango, de carne moída, de calabresa, carne-de-sol ou então de frutas, como o morango (misturando-o com leite condensando ou chocolate, por exemplo), a banana e até mesmo goiabada.



Tapioca Salgada

6) Basta rechear a sua tapioca ainda aberta sobre a frigideira: coloque o recheio em metade do círculo e depois dobre a massa ao meio, formando uma meia-lua.

7)     Bom apetite!


Tapioca de Olinda - curiosidade


Você sabia que a Tapioca de Olinda é considerada "Patrimônio Imaterial e Cultural da Cidade" ?  Pois é, em  2006 o Conselho de Preservação do Sítio Histórico de Olinda (Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, pela UNESCO) concedeu à Tapioca o título de Patrimônio Imaterial e Cultural da Cidade. Nesse mesmo ano Olinda recebeu o título de 1a Capital Brasileira da Cultura (Ministério da Cultura e Ministério do Turismo, Governo Federal).


VIII - Música


Moraes Moreira fez uma marchinha chamada "Tapioca de Olinda" que é muito legal de se ouvir. Clique no link abaixo e aprecie:


IX - Referências


-  Capitães do Brasil - Eduardo Bueno
-  Historia do Brasil - Eduardo Bueno
-  Olinda - Wikipedia
-  Olinda - site prefeitura municipal www.olinda.gov.br
-  Notas de viagem e fotografias do autor - abril 2013




sábado, 16 de março de 2013

Cidade do Porto, Portugal - Berço da resistência lusitana

I - Origens da cidade do Porto


Avenida dos Aliados com vista da Câmara Municipal ao fundo e a estátua de Dom Pedro IV em primeiro plano

Segunda maior cidade de Portugal, e conhecida como "Cidade Invicta", pelo seu passado de resistência, a cidade do Porto tem um importante papel na história do País. Estima-se que cerca de 1.000 anos a.c. mercadores fenícios tenha chegado á foz do Douro em  busca de negócios. Daí pra frente a cidade originou-se de aglomerações de grupos recoletores e caçadores dispersos pela orla marítima. O crescente domínio da agricultura  e do pastoreio acelerou o processo de aglomeração dos grupos. No período romano foram fundadas duas cidades "Portus" e "Cale", uma em cada lado do rio. A união dos dois nomes indicando a região entre os rios Minho e Douro, deu origem ao reino de Portugal. 

Após os romanos terem construído um forte e terem feito  rotas comerciais pelo rio Douro, a cidade do Porto desenvolveu-se rapidamente com o comércio. No século XI, expulsou os mouros e foi um ponto de fornecimento de provisões para os cruzados que se dirigiam à Terra Santa. No período dos descobrimentos a cidade foi beneficiado com o comércio de especiarias. Posteriormente, o comércio de vinhos com a inglaterra substituiu os negócios de especiarias. 





Em 1820 iniciou-se no Porto a Revolução Liberal que teve grandes consequências para a História de Portugal e do Brasil. Nela se exigia a confecção de uma constituição liberal com garantias para a população, a exigência do retorno da corte portuguesa do Brasil para Portugal, e a exclusividade do comércio com o Brasil. 

Em 1834 a cidade foi a base da resistência das forças ligadas a Dom Pedro IV contra seu irmão Dom Miguel na luta pelo poder entre constitucionalistas (Dom Pedro IV) e absolutistas (Dom Miguel). Após uma heroica resistência, os constitucionalistas conseguiram furar o bloqueio e conquistar Lisboa, e como consequência saíram vitoriosos da luta.
             côrtes portuguesas 

Hoje a cidade tornou-se um importante polo industrial, mas o seu centro histórico e a região beira-rio conservam um casario clássico que foi decretado patrimônio da humanidade pela Unesco. 

II - Localização Geográfica


A nascente do rio Douro se localiza na Espanha na província de Sória, nos picos da serra de Urbião a cerca de 2.080 m de altitude. O rio Douro tem 927 km de extensão e atravessa toda a região norte de Portugal. O rio percorre 112 km de fronteira Portugal e Espanha e 213 km em território português.   O Douro é uma importante fonte de riqueza para a região. Em suas margens no "alto douro" se localiza importante região vinícola de Portugal, onde também se produzem os vinhos do Porto. As cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia se localizam em margens opostas da foz do rio Douro. 

                  Região de vinícolas no Rio Douro - Fotolia- Henner Danke

III - Principais eventos da cidade do Porto


 027 ac. Durante o governo do Imperador Augusto a peninsula ibérica é dividida em três partes. A provincia central ao sul do rio Douro é chamada de Lusitânia
 200 d.c.   O Cristianismo se estabelece na peninsula
 711 dc - Grande exercito mulçumano conquista a peninsula ibérica
 868 dc Vimara Peres toma o Porto dos mouros
1179 dc O papa reconhece portugal como reino
1387 dc O rei D. João I casa-se, em cerimonia no Porto,  com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre.
Nasce na cidade o infante Dom Henrique, O navegador.
1415 dc A população do Porto oferece aos expedicionários que partem para a conquista de Celta toda a carne disponível, ficando apenas com as tripas para a alimentação. Com  elas foi confeccionado um prato saboroso que hoje é menu obrigatório em qualquer restaurante  "Tripas à moda do Porto".
1809  A cidade sofre com a invasão dos franceses. Em 28 de março de 1809 um grande número de pessoas em fuga e acossadas pelos gauleses se afogam no rio Douro devido à ruína da ponte.
1820 A cidade sedia a Revolução Liberal que exige o retorno da Corte do Brasil para Portugal, e, a promulgação de uma nova constituição mais liberal.
1832 a 1834 O Porto resiste ao cerco das tropas Miguelistas. Durante o cerco as tropas liberais de Dom Pedro IV (Dom Pedro I do Brasil), de cerca de 8000 soldados, resistiram a quase 80.000 sitiantes. Foi por causa dessa resistência heróica que a rainha D.Maria II atribuiu o nome de "Cidade Invicta". 


Figura Histórica - Dom Pedro IV



Após a morte de Dom João VI em Portugal em 1826, a infanta Isabel Maria assumiu de imediato a regência e Dom Pedro I foi reconhecido legítimo herdeiro como Dom Pedro IV, rei de Portugal. Como a constituição do Brasil não permitia que ele assumisse os dois tronos, Dom Pedro IV logo outorgou uma carta constitucional a Portugal, abdicou em prol de sua filha Maria da Glória, e acertou o casamento dela com seu irmão Dom Miguel com o compromisso deste de obedecer a constituição outorgada.

Como Dom Miguel passou a governar como rei absoluto a partir de 1828, Dom Pedro também desgastado politicamente no Brasil, optou por abdicar do trono do Brasil retornando a Europa em 1831 para lutar pela reconquista do reino de Portugal. A luta durou de 1832 a 1834 tendo a cidade do Porto como sede das forças constitucionalistas de Dom Pedro. 

Dom Pedro terminou a guerra acometido de uma tuberculose e morreu logo a seguir em setembro de 1834. 

Dom Pedro é muito amado em Portugal e em especial na cidade do Porto. Ele foi enterrado inicialmente em Lisboa e seu coração foi doado à cidade do Porto por testamento, sendo acomodado na Igreja da Lapa. Os restos mortais de Dom Pedro (exceto seu coração) foram transladados em 1972 para o Museu do Ipiranga em São Paulo onde se encontra.


IV - O Centro Histórico


     Centro Comercial



Andando a pé pela cidade é possível visitar a torre dos clérigos, a universidade, a igreja do carmo, a avenida dos aliados, a estação de trens e a catedral. O centro histórico é considerado patrimônio da Humanidade pela Unesco.




Igreja do Carmo  (foto ao lado)

Um exemplo típico da arquitetura barroca portuguesa, a igreja do Carmos foi construída entre 1750 e 1768, por José Figueiredo Seixas. A parte mais bonita é o painel da azulejos externos que cobre totalmente uma de suas paredes. Desenhado para representar a fundação da Ordem a sua autoria é de Silvestro Silvestri.  




Universidade do Porto





Fundada em 1911, a Universidade do Porto é considerada a melhor universidade do país e está sempre em primeiro ou segundo lugar em tamanho. Ela consta atualmente com cerca de 30.000 alunos, 1920 docentes e 1624 funcionários.


Os cursos de Engenharia Eletrotécnica, Engenharia Civil, Direito, Farmácia, Agricultura, Ciencias do Mar e da Terra são os mais tradicionais.







    Torre dos Clérigos


Cartão postal da cidade, a torre dos clérigos foi construída entre 1754 e 1763, tendo 75 m de altura. Ela possui seis andares, os quais se tem acesso por uma escada de 254 degraus. O conjunto inclue uma igreja do mesmo nome anexa à torre.


Edifício na Av. dos Aliados



Diversos estabelecimentos bancários e comerciais estão instalados na avenida dos aliados conservando a bela arquitetura da época.




     Livraria do Lello

Conhecida internacionalmente a livraria do Lello é considerada uma das mais bonitas do mundo, sendo sua arquitetura interior em estilo néo-gótico.




A Catedral da Sé


A catedral do Porto situa-se na parte alta da cidade e teve sua construção iniciada no século XII seguindo o estilo românico. O seu exterior sofreu modificações nas épocas barroca e gótica. No seu interior destacam-se a sacristia, o claustro e o altar de prata do Santíssimo Sacramento.


Estação Ferroviária

A estação de São Bento, situa-se na Praça de Almeida Garret, e tem o seu átrio revestido com cerca de vinte mil azulejos retratando um pouco da história do país e também do sistema de transportes.



V - A zona ribeirinha


Margem esquerda - Vila Nova de Gaia
Margem direita - Cidade do Porto

Pontes

Ponte D.Maria Pia - construída em 1887
Ponte D.Luís I - construída em 1886

Os Barcos Rabelo


O barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro, que tradicionalmente transportava os barris de vinho do Porto do Alto Douro até Vila Nova de Gaia, onde era armazenado para envelhecimento, engarrafamento e comercialização.




A sua construção utiliza técnicas nórdicas, mediterrâneas e orientais e  tradicionalmente mede entre 19 e 23 metros. O barco era tripulado por 6 ou 7 homens e utilizava um remo longo na popa para dar a sua direção. Eles deixaram de ser utilizados em 1961.

VI - Importância Comercial da Área Portuária - Palácio da Bolsa



Palácio da bolsa - salão árabe - foto wikimedia
O Palácio da Bolsa é sede e propriedade da Associação Comercial do Porto, fundada em 1834 e refletindo a prosperidade e ilustração da comunidade de negócios local. Com uma imponente fachada o Palácio da Bolsa é um dos locais mais atrativos da cidade. O salão árabe e o pátio das nações são exemplos belíssimos de uma época áurea de prosperidade.

VII - A culinária do Porto

Sanduíche "A Francesinha"







Modo de preparo:      .
Fazer um sanduiche com os ingredientes, da seguinte forma: no prato coloca-se uma fatia de pao de forma, por cima 1 fatia de queijo+ 1 de presunto+o bife frito/grelhado+ 1 salsicha cortada ao meio na vertical+ 1 fatia de queijo e por último 1 fatia de pao de forma. Cobrir com 4 fatias de queijo, pondo cada fatia na lateral do sanduíche, cobrindo todo ele.

Preparação do molho: Dissolver bem a  maizena com o leite juntar os  ingredientes restantes e com a varinha mágica triturar, levar ao lume até ferver e engrossar um pouco mexendo para não pegar


Colocar no centro de um prato e regar com o molho, e levar ao forno a gratinar.  Servir com batatas fritas 

ao redor do prato.

Bacalhau à Moda do Porto
Ingredientes:
1kg de bacalhau dessalgado em postas
500g de batatas cortadas em pedaços grandes
2 cebolas cortadas em cubos
500ml de azeite de oliva
azeitonas pretas
Modo de Preparo
Numa assadeira, disponha as postas de bacalhau e as batatas(procure colocar as batatas entre as postas paegar o sabor do peixe. Em seguida, distribua as cebolas e regue com azeite de oliva. Leve ao forno preaquecido por cerca de 40 minutos. Retire do forno, adicione as azeitonas e sirva.


    fonte: www.receitaspreferidasdamamae.com


Tripas à Moda do Porto

Ingredientes: 
-1,5 kg de tripas, folhos e favos (dobrada) 
-1 chouriço -200 gr de presunto
-1 orelha de porco -1 mão de vitela 
- meio frango / 2 cebolas
-1 kg de feijão-branco
-1 tira de entremeada
-3 cenouras / -1 folha de louro
-100 gr de banha (usei azeite)
-1 ramo de salsa /sal, pimenta e cominhos




Modo de preparo


Preparam-se as tripas (dobrada) muito bem e esfregando-as muito bem com sal e sumo de limão.  Põem-se num alguidar com água e rodelas de limão, até ficarem brancas. Cozem-se todas as carnes separadamente e o feijão como habitualmente. Num tacho, leva-se a alourar na banha, a cebola e a folha de louro. Juntam-se as tripas (dobrada) e o resto das carnes cortadas aos bocados, o feijão, as cenouras cozidas e um pouco de caldo de carne; (o caldo foi onde foi cozidas as ditas carnes) tempera-se com sal, pimenta e cominhos. Ferve durante 25 minutos.  Serve-se polvilhada com salsa picada...Notas: ter em atenção ao sal, porque vai utilizar o caldo da cozedura das carnes e nesse caldo foi cozido o presunto,chouriço e no meu caso a entremeada e orelha previamente salgadas. 
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VIII - Os Vinhos do Porto


Os vinhos do Porto são produzidos a partir de uva da região do Douro, situada a cerca de 100 km  do Porto e armazenadas nas caves de Vila Nova de Gaia. Eles ficaram conhecidos como vinhos do Porto por serem exportados dessa cidade para o resto do mundo.

Uma das características do vinho do porto é o fato de sua fermentação não ser finalizada devido à adição de uma aguardente vínica neutra. O Vinho do Porto é mais doce e mais forte que os vinhos tradicionais.






Uvas utlizadas no Vinho do Porto e seu processo de fabricação:

O vinho do Porto é feito a partir de uma ampla variedade de castas tradicionais, a maioria delas nativas da região do Douro. Raramente encontradas noutros lugares, estas castas são perfeitamente adaptadas às condições quentes e áridas do Douro, sendo a origem de grande parte do caráter único e distinto do vinho do Porto. As castas tintas mais conhecidas incluem a Touriga Francesa, a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, a Tinta Amarela e a Tinta Cão, mas no total existem cerca de trinta variedades de uva de vinho do Porto. A maioria destas castas produz cachos de bagos relativamente pequenos e de pele grossa, que produzem o denso e concentrado mosto (sumo de uva) necessário para fazer o vinho do Porto.


Pesquisas realizadas pela equipa de enologia da Taylor´s demonstraram que, apesar de dispendiosa e laboriosa, a pisa a pé continua a ser a melhor forma de alcançar uma extração suave mas, ao mesmo tempo, total, produzindo vinhos com estrutura, profundidade de sabor e equilíbrio. 



O vinho do Porto, por ser fortificado e ter notável potencial de envelhecimento e longevidade, pode permanecer em madeira por muito mais tempo do que a maioria dos outros vinhos.



Existem três tipos de vinho do porto: Branco, Rubi e Tawny. Os vinhos do Porto Rubi e Tawni são vinhos tinto. A diferença é o maior tempo de envelhecimento em barricas do vinho Tawny, o que lhe confere um maior sabor de carvalho.



fonte: Adega Taylor (http://taylor.pt/pt/o-que-e-o-vinho-do-porto/como-e-feito-o-vinho-do-porto)



Vinhos do Porto Tradicionais

Os vinhos Taylor, Sandemans, Ferreirinha estão entre os mais conhecidos e de melhor relação custo x benefício. 

IX - Dicas Úteis


a) Como ir


A distância entre Lisboa e Porto é de cerca de 310 km. As melhores maneiras de se viajar de uma para outra são:

a) Alugar um carro e  fazer paradas em Óbidos e no Santuário de Fátima. O tempo em cada uma vai depender da disponibilidade, mas é tranquilo fazer em um dia. 


b) Tomar um trem, que em Portugal é "comboio", da Alfa Pendular. A viagem leva cerca de  2 horas e 40 minutos e custa cerca de 30 euros na 2a classe e 40 euros na primeira. Para mais informações consulte www.cp.pt


b) Onde ficar



Uma boa dica de hospedagem é o Apart Hotel Vitória Village, situado bem no coração da cidade velha.

É um hotel muito charmoso, onde se entra com o carro no pátio do hotel dentro de um elevador. Os quartos são muito amplos e com decoração nova.




c) O que fazer


- Visitar o centro antigo começado pela Torre dos Clérigos, Universidade, Livraria do Lello, Convento do Carmo e Avenida dos Aliados. 

- No segundo período visitar a estação central, Catedral do Porto e adjacências



- Visitar a zona ribeirinha, fazer Um passeio de barco pelo rio Douro e terminar com visita e degustação em uma adega das vinícolas na margem de Vila Nova de Gaia.





d) O que e onde comer


Uma boa opção para quem está no centro é o restaurante "A tasquinha". Comida saborosa, preços em conta e frequentada pelas pessoas locais. 





e) Quando ir


No verão em julho, apesar de em Lisboa ser muito quente, a temperatura no Porto é extremamente agradável.

X - Referências


- Porto e Norte de Portugal - Viagens e Histórias - Editora Objeto Anônimo

- Guia Visual da Folha

- Wikipedia - Cidade do Porto

- Adega Taylor