quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terra Santa I - Galiléia (Nazaré e entorno)

Percorrer a região da terra santa, é como reviver a história do mundo civilizado e em especial a da  religião cristã. Foi nessa região que Jesus nasceu, pregou, foi crucificado e posteriormente ressuscitou. Foi nessa região que Abraão ofereceu o sacrificio de seu filho, e, para cá, Moisés trouxe o seu povo do Egito para  a terra prometida. É também na terra santa que se encontra a cidade de Jericó que é conhecida como a cidade mais antiga do mundo. É nessa área que desde tres mil anos atrás judeus e palestinos disputam a mesma terra. Devido a tão vasta riqueza vamos dividir o blog em quatro partes: A primeira abrangendo a região em torno de Nazareth, a segunda parte abrange a região de Tiberíades e Cafarnaum,  a terceira, a Judéia que inclue  Belém e a quarta, é  dedicada à Jerusalém.

I - Cidade de Nazareth


A cidade de Nazareth , que era um pequeno vilarejo na época de Jesus, tem crescido bastante, devido à grande afluência de turistas para a visita aos locais sagrados da Anunciação, do Primeiro Milagre de Jesus e da Transfiguração no Monte Tabor. Atualmente a cidade conta com uma população em torno de 70.000 habitantes, a maior parte de árabes israelenses, onde cerca de 32% deles são cristãos. É a maior concentração de cristãos em Israel. O percentual de cristãos em toda Israel é de apenas 2%.

II - Basílica da Anunciação

a) Fachada e Pátio



A igreja atual foi terminada em 1969, e é a quinta igreja construída no local onde o anjo Gabriel apareceu para Maria para anunciar o nascimento de Jesus. A igreja é construída em dois níveis. No primeiro nível preserva-se a Gruta Sagrada onde deu-se a anunciação, e no segundo nível foi construída uma igreja nova que serve para as celebrações da comunidade cristã local. Em 1964, durante sua visita ao oriente médio, o Papa Paulo VI, fez a consagração da igreja.



Nave principal do primeiro piso
Imagem da Virgem Maria - altar primeiro piso
O primeiro santuário foi provavelmente construído no meio do século 4, que compreende um altar na caverna na qual Maria viveu. Um grande estrutura foi encomendada pelo imperador Constantino I, cuja mãe, Santa Helena,  visitou os locais sagrados da vida de Jesus e identificando os principais locais construiu igrejas e santuários para a preservação da memória.  

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo."  Perturbou-se ela com estas palavras e pôs se a pensar o no que significaria semelhante saudação". Lucas 1, 26-29


Área sagrada da gruta - onde se deu a Anunciação

b) Piso Superior - Igreja para Celebrações da Comunidade


A igreja atual foi projetada pelo arquiteto italiano Giovanni Muzio, construída pela firma isralense "Solel Boneh" no período de 1960-69. Ela é o maior santuário cristão no oriente médio. 
 

























A parte superior é composta de uma capela principal e rodeada de vários afrescos em homenagem a todos os  países católicos.

Mosaico japonês da Virgem e o menino


Ao lado da igreja da Anunciação temos ainda a Igreja de São José construída sobre o local onde segundo a tradição funcionava a carpintaria. Essas duas igrejas são custodiadas pelos Franciscanos que mantém uma sede no local.

III - Caná

A vila de Caná, muito próximo de Nazareth, é o lugar onde Jesus fez o seu primeiro milagre, atendendo a solicitação da Virgem Maria e trasnformando água em vinho.

Igreja Grega Ortodoxa


"No terceiro dia houve um casamento em Caná na Galileia, e a mãe de Jesus estava lá. Jesus também foi convidado para o casamento com seus discipulos" João 2: 1-2

A tradição hoje celebra o local como sendo de renovação dos laços matrimoniais. Pode haver a bençao por um padre sobre as alianças.

Cripta da Igreja do Milagre
IV - Monte Tabor


O monte de Tabor se eleva a cerca de 400 metros sobre a planície circundante, e cerca de 600 m acima do nível do mar. 
Tradicionalmente conhecido como Monte Tabor  ele  é identificado como a " alta montanha ", no qual, de acordo com o Evangelho , houve a transfiguração de Jesus. As primeiras igrejas foram construidas em torno do ano 400 DC.  Durante as cruzadas , a cúpula foi nivelada e foi construído um mosteiro beneditino fortificado, que depois foi invadido e destruído por Safedino.
A igreja atual, Igreja da Transfiguração, foi construída na primeira metade do século XX . O lugar é visitado por muitos turistas e peregrinos, a estrada que serpenteia ao longo do lado da montanha está fechada ao trânsito, existem várias vans de serviço de transporte que conduzem à entrada da esplanada.


Vista externa do monte Tabot
Vista da parte frontal da Igreja

"Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte, e transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas."    Marcos 9, 2-4

Mosaico do Domo mostrando a Transfiguração
Interior da Basílica

O interior da igreja é dividido por três pilares em naves. A central mostra a transfiguração. Há ainda além da capela central, duas capelas nas torres, dedicadas a Elias e Moisés, para os quais Pedro propôs a Jesus construir os tabernáculos e permanecer no alto do monte.

Interior da Basílica da Transfiguração

A igreja é frequentada por muitos peregrinos, que quando acompanhados de seus padres, podem fazer celebrações na sua capela. Vemos na foto um grupo de peregrinos Indianos fazendo uma celebração.

V - Informações Gerais

Principais distâncias

        De Nazaré para Tel Aviv          =   106 km
                          para Jerusalém        =   150 km
                          para Caná               =     07 km
                          para Monte Tabor   =   10 a 20 km
                          para Tiberiades        =    21 km
                       

VI - Referências Bibliográficas:

Biblia Sagrada - edição Ave Maria
The Holly Land - The land of Jesus - editora Palphot
Guia Visual Folha de São Paulo - Jerusalém e Terra Santa
Wikipedia italiana - Monte Tabor

VII - Série Terra Santa




  • Terra Santa II - Lago Tiberíades e Cafarnaum
  • Terra Santa III - Belém, o Vale do Jordão e o caminho para Jerusalém
  • Terra Santa IV - Jerusalém - "e tu não quisestes!"





  • sexta-feira, 11 de maio de 2012

    História de Vitória - ES, "cidade presépio"

    1. - Vitória, cidade presépio


    Vitória à noite- história de Vitória
    Visão Noturna de Vitória a partir do Morro do Moreno em Vila Velha



























    A colonização do Espírito Santo iniciou-se com o desembarque de Vasco Coutinho em 23 de maio de 1535 na área da prainha de Vila Velha onde fundou o primeiro povoamento. Como era o domingo da celebração de Pentecostes, o donatário deu o nome de Espírito Santo  a nova terra onde aportava.

    Sendo a área de Vila Velha constantemente atacada pelos índios Goitacazes, Vasco Coutinho começou em 1549 a procurar um lugar mais seguro e identificou então essa  ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, em contra-partida ao primeiro, que passou a ser chamado de Vila Velha.

    Em 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória nas suas  batalhas contra os índios. Para celebrar o fato eles mudaram o nome da vila para "Vila da Vitória" e  essa data passou a ser considerada como a de fundação da cidade.

    Vasco Coutinho foi forçado pelo rei de Portugal, Dom João III, a trazer com ele para "ajudar" na colonização, 60 condenados da justiça em Portugal. Logo depois de desembarcar e erguer sua paliçada na praia de Piratininga, ele iniciou a distribuição de lotes (sesmarias) para seus companheiros. Dom Jorge de Menezes recebeu a ilha do boi, o Sr. Valentim Nunes recebeu a ilha dos frades e o fidalgo Duarte Lemos, que veio para o Brasil posteriormente, ganhou a ilha de Santo Antônio. Todas essas estão localizadas na atual baía de Vitória.

    palacio anchieta - Vitória es
    Palácio do Governo - Palácio Anchieta


    Pode-se dizer que o desenvolvimento da vila se iniciou com a chegada dos jesuitas também em 1551, justamente no ano da batalha da vitória e da fundação oficial da cidade.
    Os jesuitas começaram a construir o seu convento (atual palácio Anchieta) ao lado da construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória (atual catedral)

    história de Vitória
    Igreja do Carmo
    história de Vitória
    Cidade Alta
    história de Vitória
    Porto de Vitória


    Várias foram as transformações pelas quais passou a cidade até chegar a sua feição atual com uma configuração moderna e atraente onde a combinação de pedras e praias é a sua característica mais marcante.


    Praia do Canto 

    Os "capixabas"


    Em meio ao pequeno núcleo urbano, de feição nitidamente colonial, havia "capixabas" - roças - na língua dos índios - expressão que acabou servindo para denominar os habitantes da ilha e, posteriormente, todos os espírito-santenses. (fonte: site da PMV)

    Cidade presépio


    No século XX, em função da ocupação dos morros, que refletem as luzes das casas nas águas da baía, Vitória passou a ser chamada de "Cidade Presépio do Brasil" .


    2. - Ciclos de Desenvolvimento


    2.1 - A influência religiosa na história de Vitória


    A estrutura religiosa e a força da catequese jesuíta foram os responsáveis pela organização social do espaço urbano. Durante todo o período colonial, o poder religioso e o estado praticamente se confundiam na influencia exercida no desenvolvimento e manutenção da ordem social. Foram os jesuítas que iniciaram a alfabetização e a criação de uma espécie de tribunal chamada "confraria da caridade" da qual o padre Anchieta foi Capelão.

    Logo após os Jesuítas vieram os Franciscanos em torno de 1591. Em 1678 junto com o novo dono da capitania, Francisco Gil de Araújo, vieram os Carmelitas Calçados.

    Os Franciscanos vieram para a vila de Vitória a pedido do donatário Vasco Coutinho ao superior da ordem Frei Melchior, pois os bons trabalhos realizados pela ordem na provincia de Olinda estavam sendo conhecido pelos governantes do Sul. O local escolhido para a instalação do convento ficava em um morro hoje conhecido por Fonte Grande. A escolha deveu-se sobretudo pela existencias de fontes de água natural. O convento foi pioneiro no abastecimento de água na região. Em 1643 foi concluido um aqueduto que levava a água da fonte grande diretamente para as dependencias do convento. Essa água depois seria utilizada para a população. Os franciscanos tiveram ainda, importante papel na defesa da cidade contra invasões estrangeiras em 1625 e 1643.

    Capela de Santa Luzia

    capela Santa Luzia - historia vitoria capela sta luzia - historia vitoria

    A capela de Santa Luzia tem um imenso valor histórico cultural, pois é considerada a construção mais antiga preservada na cidade de Vitória. Supõe-se que ela tenha sido construída entre os anos de 1537 a 1540, antes mesmo da fundação da Vila. Ela era a capela da fazenda de Duarte Lemos que recebeu a ilha como doação de Vasco Coutinho.

    Colégio Jesuíta


    Em 1551, o padre Afonso Brás fundou o Colégio e Igreja de São Tiago. Foi esta construção que, após sucessivas reformas, transformou-se no atual Palácio Anchieta , sede do Governo do Estado.

    Com a chegada de missionários, foram fundadas as localidades de Serra, Nova Almeida e Santa Cruz, em 1556.
    história de Vitória
    Palácio Anchieta


    Convento São Francisco



    O convento funcionou como formação de noviços até 1763. Em 1783 os franciscanos abriram as portas do convento para estabelecer um curso de filosofia para estudantes seculares.

    Em 1854 / 75 / 95 o convento se converteu um enfermaria para cuidar de epidemias de cólera, varíola e febre. No século XIX a ordem franciscana praticamente havia abandonado o ES. Em 1898 ela fez a entrega de seus bens a recem criada Mitra Diocesana.

    história de Vitória
    Antigo Convento São Francisco - Atual Cúria Metropolitana

    Em 1926 passou a funcionar como o orfanato Cristo Rei até 1985. Depois disso foi residencia episcopal, radio capixaba e atualmente é sede da Curia Metropolitana, orgão administrativo da igreja


    Igreja Nossa Senhora do Rosário


    A Igreja Nossa Senhora do Rosário foi edificada em terreno doado à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, localizado no morro Pernambuco. Sua construção foi iniciada em 1765 e sua estrutura principal ficou pronta em apenas dois anos, tendo sida realizada com mão de obra negra. No início era bastante afastada do núcleo original e sua fachada principal, com vista para o mar, é acessada por uma imensa escadaria.

    Interior da igreja
    igreja rosario - historia vitoria
    Escadaria e fachada
    igreja rosario - historia vitoria
    Imagem de São Benedito

    Curiosidade:


    Em 1832, o guardião do convento São Francisco, que era mantido pela irmandade de São Benedito, proibiu que a imagem de São Benedito, que era guardada no convento saísse, como era costume, na procissão anual para a Igreja do Rosário. No ano seguinte, a imagem de São Benedito foi roubada e levada para a Igreja do Rosário, onde está até hoje, gerando grande rivalidade entre as duas irmandades e que envolveu toda a cidade de Vitória. Posteriormente os devotos do Convento encomendaram outra imagem. 

    Catedral Metropolitana de Vitória

    Paralelamente a fundação da Vila de Vitória, foi iniciada a construção da capela de Nossa Senhora da Vitória localizada num platô entre o mar e o maciço central. Junto com o Colégio dos Jesuitas / Igreja de São Tiago e a igreja da Nossa Senhora da Misericórdia, esses três monumentos destacavam-se na paisagem e representava a forte presença da religião na ocupação do Território.



    A Igreja logo passou a Matriz e foi palco de eventos importantes como a cerimônia de Aclamação a D. Pedro II como imperador do Brasil em outubro de 1822. No dia 15/11/1895 foi criada a Diocese do Espírito Santo. Foi com o terceiro bispo, dom Benedito, que em julho de 1918, foi decidida a demolição da antiga igreja para a construção de uma nova catedral. A catedral começou a ser construida em 1920 e somente foi concluida no início da década de 70. O projeto inicial era de Paulo Motta (o mesmo que projetou o Parque Moscoso) e foi se modificando com o passar dos anos, tendo recebido colaboração de vários artistas e arquitetos. O ponto de maior destaque na catedral são os seus vitrais, os quais foram executados no Atelier Formenti, no Rio de Janeiro. César Alexandre Formenti (1874-1944) nasceu em Ferrara na Itália e chegou ao Brasil em 1890.
    história de Vitória
    Vista de frente da Catedral
    Vitral lateral
    história de Vitória
    Altar

    Vitral Santa Cecília 


    foto: Kadidja Fernandes - site www.vitoria.es.gov.br
    "Esse vitral é o maior da igreja e está numa posição imponente, que o coloca acima de todos os outros vitrais. No entanto, ele é também o mais distante dos fiéis. A visão da imagem no vitral opera em uma 
    duplicidade, a do distanciamento e da magnificência. A devoção a essa santa é comum no Brasil, assim como a utilização de sua imagem como uma espécie de cenário para a música sacra, disposta no coro das igrejas. Assim, somente no Espírito Santo, a imagem de Santa Cecília está representada como padroeira da Música nos vitrais das seguintes igrejas: de São Sebastião (município de Afonso Cláudio), de Nossa Senhora da Penha (município de Alegre), de São João Batista (município de Aracruz) e na matriz de Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças (município de Itaguaçu). Sua representação em êxtase auditivo  aparece na catedral de Colatina e na catedral de Vitória. Em geral, a iconografia a representa como uma jovem tocando algum instrumento musical, geralmente um piano/órgão, alaúde, violoncelo ou harpa. Muitas vezes ela está só, mas também acompanhada por anjos.  

    Na catedral, a santa toca uma harpa e está acompanhada por dois anjos ajoelhados e com as mãos no peito, em um gesto de reverência. Os elementos arquitetônicos, como as colunas coríntias em primeiro plano, criam uma ilusão de profundidade e as faces da santa e dos anjos têm tom de mármore. Na parte superior do vitral, sobre nuvens, há um concerto celestial: um anjo entoa hinos, outro toca flauta e um terceiro toca alaúde. Além do número evocar a Trindade, também há a idéia de uma corte celeste." 

    (trecho retirado do trabalho "Os Vitrais da catedral de Vitória - ES e seus doadores nas décadas de 1930 e 1940" site http://www.cbha.art.br/pdfs/cbha_2009_lima_monica_art.pdf e que faz parte da dissertação de Mestrado de Mônica Cardoso de Lima -  UFES)

    2.2 - Período colonial e o ciclo da cana de açúcar


    A capitania do Espírito Santo foi uma das que menos se desenvolveu no período colonial. Vários fatores influenciaram nisso. Os principais foram:

    a) A pouca vocação administrativa do seu donatário Vasco Coutinho;
    b) A imposição de trazer condenados para efetuar a colonização
    c) A ferocidade dos índios Goitacazes, ...,.
    d) A questão territorial, onde o limite das terras era onde começavam as minas de pedras preciosas (minas gerais)
    e) A concentração do escoamento dos minerais pelo porto do Rio de Janeiro

    Todos esses fatores contribuiram para que o Espírito Santo, e a cidade de Vitória passassem todo o período colinal focado apenas na cultura agrícola e açucareira. O açúcar foi o principal produto da economia por três séculos. Uma iguaria que reinou absoluta até 1850, quando foi substituída pelo café.

    2.3 - O Ciclo do Café


    Em 24 de Fevereiro de 1823 a vila de Vitória foi elevada a cidade, mas seu isolamento insular evitava seu desenvolvimento. A partir do ano de 1894, com o ciclo do café, iniciaram-se na ilha diversos aterros nas partes baixas da cidade, alterando a forma da ilha e modernizando-a. Foram construídas após disso diversos bairros, escadarias e foram derrubados casarões. Além disso foi melhorado o saneamento.

    Em 1941 surgiu o primeiro cais na capital e em 1927 a ponte que ligou a ilha ao continente. O porto se desenvolveu. Em 1949 foram feitos mais aterros e foram construídas amplas avenidas. Depois dessas várias mudanças a cidade tornou-se o maior centro do Espírito Santo.

    - Teatro Carlos Gomes.

    história de Vitória
    O Theatro Carlos Gomes, o mais antigo do Espírito Santo, abriu suas cortinas pela primeira vez em 1927. Localizado no Centro de Vitória, sua inauguração vinha preencher a lacuna deixada pelo Teatro Melpômene, demolido após um incêndio.

    Projetado pelo arquiteto italiano André Carloni, sua arquitetura de estilo neorrenascentista foi inspirada no Teatro Alla Scala, de Milão. Administrado inicialmente pelo próprio André Carloni, a primeira peça encenada foi "Verde e Amarelo", de José do Patrocínio e Ruy Pavão, com a Companhia da Revista Tam-Tam.

    2.4 - O incremento portuário e o ciclo industrial


    Em 1970 o Porto de Vitória se tornou um dos mais importantes do país, e a capital começou a se industrializar. A modernização da ilha gerou o desaparecimento de quase todos os vestígios da Colônia e do Império na ilha.


    Ciclo Industrial

    A existência de um porto moderno, trouxe para Vitória a possibilidade de se tornar um polo de importação e exportação de industrias voltadas para o mercado externo. O porto localizado na área central da cidade ficou dedicado a exportações via containeres. Na ponta de tubarão se instalou a Companhia Vale do Rio Doce com suas várias usinas de pelotização. A instalação da antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão (agora ArcelorMittal) e da Aracruz Celulose (agora Fibria), apesar de estarem em municipios vizinhos tiveram grandes influencias no comércio e serviços da cidade.

    A Importância da Atividade Portuária


    Para termos uma ideia da importância das atividades portuárias no Espírito Santo, vejamos o estudo que o IPEA (Instituto de Pesquisa Aplicada) publicou em 2009 com o título: "Portos Brasileiros 2009: Ranking, Área de Influência, Porte e Valor Agregado Médio dos Produtos Movimentados", que nos traz um raio-x dos portos do Brasil.O Porto de Vitória ocupa a segunda posição em termos de valores movimentados, com base nos dados de 2007.
    No ranking dos 34 portos estudados, baseado na sua movimentação em 2007 (em US$ milhões), os cinco primeiros são:
    1. Santos – SP ( 65.380,03 )
    2. Vitória – ES ( 17.087,30 )
    3. Paranaguá – PR ( 16.553,17 )
    4. Rio Grande – RS ( 13.265,23 )
    5. Rio de Janeiro – RJ ( 12.183,12 )

    No ranking geral, incluindo valor agregado e setores de atividades abrangidas, o Porto de Vitória ficou em 5o lugar. O estudo completo pode ser obtido no site: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/Td_1408.pdf

    3. - Geografia Urbana


    A área urbana de Vitória é extremamente pequena, pois ela é uma pequena ilha que foi se expandindo através de aterros e migrações para o continente.

    Entretanto é com as ligações com as suas vizinhas Vila Velha, Serra que Vitória se completa.

    O relevo das ilhas é um prolongamento do continente, de constituição granítica, circundado pelo mar e áreas de mangue e restinga. O maciço central da ilha de Vitória, Morro da Fonte Grande, possui altitude de 308,8m e os principais afloramentos graníticos são a Pedra dos Dois Olhos, com 296m, e o Morro de São Benedito, com 194m de altitude. O ponto mais alto da cidade é o Pico do Desejo, na ilha de Trindade, com 601m de altitude.

    Tendo, apenas a cidade de Vitória, a população de 330.000 habitantes, a Região Metropolitana da Grande Vitória (RGMV) comporta cerca de 1,7 milhão de pessoas concentrando quase 50 % da população de todo o estado do Espírito Santo. A RGMV é constituída de sete municípios: Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vitória e Vila Velha.


    O Continente e a Ilha


    Como podemos ver bem explícito no mapa abaixo, Vitória é constituída da ilha central e uma parte do continente ao norte, onde estão os bairros de Jardim da Penha, Mata da Praia, Goiabeiras,  Maria Ortiz, e Jardim Camburi, incluindo o aeroporto, no Continente, onde a partir daí temos o município da Serra.


    No outro lado Vitória se delimita com Vila Velha e Cariacia


    história de Vitória


    3.1 - Ponte de Camburi - Liga a Praia do Canto (ilha) ao continente (Jardim da Penha e Mata da Praia)



    3.2 Ponte da Passagem - Liga a ilha (Andorinhas) ao continente (Jardim da Penha)



    3.3 - Terceira Ponte (Liga a Praia do Suá à Vila Velha)


    3.4 - Outras formações rochosas (Ilha do Boi, Morro da Fonte Grande e Penedo)


    3.5 - As Praias


    Praia de Camburi

    As três praias mais frequentadas de Vitória são: Praia de Camburi, Curva da Jurema, Ilha do Boi.

    A praia de Camburi tem uma bonita orla, com o calçadão muito usado por pessoas que caminham, mas como é uma praia aterrada não é ideal para banho devido a ter muito areia. As outras praias da curva da Jurema e ilha do Boi são praias pequenas resultado de pequenas baías. As mehores praias para banho encontram-se nos arredores. Em Guarapari, cerca de 60 Km, e em manguinhos  (Serra) cerca de 25 Km.

    4. - Projetos Culturais em Vitória


    4.1 - Projeto Visitar

    Resultado do trabalho de pesquisa do Projeto Visitar - Prefeitura de Vitória / Secretaria Municipal de Turismo - Vitória em Monumentos é uma coleção que apresenta as origens da antiga Vila de Vitória com uma percepção histórica de suas mais antigas edificações. O projeto inclui a monitoria dos monumentos com atividades educacionais informativas nos locais históricos que estão abertos a visitação de toda a população. Dessa coleção foi transcrita a maioria dos textos sobre os monumentos históricos de Vitória.



    4.2 - Museus


         - Museu Solar Monjardim

    Antiga sede da fazenda Jucutuquara, onde viveu a familia Monjardim, o Museu retrata uma casa colonial do seculo XVIII onde vivia uma familia abastada. Localizada em cima de um morro e cercada de verde a casa mantem uma ambientação adequada a recriação dos costumes da época. Os retratos a óleo de Dom Pedro I e do Barão de Monjardim marcam a atmosfera de cerimônia, prestigio e autoridade. (IPHAN)




    5. - Projeto Memória Oficial - Documentos da Capitania do Espírito Santo


    Em 20 de julho de 1998, quando já havia completado 90 anos, o APEES (Arquivo Publico do Estado do Espírito Santo) foi o primeiro arquivo do país a receber a documentação completa do "Projeto Resgate", que trouxe os registros, em microfilmes e CD-ROM, de documentos referentes à  Capitania do Espírito Santo, pertencentes ao Arquivo Histórico Ultramarino, em Portugal, abrangendo um período compreendido entre os anos de 1585 até 1822.

    Na mesma data foi lançada a primeira página do APEES na Internet contendo, entre outras informações, a íntegra do CATALOGO DOS DOCUMENTOS MANUSCRITOS AVULSOS DA CAPITANIA DO ESPÍRITO SANTO (1585-1822) organizado por João Eurípedes Franklin Leal e que na mesma data foi lançado como publicação impressa integrando a Coleção Canaã, volume terceiro. 


    Também é publicado o volume da mesma coleção: DONATÁRIOS, COLONOS, ÍNDIOS E JESUÍTAS: O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO, obra da historiadora Nara Saleto.


    Através da parceria com a Xerox do Brasil S/A tornou-se possível a implantação do projeto de "Digitalização de documentos sob demanda", sendo este oferecido, inclusive, via Internet.

    6. - Comídas Típicas


    6.1 - Moqueca Capixaba (O resto é peixada !)


    Diz a tradição que "moqueca é capixaba e o resto é peixada". Caracterizada pos ser preparada apenas com tomate, cebola, azeite, coentro e cebolinha, a moqueca capixaba é preparada em panela de barro e ao contrário da peixada nordestina, não leva leite de côco nem azeite de dendê.



    Moqueca

    1°- Tempere 1,3 kg de badejo em postas com 1 colher (sopa cheia) de alho, suco de 1 limão, 4 colheres (sopa) de azeite, sal a gosto e deixe marinando por no mínimo 30 minutos.

    2°- Coloque numa tigela 350 g de cebola picada (3 cebolas pequenas), 700 g de tomate picado (3 tomates) e ½ maço de coentro picado e misture.

    3°- Regue com um fio de azeite uma panela de barro grande e coloque ¾ da mistura de tomate e cebola (feito acima). Sobre a mistura arrume as postas de peixes uma ao lado da outra (é importante que as postas não fiquem uma por cima da outra). Cubra o peixe com o restante da mistura de tomate e cebola, regue com 5 colheres (sopa) de tintura de urucum e leve ao fogo alto por +/- 30 minutos com a panela tampada. Retire do fogo, salpique ½ maço de coentro picado e sirva em seguida acompanho de pirão e arroz branco.





    Tintura de Urucum

    1°- Numa panela coloque 450 ml de óleo e 125 g de urucum e leve ao fogo alto até ferver. Após ferver, abaixe o fogo e deixe aquecendo por mais 30 minutos. Retire do fogo, deixe esfriar e peneire.

    Pirão

    1°- Numa panela coloque 300 g de peixe desfiado, 400 g de tomate sem sementes picado, 100 g de cebola picada, 1 colher (sopa) de alho, 5 colheres (sopa) de azeite, 2 colheres (sopa) de coentro picado, 2 colheres (sopa) de tintura de urucum, suco de 1 limão, 800 ml de água e sal a gosto e leve ao fogo médio até sumir os temperos (+/- 15 minutos).
    OBS.: O peixe desfiado é feito cozinhado a cabeça do peixe em água com um pouco de limão. Em seguida escorra a cabeça e separe a carne.
    OBS.: Na falta do urucum pode improvisar com um pouco de colorau.
    6.2 - Torta Capixaba 

    O prato tradicional da sexta-feira santa em Vitória é a Torta Capixaba. Preparada com palmito e variações de peixe, bacalhau e frutos do mar, a torta é um dos pratos típicos da região.




                                     foto de Elizabeth Nader. receita: site Prefeitura de Vitória



    Rendimento: prato para 6 pessoas.
    Ingredientes
    • Cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate a gosto;
    • ½kg de palmito natural previamente cozido;
    • 200gr de siri desfiado e cozido;
    • 200gr de caranguejo desfiado e cozido;
    • 200gr de camarão cozido;
    • 200gr de ostra cozida;
    • 200gr de sururu cozido;
    • 200gr de badejo desfiado e cozido;
    • 500gr de bacalhau desfiado e cozido.
    Observação: Para cozinhar esses ingredientes, fazem-se as moquecas de cada um e retira-se todo o caldo, deixando-os o mais seco possível.
    Modo de Preparo
      1. Prepare um refogado com cebolas, alho, pimenta, azeite doce, azeitonas e limão.
      2. Leve-o ao fogo com o palmito natural e espere até desaparecer a água e ganhar consistência.
      3. Junte, depois de limpos, desfiados, cozidos e espremidos, os ingredientes acima, mexendo até evaporar a água. Retire para esfriar um pouco. Misture uma parte da espuma de 6 claras em neve com as gemas.
      4. Quando se adicionarem os temperos aos mariscos, deve-se colocar o bacalhau para enxugar e dar liga à massa.
      5. Cozinhe à parte 6 ovos, que servirão apenas para enfeite juntamente com azeitonas e rodelas de cebola.
      6. Coloque a massa em uma panela de barro e a leve ao forno, retirando-a quando a espuma estiver bem coradinha.


      7 - Informações de interesse em Vitória



      a) Hotéis (preferências de acordo com Tripadvisor - quarto sup, 2 pessoas)


      - Radisson Hotel, Saturnino de Brito 217, 4 stars, 4 pref, aprox: R$ 367,00, booking.com


      - Comfort Hotel, Av. Dante Michelini, 1057, 3 stars, 4 pref, aprox R$ 227,00, hoteis.com



      - Bristol praia  do canto, Av. Saturnino de Brito, 1075, 3 1/2 star, 4 pref, R$ 221,00, decolar.com



      - Ibis Hotel, Rua João da Cruz, 385, 3 stars, 4 pref, aprox R$ 318,00, accorhotels.com


      - Golden Tulip, Av. Nsa Sra Navegantes, 635, 4 stars, aprox R$ 399,00, booking.com

      8. - Bibliografia



      Com a finalidade de ser apenas um blog de divulgação, a totalidade dos textos sobre a história de Vitória foram transcritos dos documentos / sites oficiais da cidade de Vitória, do Estado do Espírito Santo além de algumas referencias da Wikipedia, livro do Eduardo Bueno e estudo do IPEA. As fotografias são todas pertencentes ao blog.

      As principais fontes são:

      1. - Coleção Monumentos - Projeto Visitar - Instituto GOIA - Secretaria de Desenvolvimento Vitória



      4. - Arquivo Público do Estado - http://www.ape.es.gov.br/index2.htm

      5 - Wikipedia - Vitória (Espírito Santo) - http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitória_(Espírito_Santo)

      6. - Capitães do Brasil - Eduardo Bueno - Coleção Terra Brasilis - Volume III

      7. - IPEA - Estudo sobre Portos do Brasil - http://ideas.repec.org/p/ipe/ipetds/1408.html

      8. - História da Arquidiocese de Vitória - http://www.aves.org.br/secao/historia